Image Hosted by ImageShack.us

27.3.06

O indie é pop

MÚSICA


Esqueça os bares escondidos em sótãos, pois ao que tudo indica, a cena indie brasileira está caindo nas graças do gosto popular e começa a pisar nos palcos dos maiores festivais do país. Ironia ou não, as chamadas gravadoras independentes, tutoras da música underground, nasceram justamente para produzir álbuns em pequena escala, de modo a valorizar a liberdade do artista em detrimento do lucro. Isso parece ótimo depois de uma década de esvaziamento cultural (anos 90), roubada pelo domínio das multinacionais sobre a produção artística. Com certeza, a internet e o MP3 foram os grandes favorecedores de bandas desconhecidas, logo que o acesso a músicas in natura se difundiu em larga escala. O indie está ficando pop? Os adeptos mais radicais do cenário certamente não aceitam a tendência. Contudo, há um exemplo audaz da febre que arrasta uma legião considerável de fãs: a banda paulistana de electro pós-punk Cansei de Ser Sexy (CSS).

As seis garotas e o guitarrista admitem que mal sabiam tocar um instrumento quando o grupo começou, em meados de 2003. Lovefoxxx, a vocalista, comenta que a idéia inicial era criar uma banda ruim, propositalmente. Dessa forma, letras e arranjos foram produzidos via internet e as músicas, gravadas de improviso em ambiente doméstico. Prontas, foram colocadas no site da Trama Virtual – um espaço para divulgação de sons independentes no formato MP3. O estrondo foi imediato: estacionaram por semanas consecutivas no topo dos 100 mais executados, junto com 35 mil arquivos disponíveis. O som agradou não apenas aos internautas, como chamou a atenção da imprensa. Sites e jornais chegaram a citar que o homem-chave do punk britânico, Malcom Mc Laren, estava de olho no talento dos paulistanos, comparados por ele, inclusive, ao lendário Sex Pistols.

Tamanho foi o frisson, que a Trama pegou carona para criar um selo indie, responsável pelo primeiro disco do CSS, que acabou marcando presença no Tim Festival e Motomix. Não bastando, bastidores estrangeiros estiveram na cola do grupo: a música Meeting Paris Hilton foi tema de uma série britânica na Fox. Além disso, suas composições fazem parte da trilha sonora do game The Sims 2. É notável que a banda conquistou um reconhecimento dificilmente alcançado no cenário brasileiro e internacional, inclusive por artistas de grandes gravadoras. Mas ainda não é fácil distinguir o que é apenas confete e qualidade de verdade.

O som, se não agrada, ao menos diverte. Com acordes repetitivos de guitarra e a indispensável ajuda de sintetizadores, o CSS lembra o estilo de Fischerspooner e Audio Bullys, sofisticado e jovial. Apesar da audácia das letras, repletas de palavrões e referências ao ciberespaço, nada é revolucionário, exceto o fato de brasileiros ganharem status no palco do punk britânico. Na verdade, o que os diferencia das bandas que gostariam de estar em seu lugar é a atitude, não pela postura ideológica, que, aliás, inexiste, mas pela presença de caricaturas. O grupo mistura fortes conceitos de moda em um figurino inusitado com uma teatralização improvisada. Nada que justifique, contudo, seu bônus, se comparados a ícones do rock setentista, que com malabarismos e maquiagens lúdicas já quebravam microfones à exaustão. Diversão e música regem os shows do grupo, talvez sem o cuidado de cair no erro de desfavorecer o som em favor do estilo.

A ascensão de Cansei de Ser Sexy, a exemplo de Strokes e Franz Ferdinand, que saltaram do universo underground para o consumo popular, vai de encontro ao fenômeno de resistência às produções pasteurizadas de mercado. Em outras palavras, o receio de quem segue à risca o conceito indie é que ele caia no sistema que critica, o da mercantilização. Ainda é cedo para dizer o que o MP3 nos reserva, se é um canal realmente acessível à diversidade ou se, apenas, um termômetro estatístico que vai selecionar os mais executados para brilhar ao grande público. Mas é possível, enfim, o casamento das massas com a diversidade e a liberdade individual artística? Qualquer palpite pode ser equivocado.
Tais Laporta

6 Comments:

Anonymous Juliano said...

Sim, qualquer palpite pode ser equivocado. Mas não creio que bandas como o CSS cheguem ao mainstream. Aliás os indies usam o argumento de serem toscos para serem bons; nem sempre é assim. Skank, Gabriel o Pensador, Paralamas e tantas outras uma vez já foram indies, gravaram suas demos e foram descobertos; não necessariamente nessa ordem. O problema é a música ser boa ou não: ser indie , estar na Universal ou mesmo enviando MP3 para amigos são outros quinhentos. O problema mesmo é a falta de criatividade musical. Isso sim, anda em alta.

6:35 PM  
Anonymous Hernandes Aguiar said...

Existe um charme nos indies que acredito estar associado à necessidade (saudável) que muita gente de bom gosto sente de se diferenciar da boiada. Curtir sons pouco conhecidos e de qualidade traz uma sensação de descobrimento que nos faz sentir especiais. Na minha época de escola, ouvia amigos excomungarem os sons ditos "comerciais", muitos dos quais eles elogiavam antes da fama. Tom Jobim costumava dizer que o brasileiro tem raiva de quem faz sucesso. Concordo que freqüentemente bons músicos submetem-se a balizamentos impostos pela mídia empresarial que terminam por contaminar em muitos aspectos a sua obra para torná-la mais assimilável e, por conseguinte, mais vendável. Existem porém agradáveis exceções como, poderia citar, O Rappa, Seu Jorge e o Skank. O mais importante é transcender os rótulos na avaliação da arte e da cultura para não incindirmos nos erros derivados da pré-conceitualização.

7:15 PM  
Blogger Tais Laporta said...

Juliano e Hernandes,
Concordo com a opinião de vocês, embora esse assunto seja ainda muito controverso. Estamos de olho no que pode acontecer quando a moda é justamente estar 'fora da moda'.

12:57 AM  
Blogger Marília Almeida said...

Descreveu perfeitamente o cerne da questão. Sem comentários.

3:15 PM  
Blogger . saturnale . said...

tipo eu ateh concorodo com o q vc disse, q o cenario esta amis conecido pelo publico agora, mas isso eh bom ateh, ams nao na massa q está acontecendo eu concordo com isso....

5:48 PM  
Anonymous Indie boy said...

Me parece que ninguém aqui sabe o que quer dizer indie...
Tsc, tsc, tsc...

8:32 PM  

Postar um comentário

<< Home

CounterData.com

email hotsing
email hotsing Counter