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11.3.06

Brokeback Mountain, choque rosa-choque

CINEMA
FILMES DO OSCAR II

A temática da subversão não cansa de ser uma bandeira que, levantada, acaba falando mais alto que a forma, a densidade, a originalidade – em outras palavras, é histérica. Para desespero dos simpatizantes de Os Segredos de Brokeback Mountain (EUA/2005), dirigido pelo taiwanês Ang Lee, das oito indicações recebidas pelo maior prêmio do cinema, apenas três categorias receberam a estatueta: direção, roteiro adaptado e trilha sonora. Não tardou para a crítica especializada concluir que a homossexualidade é um tabu que a academia hollywoodiana ainda não superou. Já os fãs da produção usaram menos eufemismos, atribuindo o que foi considerado um “fracasso” a puro preconceito. Contudo, vale lembrar que o filme não é composto apenas por um elemento (no caso, a abordagem gay), mas por unidades substanciais como fotografia, figurino, elenco e edição, julgadas separadamente. Ainda assim, a produção venceu duas das categorias mais cobiçadas, direção e roteiro adaptado. Os três prêmios não bastam, portanto?

Jack Twist (Jake Gyllenhaal) e Ennie Del Mar (Heath Ledger)


Ang Lee conseguiu, ao escolher as terras áridas do oeste americano, conquistar o coração da mais alta casta do cinema hollywoodiano com uma temática nada convencional, vamos reconhecer: a paixão secreta entre dois jovens cowboys na década de 50. Impossível ignorar que o período marcou o ápice dos grandes filmes épicos do faroeste, reforçados pela inquestionável virilidade dos personagens. Aliás, uma fachada que, para ser "confirmada", era exposta a todo custo com demonstrações de coragem e brutalidade. Assim como as bruxas estavam para a inquisição e os cristãos para o império romano, a homossexualidade estava para aquele tempo e espaço (guardadas as devidas proporções). Apesar disso, o ‘q’ da questão não é a perseguição a tendências rosa-choque, mas simplesmente o amor entre duas pessoas que, nas frias montanhas de pastoreio, encontram um refúgio para sugar todo o oxigênio dessa atração, ainda que esporadicamente, por anos a fio.

Em outras palavras, deixando de lado a temática gay, o que resta é um filme de amor proibido. Ainda que atraente, a receita é um clichê conhecido. Então, que tal arrebanhar a simpatia do público com as formas de sempre, aproveitando o impacto do choque moral? De fato, o filme arregala as pupilas de massas desacostumadas com beijos gays, acompanhados de um rebanho de ovelhas. Bela composição para uma história de amor que a todo momento poderia dar certo, mas não dá. Esses empecilhos compõem a fórmula exaustiva de qualquer soap opera. No entanto, apesar de recorrente, o tema teria um mérito louvável –compatível ao alarde que se criou – se não caísse no risco de ser ressaltado em detrimento de outros elementos, como a originalidade.

O roteiro segue sua lógica bem elaborada, apesar das quase três horas de história contada a passos vagarosos. Trilha sonora e fotografia (a paisagem ajuda) ganham o lugar certo. Diálogos e interpretações são salvos por atores razoavelmente bons, saídos do forno da fama. Não deixam a desejar, mas também não impressionam, até porque papéis homossexuais não são novidade nem na convencional hollywoody, e já renderam o reconhecimento merecido a uma renca de atores – com destaque para o Oscar de melhor atriz para Hilary Swank, em Meninos Não Choram.

Fãs e afins possivelmente não concordarão, mas não podem negar que o filme do diretor taiwanês se sustenta mais pela vitória do dilema moral – romper um tabu da sociedade – do que por características como a genialidade, um dos requisitos essenciais para a composição de uma obra-prima.

1 Comments:

Anonymous Juliano said...

É verdade. O filme não é original nem espantoso. Fosse um filme de um homem e uma mulher ( ao invés de gays ) não teria tanta repercussão. Filme gay por filme gay, Batman I é muito melhor.

1:27 PM  

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