<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114</id><updated>2011-06-08T02:26:15.246-04:00</updated><title type='text'>ArteFato</title><subtitle type='html'>Críticas por inteiro. Aqui, as palavras são arte...e fato</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Marília Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02526254334606663899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://tipos.com.br/media/7/20030417-ava%20gardner%207.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>48</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-764766305092277891</id><published>2007-07-13T19:46:00.000-04:00</published><updated>2007-07-13T20:10:59.463-04:00</updated><title type='text'>Road Book em Alta Velocidade</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_-bmFJyAJKs4/RpgSRPPSrNI/AAAAAAAAACc/nuYyN_RaljI/s1600-h/onan_int.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5086835866472721618" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 173px; CURSOR: hand; HEIGHT: 236px" height="282" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_-bmFJyAJKs4/RpgSRPPSrNI/AAAAAAAAACc/nuYyN_RaljI/s320/onan_int.jpg" width="194" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;LITERATURA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem vê apenas a capa estilizada com o desenho de uma perfeita road norte-americana e título de A mil por hora: confissões de Speed Queen (Record, 2006, 272 págs.), de Stewart O'Nan, logo lembra dos romances de &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=654" target="_blank"&gt;Nick Hornby&lt;/a&gt;, autor de Alta fidelidade. Portanto, não é nada surpreendente que encontremos uma crítica positiva do denominado autor nesta própria capa, caracterizando o romance como “extraordinário, envolvente, estranho, engraçado, violento e excitante”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, realmente, a palavra envolvente se encaixa muito bem no título, cujo original é de 2001. Dedicado a Joey Ramone, o livro teve sua primeira tradução no Brasil no ano passado, pela Record. Em ritmo de thriller e por meio de linguagem informal, acompanhamos as confissões de Speed Queen, apelido que os jornais dão a uma jovem que participa do assassinato de 12 pessoas em uma pequena lanchonete nos Estados Unidos central, cenário ideal para a velha fantasia americana composta por sexo, drogas e rock'n'roll. O romance é dividido apenas por dois capítulos: o Lado A e Lado B da fita que Speed enviará a um escritor que, pelas menções a &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=300254&amp;sid=0155206599323414639881446&amp;amp;k5=26A0E510&amp;uid=" target="_blank"&gt;O iluminado&lt;/a&gt;, logo descobrimos ser Stephen King. Aliás, o titulo original do livro era Caro Stephen King, mas O'Nan optou por deixar este fato nas entrelinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_-bmFJyAJKs4/RpgSlPPSrOI/AAAAAAAAACk/OykYev0T6Is/s1600-h/a+mil.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5086836210070105314" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_-bmFJyAJKs4/RpgSlPPSrOI/AAAAAAAAACk/OykYev0T6Is/s320/a+mil.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Speed é o nome de uma droga cujo similar por aqui parece ser a “bala”: objeto de adoração do casal de protagonistas, ela “acelera”, assim como o Roadrunner, carro que acaba tendo papel central no livro, pois também é símbolo-mor da fantasia na qual vivem. É nele que Speed presta atenção quando conhece o traficante Lamont, com quem começa um relacionamento que muda sua vida de funcionária entediada de um posto de gasolina localizado em uma pequena cidade. O rock fica por conta das citações a &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/blog/post.asp?codigo=1112" target="_blank"&gt;Jimi Hendrix&lt;/a&gt;, trilha-sonora do romance. E o sexo é a base para a tragédia, impulsionada pela criação de um triângulo amoroso com Natalie, mulher manipuladora que termina por virar do avesso a vida do casal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Stewart O'Nan nasceu em 1961 e faz parte da nova geração da literatura norte-americana. Sua formação é, acreditem, engenheiro, mas, em uma hilária linha do tempo &lt;a href="http://www.stewart-onan.com/" target="_blank"&gt;em seu site&lt;/a&gt;, logo descobrimos por que ele se tornou escritor: filmes de horror aos 12, Stephen King aos 16, literatura beat aos 19 e Camus aos 20. Resultado: dez livros de ficção, entre eles &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=1849838&amp;sid=0155206599323414639881446&amp;amp;k5=1D2B3B55&amp;uid=" target="_blank"&gt;Queria que você estivesse aqui&lt;/a&gt;, recentemente também traduzido pela Record. O título não lembra Pink Floyd? Sim, O'Nan é cool e jovial mesmo quando trata de temas mais sérios, como a história de uma família que se reúne em uma casa na beira de um lago para relembrar o passado e olhar para o futuro. Além de romances premiados como A prayer for the dying e In the walled city, o escritor também produziu alguns trabalhos de não-ficção, inclusive um em parceria com Stephen King: Faithfull, no qual ambos compartilham sua paixão pelo beisebol, título que se tornou um best-seller do New York Times.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É inevitável a comparação do livro com o filme &lt;a href="http://www.2001video.com.br/detalhes_produto_extra_dvd.asp?produto=2615" target="_blank"&gt;Assassinos por natureza&lt;/a&gt; (1994) ou mesmo com qualquer roteiro cinematográfico: seu texto inspira imagens com cores fortes e fotografia alucinante. Talvez visando atingir um maior número de jovens leitores, O'Nan realmente tenha pensado no desdobramento do livro na telona e na influência que o cinema tem nas novas gerações. Prova disto é que Snow angels, ainda não publicado no Brasil, será levado à telona este ano, do mesmo modo que The Speed Queen, que contará com o roteiro e atuação de Christina Ricci. A própria Speed cita diversos filmes em sua confissão, afirmando que o livro que contará sua história é uma mistura de &lt;a href="http://www.submarino.com.br/dvds_productdetails.asp?Query=ProductPage&amp;amp;amp;amp;ProdTypeId=6&amp;ProdId=138019&amp;amp;ST=SR&amp;franq=123600" target="_blank"&gt;À espera de um milagre&lt;/a&gt; (1999) e &lt;a href="http://www.submarino.com.br/dvds_productdetails.asp?Query=ProductPage&amp;amp;amp;amp;ProdTypeId=6&amp;ProdId=92707&amp;amp;ST=SR&amp;amp;franq=123600" target="_blank"&gt;Eclipse total&lt;/a&gt; (1995), que, adivinhem, é uma história baseada em um romance do próprio Stephen King. Mas fica a cutucada do autor de que foi também o próprio cinema que impulsionou Speed Queen a viver esta fantasia, em certo sentido tragicômica. Aliás, o que o livro tem bastante é humor, mesmo que negro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há uma realidade cética e paralela criada pelo autor nesta fantasia clichê e é aí que reside a criatividade do livro. Ao longo de sua própria confissão, muito bem amarrada, cheia de voltas e retornos ao passado para culminar no ápice dos assassinatos, a protagonista vai verificando que sua vida e paixão por Lamont teve limites bem palpáveis: seu pequeno filho e uma sociedade que não dá espaço para uma vida acelerada. Até mesmo esta vida tem seus momentos de realidade. E, além disso, que toda violência tem um final muito pouco glamoroso: a pena de morte e sua injeção letal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além desta realidade por trás das motivações dos assassinatos, há a crítica velada ao ato de criar um romance sobre assassinos. Como leiga, a voz da narradora dá liberdade para questionamentos que o escritor vai destilando sobre o que compõe uma ficção: o que é verdade e mentira, quais fatos devem ser valorizados etc. Natalie, também condenada à pena de morte, escreve antes de sua condenação um livro de memórias que, segundo Speed Queen, deturpa muitos fatos. Mais um porquê que a impulsiona a escrever para seu escritor preferido, certa de que ele saberá contar uma boa história. Mas a jogada de O'Nan é que, para uma boa história, bastou sua própria confissão, uma dica de que a vida talvez seja muito rica e que os escritores apenas têm de dar voz a suas próprias criações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marília Almeida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*publicado no&lt;em&gt; Digestivo Cultural&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-764766305092277891?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/764766305092277891/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=764766305092277891' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/764766305092277891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/764766305092277891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2007/07/road-book-em-alta-velocidade.html' title='Road Book em Alta Velocidade'/><author><name>Marília Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02526254334606663899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://tipos.com.br/media/7/20030417-ava%20gardner%207.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_-bmFJyAJKs4/RpgSRPPSrNI/AAAAAAAAACc/nuYyN_RaljI/s72-c/onan_int.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-1419917066454024875</id><published>2007-04-22T18:57:00.000-04:00</published><updated>2007-04-23T00:02:17.384-04:00</updated><title type='text'>Panorama Literário 2006</title><content type='html'>LITERATURA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2006 para a literatura foi sinônimo de eventos consolidados sem muitas novidades, como &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2042" target="_blank"&gt;Flip&lt;/a&gt; e Bienal do Livro. Também foi um ano de diversos lançamentos de autores latino-americanos, incluindo a compilação completa da &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=1810146&amp;sid=15520611781113778795718453&amp;amp;k5=35E12BF&amp;uid=" target="_blank"&gt;obra jornalística de Gabriel García Márquez&lt;/a&gt; em diversos e extensos volumes pela Editora Record; e reedições de obras do &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jornalismo_literÃ¡rio" target="_blank"&gt;jornalismo literário&lt;/a&gt;, como &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=3199436&amp;sid=1321941379216224044932&amp;amp;k5=2B0BAD53&amp;uid=" target="_blank"&gt;Na pior em Paris e Londres&lt;/a&gt;, de George Orwell, pela Companhia das Letras, editora já consagrada que reforçou investimentos em um novo formato e coloca no mercado livreiro títulos selecionados a dedo em edições econômicas, com o selo Companhia de Bolso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos destes novos livros de 2006 ganharam duplo destaque ou foram impulsionados pelo cinema, que parece ter sido e continuará sendo o melhor divulgador da literatura. Em 2006, a sétima arte resgatou até escritores norte-americanos da época da Depressão de 30, como Charles Bukowski (&lt;a href="http://imdb.com/title/tt0417658/" target="_blank"&gt;Factotum&lt;/a&gt;, com Matt Dillon) e John Fante (&lt;a href="http://www.digestivocultural.com/arquivo/tema.asp?codigo=3" target="_blank"&gt;Pergunte ao Pó&lt;/a&gt;, com Collin Farrel e Salma Hayek). Muitos outros lançamentos são aguardados para este ano, como a adaptação de &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2114" target="_blank"&gt;Anotações sobre um Escândalo&lt;/a&gt;, da escritora inglesa Zoë Heller, que traz Cate Blanchett como protagonista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, pode se afirmar que 2006 manteve sua agenda agitada na área. Mas quatro escritores e respectivas obras parecem ter se sobressaído e destacado neste concorrido cenário. Alguns já consagrados, outros, novatos que prometem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obra premiada &lt;a href="http://bp3.blogger.com/_-bmFJyAJKs4/Riwtk_NKrCI/AAAAAAAAABc/QRGPwpK9O2M/s1600-h/article3_img1_01.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5056466595095424034" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_-bmFJyAJKs4/Riwtk_NKrCI/AAAAAAAAABc/QRGPwpK9O2M/s320/article3_img1_01.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A linguagem do escritor amazonense Milton Hatoum, como já disse no post "&lt;a href="http://www.digestivocultural.com/blog/default.asp?codigo=889" target="_blank"&gt;As gangorras de Hatoum&lt;/a&gt;", é simples, isenta de piruetas modernas ou arroubos intelectuais. Mas sua narrativa é tão intricada que facilmente nos prende com histórias sobre relações familiares complexas e repletas de sentimentos intensos, muitas vezes dúbios e contraditórios. Assim o é &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=5044692&amp;sid=1321941379216224044932&amp;amp;k5=36BC830D&amp;uid=" target="_blank"&gt;Dois irmãos&lt;/a&gt; (2001), relançado em formato de bolso no ano passado pela Companhia das Letras e ganhador do Prêmio Jabuti em 2001.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Hatoum, admirador de Guimarães Rosa e Graciliano Ramos, parece ter se consagrado definitivamente em 2006, após ganhar seu terceiro Jabuti por &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=824030&amp;amp;sid=1321941379216224044932&amp;k5=36BC830D&amp;amp;uid=" target="_blank"&gt;Cinzas do Norte&lt;/a&gt; (2005), seu terceiro livro. O primeiro, &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=3097490&amp;sid=1321941379216224044932&amp;amp;k5=36BC830D&amp;uid=" target="_blank"&gt;Relato de um certo Oriente&lt;/a&gt; (1989), é separado por anos do segundo, mas premiado da mesma maneira, fenômeno que denota um certo perfeccionismo de seu autor, que definitivamente funcionou muito bem até agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O escritor já se destacaria apenas pela sua cidade de origem, na qual faz questão de contextualizar suas histórias, todas com fortes reminiscências autobiográficas: a cidade de Manaus. Pedaço de um Brasil esquecido, Hatoum torna um deleite o desbravar de uma região que traduz tão bem nossa pátria. E cria uma literatura que há tempos não se via no país, com mais recheio e menos forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornalismo romanceado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_-bmFJyAJKs4/RiwudfNKrFI/AAAAAAAAAB0/eOdllRDvIJk/s1600-h/capote.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5056467565758032978" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 142px; CURSOR: hand; HEIGHT: 180px" height="281" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_-bmFJyAJKs4/RiwudfNKrFI/AAAAAAAAAB0/eOdllRDvIJk/s320/capote.jpg" width="168" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Neste ano, não é demais dizer que o jornalista e escritor norte-americano Truman Capote (1924-1984) reviveu. Tudo começou com um filme e indicações ao Oscar, seguidos por diversas reedições de uma obra marcante e polêmica, que revolucionou a linguagem jornalística e foi inspiração para outros escritores de um gênero que se denominou jornalismo literário ou novo jornalismo (&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/New_Journalism" target="_blank"&gt;new journalism&lt;/a&gt;), no qual muitos de seus autores escreviam para a antológica revista norte-americana The New Yorker.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/arquivo/digestivo.asp?codigo=269" target="_blank"&gt;Capote&lt;/a&gt; retrata o período de apuração de &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=718704&amp;sid=155206223921161325632125&amp;amp;k5=2258FFED&amp;uid=" target="_blank"&gt;A sangue frio&lt;/a&gt; (&lt;em&gt;Cold Blood&lt;/em&gt;, 1966), obra-prima do autor. A atuação afetada de Philip Seymor Hoffman mereceu o Oscar por sua verossimilhança com o retratado. Truman é exatamente o que nos é colocado na tela, talvez pincelado com cores mais claras. A discussão da ética jornalística não tem lugar em sua obra, que insiste em ultrapassar limites até o ápice, em seu último livro, mas, ainda assim, fazer um jornalismo memorável e admirável, exaustivamente apurado e observador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após freqüentar a alta roda da sociedade, a decadência de Capote foi rápida e mortal, causada pela dependência do álcool e drogas. Morreu prematuramente após produzir &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=1140366&amp;amp;sid=155206223921161325632125&amp;k5=54136DE&amp;amp;uid=" target="_blank"&gt;Bonequinha de luxo&lt;/a&gt; (1958), sucesso cinematográfico com Audrey Hepburn, e &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=1254683&amp;sid=1321941379216224044932&amp;amp;k5=2725FB44&amp;uid=" target="_blank"&gt;Música para camaleões&lt;/a&gt; (1980), peça essencial para entender sua morte e desilusão com o sucesso. Ambos os livros foram reeditados pela Companhia das Letras. O autor ganhou ainda, pela editora, uma compilação de &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=1809724&amp;amp;sid=1321941379216224044932&amp;k5=260E2EC&amp;amp;uid=" target="_blank"&gt;vinte contos&lt;/a&gt; de sua autoria, além de &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=7012882&amp;sid=1321941379216224044932&amp;amp;k5=260E2EC&amp;uid=" target="_blank"&gt;uma biografia&lt;/a&gt; pela Editora Globo. Além disso, A editora Alfaguara lança agora seu romance inédito: &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2192" target="_blank"&gt;Travessia de verão&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autor múltiplo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5056467204980780098" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_-bmFJyAJKs4/RiwuIfNKrEI/AAAAAAAAABs/GYQ_9RSMFpg/s320/20061115-video-lourencomutarelli.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Quem viu Lourenço Mutarelli ao vivo em sua palestra na Flip 2006 e no filme &lt;a href="http://www.ocheirodoralo.com.br/" target="_blank"&gt;Cheiro do ralo&lt;/a&gt; (2006), adaptação de sua primeira &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=662430&amp;sid=1321941379216224044932&amp;amp;k5=1701BA34&amp;uid=" target="_blank"&gt;obra em prosa&lt;/a&gt; lançada em 2002 dirigida por Heitor Dhalia (&lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=1489" target="_blank"&gt;Nina&lt;/a&gt;, 2004) e protagonizada por Selton Mello, não vê grandes mudanças. O escritor é quase um personagem e o personagem é quase o escritor. Com uma expressão facial desiludida, Lourenço gosta de reiterar que por vezes se sente envolvido pelas crises de pânico e depressão tal qual o protagonista de sua aclamada obra, um negociante de artigos usados incomodado cada vez mais com o cheiro do ralo de seu banheiro, o que tira sua razão em situações inusitadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lourenço não é, na verdade, um novato. Ele já era conhecido no mundo dos quadrinhos por seus traços expressivos de nanquim. Lançou a primeira edição de sua arte em 1988 e se tornou referência em publicações independentes. São dele as ilustrações de Nina, que acabou gerando o livro &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=783267&amp;amp;sid=1321941379216224044932&amp;k5=4A94DA9&amp;amp;uid=" target="_blank"&gt;Jesus Kid&lt;/a&gt; (2004), uma amostra de que a parceria com Dhalia e Selton rende frutos até hoje. Seu detetive, Diomedes, é estrela de uma trilogia começada em &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=304754&amp;sid=1321941379216224044932&amp;amp;k5=33C87E1E&amp;uid=" target="_blank"&gt;O dobro de cinco&lt;/a&gt;, passando por &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=603980&amp;amp;sid=1321941379216224044932&amp;k5=33C87E1E&amp;amp;uid=" target="_blank"&gt;O rei do ponto&lt;/a&gt; até terminar em &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=603059&amp;sid=1321941379216224044932&amp;amp;k5=33C87E1E&amp;uid=" target="_blank"&gt;A soma de tudo&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para completar seu sucesso em 2006, o filme Cheiro do ralo rendeu boas críticas e foi escolhido como melhor filme e ainda levou o Prêmio da Crítica na categoria nacional da &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2098" target="_blank"&gt;30ª Mostra de Cinema Internacional de São Paulo&lt;/a&gt;, além do prêmio do Júri Oficial e Popular do Festival do Rio. Seu mais novo livro, &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=1202084&amp;amp;sid=1321941379216224044932&amp;k5=33C87E1E&amp;amp;uid=" target="_blank"&gt;A caixa de areia&lt;/a&gt; (ou &lt;em&gt;Eu era dois em meu quintal&lt;/em&gt;), lançado pela Devir Editora em janeiro, é uma autobiografia que mistura literatura e quadrinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peruano engajado &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5056467930830253154" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 223px; CURSOR: hand; HEIGHT: 155px; TEXT-ALIGN: center" height="220" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_-bmFJyAJKs4/RiwuyvNKrGI/AAAAAAAAAB8/xbX1uM8ynBA/s320/MARIO%2520VARGAS%2520LLOSA%2520.jpg" width="273" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;O jornalista e escritor Mario Vargas Llosa, do alto de seus 70 anos, foi uma agradável surpresa em 2006. Seu retorno cruzou o Atlântico pelas mãos da Alfaguara, editora espanhola criada nos anos 60 e que &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/arquivo/digestivo.asp?codigo=299" target="_blank"&gt;no ano passado&lt;/a&gt; desembarcou no país, já responsável por títulos como &lt;em&gt;Quando fui outro&lt;/em&gt;, de Fernando Pessoa; &lt;em&gt;Um retrato do artista quando jovem&lt;/em&gt;, de James Joyce, entre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autor distante da fantasia e existencialismo de autores latinos de sua época, como o próprio Márquez, em &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=1769589&amp;sid=1321941379216224044932&amp;amp;k5=2164AA25&amp;uid=" target="_blank"&gt;Travessuras da menina má&lt;/a&gt; ainda é possível encontrarmos resquícios da sua postura engajada e narrativa épica, veementes em obras-primas como &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=751061&amp;amp;sid=1321941379216224044932&amp;k5=286F01D9&amp;amp;uid=" target="_blank"&gt;Conversa na catedral&lt;/a&gt; (1969), belo retrato de um Peru sob o jugo da ditadura. Mas &lt;em&gt;Travessuras&lt;/em&gt; é, acima de tudo, um livro sobre o amor em meio a utopias, como o Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR), ao longo de 40 anos. São encontros e desencontros de um casal por diversas cidades e países, como a revolucionária Paris dos anos 60.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Linha direta com o Oriente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além destes autores, é impossível não citar a avalanche de títulos provenientes do Oriente Médio ou cuja temática se situa no ambiente da guerra, radicalismo e conflitos religiosos, tão cada vez mais complexa para o entendimento ocidental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro, há dois best-sellers: o &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=1411557&amp;sid=1321941379216224044932&amp;amp;k5=2304BC50&amp;uid=" target="_blank"&gt;O livreiro de Cabul&lt;/a&gt;, relato da jornalista norueguesa Asne Seierstad sobre os três meses que viveu com uma família afegã, lançado pela Record; e &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=3178258&amp;sid=1321941379216224044932&amp;amp;k5=10DDABA0&amp;uid=" target="_blank"&gt;O caçador de pipas&lt;/a&gt;, de Khaled Hosseini, traduzido pela editora Nova Fronteira, que terá em breve uma adaptação para o cinema facilmente encantadora, assim como &lt;em&gt;Machuca&lt;/em&gt; (2004), já que trata da amizade de crianças em meio a grandes acontecimentos políticos, mais especificamente um Afeganistão invadido pela União Soviética no final dos anos 70.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro título extremamente delicado recentemente lançado pela Geração Editorial é &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=1795212&amp;amp;sid=1321941379216224044932&amp;k5=29EE04BD&amp;amp;uid=" target="_blank"&gt;Mulheres de Cabul&lt;/a&gt;, de Harriet Logan, ilustrado com belas fotos em preto e branco das mulheres afegãs, alvos fáceis de preconceitos e ideologias ocidentais. A imagem, longe de neutralizá-los, pelo menos os minimiza.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;*publicado no &lt;em&gt;Digestivo Cultural&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-1419917066454024875?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/1419917066454024875/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=1419917066454024875' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/1419917066454024875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/1419917066454024875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2007/04/panorama-literrio-2006.html' title='Panorama Literário 2006'/><author><name>Marília Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02526254334606663899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://tipos.com.br/media/7/20030417-ava%20gardner%207.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_-bmFJyAJKs4/Riwtk_NKrCI/AAAAAAAAABc/QRGPwpK9O2M/s72-c/article3_img1_01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-6005964153354034144</id><published>2007-02-17T13:50:00.000-04:00</published><updated>2007-02-17T14:16:37.811-04:00</updated><title type='text'>Cinema 2006: grandes retornos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;CINEMA*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;2006 foi um ano que marcou a volta de grandes cineastas à tela grande. Alguns, duplamente, pois também foram marcados pela volta às raízes. Todos incorriam em grande possibilidade de acerto e brilharam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alma feminina almodovariana&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_-bmFJyAJKs4/RddDri-nFdI/AAAAAAAAAAM/4gnLmysCS28/s1600-h/volver.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5032565524012668370" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 237px; CURSOR: hand; HEIGHT: 151px" height="200" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_-bmFJyAJKs4/RddDri-nFdI/AAAAAAAAAAM/4gnLmysCS28/s320/volver.jpg" width="304" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Penélope Cruz e mulheres com problemas mal-resolvidos é a fórmula mágica do cineasta espanhol Pedro Almodóvar. &lt;a href="http://www.imdb.com/title/tt0441909/" target="_blank"&gt;Volver&lt;/a&gt; significa voltar até no título e retoma o fôlego de obras-primas como &lt;a href="http://www.2001video.com.br/detalhes_produto_extra_dvd.asp?produto=4465" target="_blank"&gt;Mulheres à beira de um ataque de nervos&lt;/a&gt; (1988) e &lt;a href="http://www.contracampo.com.br/66/tudosobreminhamae.htm" target="_blank"&gt;Tudo sobre minha mãe&lt;/a&gt; (1999) após o mediano &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/arquivo/digestivo.asp?codigo=203" target="_blank"&gt;A Má Educação&lt;/a&gt; (2004).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste último, sua atmosfera pecadora recheada de sensualidade adquire um tom pesado guiada por um roteiro mirabolante, que se perde no meio do caminho e tenta se encontrar desesperadamente até o final, resultando em um desfecho pífio. Não é o que acontece em Volver, cuja narrativa é ascendente e bem costurada por diferentes personagens e visões da história. Talvez porque o protagonista de A Má Educação, interpretado pelo mexicano Gael García Bernal, em seu primeiro trabalho com o diretor, não tenha a intimidade que Penélope Cruz desenvolveu em trabalhos anteriores e Carmen Maura resgata 17 anos depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volver é uma comédia que não deixa de tocar em assuntos graves como a morte e dramas familiares e já recebeu 14 indicações ao prêmio Goya, a mais importante premiação espanhola. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A máfia de Scorsese&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5032566005049005554" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px; TEXT-ALIGN: center" height="163" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_-bmFJyAJKs4/RddEHi-nFfI/AAAAAAAAAAc/AZpez7SQphA/s320/0,,6912491,00.jpg" width="250" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Martin Scorsese é um cineasta americano que influenciou uma geração de novos diretores, incluindo Quentin Tarantino. Mas, paradoxalmente, nunca ganhou um Oscar. Movido talvez por uma “vingança”, ultimamente lançou filmes distantes de suas narrativas urbanas povoadas por tipos violentos como seu clássico &lt;a href="http://www.imdb.com/title/tt0075314/" target="_blank"&gt;Táxi Driver&lt;/a&gt; (1976). O maior exemplo disso é &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/arquivo/digestivo.asp?codigo=120" target="_blank"&gt;Gangues de Nova York&lt;/a&gt; (2002), que precisou de grande orçamento para que sua distribuição conseguisse atingir duas premiações do Oscar. O filme recebeu dez nomeações, mas não levou nenhuma estatueta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após filmar &lt;a href="http://www.imdb.com/title/tt0119485/" target="_blank"&gt;Kundun&lt;/a&gt; (1997), filme com bela fotografia que narra a vida do décimo quarto Dalai Lama e &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/arquivo/digestivo.asp?codigo=218" target="_blank"&gt;O Aviador&lt;/a&gt; (2004), que retrata a história do milionário Howard Hughes, Scorsese retoma a &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Goodfellas" target="_blank"&gt;Os Bons Companheiros&lt;/a&gt; (1990) em &lt;a href="http://www.imdb.com/title/tt0407887/" target="_blank"&gt;Os Infiltrados&lt;/a&gt; (2006). E acerta, mesmo sem Robert De Niro, que recusou o papel do “father” da máfia irlandesa de Boston: Frank Costello. Mas o sempre perverso Jack Nicholson o substitui muito bem ao lado de Leonardo DiCaprio que, junto com Matt Damon, é um infiltrado: o primeiro na máfia e, o outro, na polícia, que acabarão por se perseguir e destruir como forma de sobreviverem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Infiltrados é um policial notável: tenso do início ao final, com belas seqüências de apresentação de personagens. Seu roteiro é intrincado e desvenda os meandros de duas organizações opostas e, por vezes, complementares. A tecnologia representada por celulares ocupa papel central e produz tomadas sarcásticas tão caras ao estilo de Martin. A fonte da inspiração é, no mínimo, improvável: o filme é baseado no chinês Conflitos Internos, dirigido por Alan Mak e Andrew Lau. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Homenagem a Buñuel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_-bmFJyAJKs4/RddETC-nFgI/AAAAAAAAAAk/ZfnlWgGF56k/s1600-h/belle_toujours1s.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5032566202617501186" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 236px; CURSOR: hand; HEIGHT: 156px" height="179" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_-bmFJyAJKs4/RddETC-nFgI/AAAAAAAAAAk/ZfnlWgGF56k/s320/belle_toujours1s.jpg" width="249" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O cineasta português Manoel de Oliveira é considerado o mais velho realizador do cinema em atividade do alto de seus quase cem anos. Apesar disso, sua obra cinematográfica, que se divide entre o gênero documental e de ficção e inclui trabalhos como ator, não é muito conhecida e raramente circula no circuito nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manoel de Oliveira já filmou 36 filmes desde 1931, entre eles a adaptação de uma grande obra literária com Amor de perdição (1979), uma reflexão original sobre o bem e mal em A divina comédia (1991) e Acto de primavera (1962), que fez parte do Novo Cinema Português. Neste ano, dirigiu um filme singelo, mas forte: &lt;a href="http://www.imdb.com/title/tt0475224/" target="_blank"&gt;Belle Toujours&lt;/a&gt;, exibido na 30º Mostra Internacional de São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme pretende ser a continuação do clássico &lt;a href="http://www.contracampo.com.br/60/beladatarde.htm" target="_blank"&gt;A bela da tarde&lt;/a&gt; (1967), dirigido por Luis Buñuel, além de uma homenagem ao diretor espanhol. Apesar da recusa de Catherine Deneuve para continuar na pele da protagonista do filme, Séverine, uma mulher que descobre o verdadeiro prazer trabalhando como prostituta por meio-período, podemos ver Michel Piccoli no elenco trinta e oito anos depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, os participantes do filme estão amadurecidos e se reencontram em Paris. O filme é fiel ao original e o revive, mostrando a perseguição implacável de erros do passado e a vontade de mudança, que parece nunca poder ser concretizada. Uma bela abertura situada em um concerto de música clássica marca o reencontro dos personagens e as cenas em um bar escuro refletem sobre os relacionamentos modernos e a solidão humana. Na surpreendente seqüência final, o clima de mistério é permanente, o que o coloca à altura de seu original. O intuito de Manoel não é esclarecer, mas problematizar, desejo compartilhado por Buñuel.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O último Altman&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_-bmFJyAJKs4/RddEoi-nFhI/AAAAAAAAAAs/cyMNgZWN4Ic/s1600-h/prairiehome.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5032566571984688658" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 242px; CURSOR: hand; HEIGHT: 165px" height="204" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_-bmFJyAJKs4/RddEoi-nFhI/AAAAAAAAAAs/cyMNgZWN4Ic/s320/prairiehome.jpg" width="271" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O filme produzido este ano pelo produtor, roteirista e diretor de cinema norte-americano Robert Altman não marcaria tanto se não fosse também o último de sua carreira. O cineasta faleceu no dia 20 de novembro, aos 81 anos, por causa de uma falência respiratória. &lt;a href="http://www.imdb.com/title/tt0420087/" target="_blank"&gt;A última noite&lt;/a&gt; é encenado por Meryl Streep e estreou no circuito nacional no final deste ano.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Altman morreu após produzir 80 filmes como diretor, entre eles MASH (1970), O Jogador (1992) e Short Cuts – Cenas da vida (1993), indicados ao Oscar de Melhor Direção. Devido a posições políticas, seu cinema se vinculou mais ao europeu do que ao de seu país e seu último filme reflete isso muito bem, pois homenageia um dos programas de rádio mais antigos dos Estados Unidos e símbolo da contracultura nacional A prairie home companion. O filme se passa na última noite de sua programação, diante da ameaça de seu fechamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ano da morte de Robert Altman também foi o que ele recebeu a máxima premiação em seu país: um Oscar honorário por sua obra. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Marília Almeida&lt;/p&gt;&lt;p&gt;*publicado no Digestivo Cultural&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-6005964153354034144?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/6005964153354034144/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=6005964153354034144' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/6005964153354034144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/6005964153354034144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2007/02/cinema-2006-grandes-retornos.html' title='Cinema 2006: grandes retornos'/><author><name>Marília Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02526254334606663899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://tipos.com.br/media/7/20030417-ava%20gardner%207.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_-bmFJyAJKs4/RddDri-nFdI/AAAAAAAAAAM/4gnLmysCS28/s72-c/volver.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-116802063863384807</id><published>2007-01-05T14:06:00.000-04:00</published><updated>2007-01-05T14:10:38.650-04:00</updated><title type='text'>Escândalo na cidade cinzenta</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;LITERATURA*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma rara mulher de meia idade. Serva do prazer e indiferente ao furor social. Esse é o perfil da instigante personagem do segundo romance escrito pela jornalista inglesa Zoë Heller, &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=7014333&amp;sid=20126941081115453564688332&amp;amp;k5=EAFB054&amp;uid=" target="_blank"&gt;Anotações sobre um escândalo&lt;/a&gt; (Record, 2006, 315 págs.). Finalista do Booker Prize em 2003 e prestes a ganhar uma adaptação para o cinema, o livro narra o envolvimento amoroso da professora de artes Sheba Hart, 42 anos, com um aluno de 15, Steven Conolly. Ou, como os ingleses preferirem, um caso de exploração sexual.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Casada e mãe de dois filhos, a protagonista é, desde o princípio, a aparente mulher exemplar, em quem ninguém ousa apontar defeitos. Conolly, por sua vez, é o típico garoto londrino proveniente das classes operárias em pleno despontar da adolescência. A relação entre os dois não passaria de um mero contato formal aluno-professor, não fosse a atração irresistível que ambos sentiram mutuamente logo que se viram, na escola.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Longe de olhares humanos – na sala de aula, nos parques obscuros de Londres e até na garagem de casa – os dois passam a participar de intensos encontros amorosos. Quem narra o enredo é uma mulher solitária de 61 anos, Barbara Covett, amiga de Sheba e a única que oficialmente fica a seu lado quando o caso vem a público. Apesar de nutrir uma crescente admiração por Sheba, a narradora também não esconde um leve sorriso de escárnio quando os tablóides ingleses destroem sua reputação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Antes de escrever, Zoë Heller havia notado que fenômenos profundamente interessantes acometem a sociedade quando certos escândalos saem debaixo do tapete. Barbara é o reflexo dessa reação em cadeia. A cinzenta Londres nunca esteve tão colorida quando descobriu o relacionamento ilícito da professora. Nutria um prazer imenso em massacrá-la por ter “abusado de uma criança”. O interessante é que – um clichê necessário – qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Anotações sobre um escândalo foi inspirado em um caso verídico que mobilizou a opinião pública nos Estados Unidos em 1997. A professora Mary Kay LeTourneau, de 34 anos, foi condenada a sete de prisão por ter se relacionado sexualmente com um aluno de doze, Vili Fualaau, de quem engravidou. Na época, era casada e mãe de quatro filhos. Depois de cumprir a pena em reclusão, ela se casou com Fualaau, com quem teve mais uma filha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O caso, como lembra Zoë Heller, lança dúvidas sobre o costume de classificar as fases da vida por faixas de idade. Segundo a autora, esse padrão polêmico colocaria pessoas de diferentes origens e natureza física em um mesmo grupo. A verdade é que, embora a ciência não explique exatamente quando uma criança deixa de ser criança, a sociedade estabeleceu um limite para a transição da infância para a adolescência. Tanto que, aos dezesseis anos, uma pessoa já pode dirigir automóveis nos EUA. No Brasil, pode até votar. Ainda vigora, no Nordeste brasileiro, a tradição de meninas constituírem família aos treze anos de idade. Na Inglaterra, contudo, uma pessoa de quinze anos ainda é chamada de criança.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Conolly era rebelde e imaturo, traço comum aos garotos de sua idade. Mas já sabia bem o que era desejo sexual, tanto que não escondia a atração pela professora. Por outro lado, Sheba reconheceu no garoto uma beleza diferente, própria de uma pessoa extremamente jovem. Descrevia o fascínio por sua pele lisa e pela leveza do seu corpo, típica da adolescência. Mas também sabia que despontavam nele traços discretos da masculinidade: pêlos nos braços, costas largas e voz grave. Assim, uma vaidade juvenil despertou tardiamente na professora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O limite entre desejo e amor se confunde, no romance, com a instabilidade dos próprios personagens. A certa altura, Sheba teme a possibilidade de Conolly apaixonar-se por uma garota de sua idade. Tanto que, no auge desse desespero, a protagonista parece enlouquecer quando o garoto demonstra um perceptível desinteresse pela relação. Foi nesse clima que Heller ambientou o universo psicológico dos personagens, com rara profundidade. Ainda que com linguagem de best-seller, porém extremamente inteligente, a autora foi colocada pela crítica inglesa no patamar dos melhores romancistas britânicos, ao lado de Ian McEwan e Martin Amis.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao escolher um terceiro olhar na narração – o de Barbara – a escritora possibilitou defrontar o leitor com seu próprio espelho. A narradora – que muitos interpretam como autora de um desejo lésbico enrustido – ao mesmo tempo em que condena, não deixa de defender Sheba contra as afrontas da sociedade. “Todos dizem que ela cometeu um crime ‘desprezível’. Mas por trás eles estão rindo. Uma noite destas fui a um pub comprar cigarros e o rosto de Sheba apareceu por alguns segundos na televisão; imediatamente, gargalhadas maliciosas encheram o bar. ‘Mulher safada’, eu ouvi um homem dizer ao amigo. ‘Bem que eu queria estar no lugar do garoto’. É difícil imaginar que Sheba provocasse a mesma reação se fosse um homem”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A temática do amor entre pessoas de idades diferentes não é novidade na literatura contemporânea. Em &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=5046382&amp;sid=20126941081115453564688332&amp;amp;k5=1FBF5D50&amp;uid=" target="_blank"&gt;O animal agonizante&lt;/a&gt;, do americano Philip Roth, um velho professor universitário, David Kapesh, coleciona um grande número de alunas (parceiras sexuais) ao longo da carreira acadêmica, até apaixonar-se por uma delas, a cubana Consuela Castillo. “Logo na primeira aula descubro quase imediatamente qual daquelas garotas é minha. Mark Twain tem uma história em que ele foge de um touro e sobe numa árvore, e o touro olha para ele e pensa: ‘O senhor é minha refeição’. Pois bem, leia-se a ‘senhorita’ em vez de ‘o senhor’, e é isso que eu penso quando vejo as garotas na sala de aula”, narra nas primeiras páginas. A diferença entre os romances de Heller e Roth é que um deles trata de um escândalo social – o outro, não.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É inevitável a comparação, uma vez que ambos utilizam uma abordagem extremamente próxima – salvo a inversão dos sexos no papel do “predador”. A personagem de Heller, Barbara, vai a fundo nessa análise. “Quando um lascivo homem de meia idade lança olhares cobiçosos para o traseiro de uma adolescente, nós não somos encorajados a acreditar que ele está contribuindo para a preservação da espécie (...)? Uma mulher que molesta um menor não apresenta um sintoma de uma tendência inata. Ela é uma aberração. As pessoas não se vêem ali, nem vêem refletidos nela seus desejos furtivos. Segundo a ciência evolutiva, Sheba não passa de uma excêntrica parada no acostamento da grande estrada da sobrevivência humana. É por isso que os homens podem rir dela nos pubs”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A escritora inglesa optou por uma abordagem que atrai certamente os olhares mais diversos: o curioso, o conservador, o feminista e o indeciso. Quanto ao objetivo fundamental da obra, prevalece a exposição sobre o julgamento. Mas alguma coisa, de todo modo, o romance quis provocar – um escândalo? Quem sabe.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;*Publicado no &lt;em&gt;DigestivoCultural.com&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-116802063863384807?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/116802063863384807/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=116802063863384807' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/116802063863384807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/116802063863384807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2007/01/escndalo-na-cidade-cinzenta.html' title='Escândalo na cidade cinzenta'/><author><name>Tais Laporta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15012070315502777241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-116584866809566780</id><published>2006-12-11T10:41:00.000-04:00</published><updated>2006-12-11T11:08:03.713-04:00</updated><title type='text'>Os Mavericks e o Cinema Americano Contemporâneo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;CINEMA*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/3138/1392/320/948561/spike_lee-thumb.gif" border="0" /&gt;Eles provaram que há, sim, cinema norte-americano fora de Hollywood ao produzirem seus filmes em Nova York, longe do centro da indústria cinematográfica de Los Angeles. Diretores como Spike Lee, &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=1132" target="_blank"&gt;Quentin Tarantino&lt;/a&gt;, Steven Soderbergh e os irmãos Joel e Ethan Coen são os Mavericks, cineastas autônomos diante do poderio industrial norte-americano e tema do curso Cineastas Norte Americanos Contemporâneos, ministrado pelo crítico de cinema Sérgio Rizzo de setembro a outubro na &lt;a href="http://www.casadosaber.com.br/" target="_blank"&gt;Casa do Saber&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Combinação da velha narrativa americana com forma mais solta e escolha de tema aberta, produção independente, muitas vezes a mesma formação, um certo estilo cult na linguagem e admiração pelo cinema autoral da &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Nouvelle_Vague" target="_blank"&gt;Nouvelle Vague&lt;/a&gt; são as características deste grupo decididamente heterogêneo, que não pode ser encaixado ou reduzido a um movimento, apesar de ser evidente que alguns possuem as mesmas influências, até mesmo entre si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais interessante é que, ao falar de cada cineasta, Rizzo também nos revela os bastidores de premiações como o Festival de Cannes, os processos de produção do meio cinematográfico norte-americano, faz críticas resumidas sobre cada filme apresentado e conta curiosidades tanto sobre os filmes como os cineastas, o que torna o curso completo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/3138/1392/320/229883/citizen_kane.jpg" border="0" /&gt;&lt;b&gt;Influências da época de ouro&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Os Mavericks podem ser classificados como experimentalistas e inovadores, mas suas influências remetem a dois cineastas também experimentalistas e inovadores da década de 40 e 60: Orson Welles (que Rizzo classifica como o avô desta geração), John Cassavetes (o pai) e Jim Jarmusch (um meio primo e meio tio). Todos decidiram fazer filmes de maneira autônoma, tiveram Nova York como pano de fundo e se deram bem na empreitada, marcando época (Orson, talvez, muitas gerações depois com seu &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Citizen_Kane" target="_blank"&gt;Cidadão Kane&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orson já era figura de destaque do rádio até que fez a adaptação da &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=3180637&amp;sid=15520611781113778795718453&amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;k5=26B24FD5&amp;uid=" target="_blank"&gt;Guerra dos Mundos&lt;/a&gt; de H. G. Wells. Daí para frente, a história já é conhecida. Contratado pelo RKO, grande estúdio que lhe deu total autonomia diante de um sistema produtor, Orson cria &lt;em&gt;Cidadão Kane&lt;/em&gt; (1941) como uma provocação que centraliza a figura do diretor e marca sua explosão, o preparando também para uma carreira decadente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma década e meia após Orson, &lt;a href="http://www.imdb.com/name/nm0001023/" target="_blank"&gt;John Cassavetes&lt;/a&gt; se torna conhecido como possível sucessor de James Dean. Galã da TV e Guy de &lt;em&gt;O bebê de Rosemary&lt;/em&gt; (1968), com orçamento de US$ 40 mil produz &lt;em&gt;Shadows&lt;/em&gt; (1959) na mesma época em que superproduções como &lt;em&gt;Ben-Hur&lt;/em&gt; (1959) e &lt;em&gt;Rastros de Ódio&lt;/em&gt; (1956) estreavam nos cinemas. Composto por atores amadores, o filme é produzido rapidamente, com poucos recursos e cenários, e fala sobre três ladrões que perambulam por Nova York. Depois dele, John produz alguns filmes inseridos na indústria e outros de forma independente, amadurecendo tecnicamente em &lt;em&gt;Faces&lt;/em&gt; (1968), até chegar a &lt;em&gt;Gloria&lt;/em&gt;, na década de 80.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o também cineasta nova-iorquino &lt;a href="http://www.imdb.com/name/nm0000464/" target="_blank"&gt;Jim Jarmusch&lt;/a&gt; aparece na mesma época em que a imprensa norte-americana decreta o surgimento do novo cinema independente no país. Seu primeiro longa, &lt;em&gt;Estranhos no paraíso&lt;/em&gt; (1984), teve distribuição restrita. Utilizando procedimentos antiindustriais, longos planos-sequências e relegando à trilha sonora papel importante, produz em 2003 &lt;em&gt;Café e cigarros&lt;/em&gt;, originalmente um curta de poucos recursos premiado na universidade, que ganha a Câmera de Ouro em Cannes. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/3138/1392/1600/71266/250px-Pulp_fiction,0.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 215px; CURSOR: hand; HEIGHT: 146px" height="168" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/3138/1392/320/455400/250px-Pulp_fiction%2C0.jpg" width="264" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Força motriz&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rizzo divide a geração consolidada de diretores independentes contemporâneos em quatro cineastas, que servem de inspiração para a mais nova geração de cineastas ou de exemplos a não serem seguidos. Ele dedica uma aula a cada um deles, que são entremeadas por trechos de seus principais filmes: Spike Lee, Steven Soderbergh, Quentin Tarantino e os irmãos Joel e Ethan Coen.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Proveniente de uma elite negra de artistas e universitários e tendo Martin Scorsese como professor na faculdade de cinema, &lt;a href="http://www.imdb.com/name/nm0000490/" target="_blank"&gt;Spike Lee&lt;/a&gt; colocou a cultura negra e o preconceito racial pela primeira vez em destaque no cinema norte-americano. Seu longa de sucesso &lt;em&gt;Faça a coisa certa&lt;/em&gt; (1989) é produzido de forma independente. Neles, seqüências que servem apenas para criar ambientação e linguagem crua documentam a realidade. Posteriormente, produz filmes como &lt;em&gt;Febre na selva&lt;/em&gt; (1992) do mesmo modo, até que começa a se inserir na indústria por meio de produções como &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=1884" target="_blank"&gt;O plano perfeito&lt;/a&gt; (2006).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seis anos a menos que Spike Lee, &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/endereço" target="_blank"&gt;Steven Soderbergh&lt;/a&gt;, apesar de também proveniente de uma elite intelectualizada, não faz faculdade. Outsider, seu primeiro longa, &lt;em&gt;sexo, mentiras e videoteipe&lt;/em&gt; (1990), é feito com capital de vídeo doméstico. Exibido pela 1º vez no Sundance Festival, Steven ganha aos 26 anos a Palma de Ouro em Cannes. Produz filmes discretos até 2000, quando filma o blockbuster &lt;em&gt;Erin Brockovich&lt;/em&gt; e um filme arriscado: &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/arquivo/digestivo.asp?codigo=26" target="_blank"&gt;Traffic&lt;/a&gt;. Ambos são bem-sucedidos e o fazem ganhar o Oscar de Melhor diretor. Depois disso, segue esta fórmula produzindo filmes como &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/arquivo/digestivo.asp?codigo=76" target="_blank"&gt;Onze homens e um segredo&lt;/a&gt; (01) e o experimental &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=1986" target="_blank"&gt;Bubble&lt;/a&gt; (06), que estreou no cinema, DVD e Internet para testar novas tecnologias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posteriormente, entra em cena &lt;a href="http://www.imdb.com/name/nm0000233/" target="_blank"&gt;Quentin Tarantino&lt;/a&gt;. Sua pequena produção de cinco filmes e co-produções, que envolve apenas projetos que realmente gosta, causou grande impacto na indústria, fora dela e sobre cineastas que começaram a filmar. Incorporado à industria, Tarantino dá um impulso de criatividade na esterilidade que dominou os anos de 1985 a 1996. Aluno proveniente de família abastada que não termina o 1º grau, ganha a palma de Ouro em Cannes com &lt;em&gt;Pulp Fiction&lt;/em&gt; (1994) após vender roteiros como &lt;em&gt;Amor à queima-roupa&lt;/em&gt; (1993). Empresários da Miramax, na época já a maior distribuidora de filmes independentes, compram os direitos de distribuição de seus filmes desde seu primeiro longa, &lt;em&gt;Cães de aluguel&lt;/em&gt; (1992). Com matéria-prima popular, cara de filme B, domínio narrativo, estrutura literária e discotecagem marcante, sua ambientação e modo de desvendar personagens também é influenciada por Scorsese.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, o primeiro filme dos irmãos &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Joel_and_Ethan_Coen" target="_blank"&gt;Joel e Ethan Coen&lt;/a&gt;, respectivamente diretor e roteirista, &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/arquivo/digestivo.asp?codigo=205" target="_blank"&gt;Gosto de sangue&lt;/a&gt; (1984) ganha o prêmio do júri em Sundance e Cannes. Policial com ambientação noir da década 40, humor negro e conversa fiada com filosofia barata que lembra Tarantino e o distancia de Spike, nele já podemos perceber o formalismo que os caracterizam. Em &lt;em&gt;Barton Fink – Delírios de Hollywood &lt;/em&gt;(1991) ganha a Palma de Ouro em Cannes de melhor filme, ator e diretor, se equiparando a &lt;em&gt;Pulp Fiction&lt;/em&gt; e&lt;em&gt; sexo, mentiras e videoteipe&lt;/em&gt;. Nele, os irmãos transitam pelo cinema de autor e criticam Hollywood. Por fim, seu maior sucesso, &lt;em&gt;Fargo&lt;/em&gt; (96), é indicado ao Oscar de roteiro original e melhor atriz e direção em Cannes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Nova geração&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/3138/1392/1600/817697/Requiem_for_a_dream_19188m.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 232px; CURSOR: hand; HEIGHT: 163px" height="185" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/3138/1392/320/722398/Requiem_for_a_dream_19188m.jpg" width="274" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Rizzo também destaca seis novos cineastas em torno de 35 anos que podem constituir a geração futura destes cineastas independentes já consolidados. Com ritmo de produção menor e formações semelhantes em Nova York, &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2046" target="_blank"&gt;M. Night Shyamalan&lt;/a&gt;, Paul Thomas Anderson, Wes Anderson, Sofia Coppola e Spike Jonze fazem apenas projetos que "têm a ver".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após cursar cinema na NY University, M. Night Shyamalan é responsável pela 2º bilheteria de 1999 com seu terceiro longa: &lt;em&gt;O Sexto Sentido&lt;/em&gt;. Mórbido, o filme contraria os princípios da indústria, mostrando que precisa ousar e renovar sua platéia. Consolidado com histórias sobrenaturais bem narradas de maneira clássica nas quais rechaça Tarantino, Soderbergh e Spike Lee, como &lt;em&gt;Sinais&lt;/em&gt; (2002) e &lt;em&gt;A Vila&lt;/em&gt; (2004), M. Night é indicado ao Oscar de Melhor Direção e Roteiro com apenas 29 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.imdb.com/name/nm0000759/" target="_blank"&gt;Paul Thomas Anderson&lt;/a&gt; também cursa a NY Univesity, mas também trabalha com vídeos musicais. Seu segundo longa, &lt;em&gt;Boogie Nights&lt;/em&gt; (1997) é indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original e &lt;em&gt;Magnólia&lt;/em&gt; (1999) leva o prêmio de Melhor Roteiro e Filme no Festival de Berlim. Com uma câmera inquieta, é herdeiro do modo enfático de Scorsese contar histórias, destacando a música. Partindo em uma temática quase contrária, o texano &lt;a href="http://www.imdb.com/name/nm0027572/" target="_blank"&gt;Wes Anderson&lt;/a&gt; dirige comédias com toques de erudição cinematográfica paralelamente à industria. Com &lt;em&gt;Os excêntricos Tenenbaums&lt;/em&gt; (2001) é indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.imdb.com/name/nm0004716/" target="_blank"&gt;Darren Aronofsky&lt;/a&gt; possui uma maneira rebuscada e narcisista de dirigir atestada em seu longa de sucesso que critica a sociedade de consumo, &lt;em&gt;Réquiem por um sonho&lt;/em&gt; (2000) e sua mais nova produção, &lt;em&gt;Fonte da vida&lt;/em&gt; (2006). Já &lt;a href="http://www.imdb.com/name/nm0001068/" target="_blank"&gt;Sofia Coppola&lt;/a&gt;, após atuação fracassada como atriz no clássico dirigido por seu pai, O Poderoso Chefão 3, filma &lt;em&gt;As Virgens Suicidas&lt;/em&gt; (1999) e ganha o Oscar de Melhor Roteiro Original pelo singelo &lt;em&gt;Encontros e desencontros&lt;/em&gt; (2003). Por fim, seu ex-marido, &lt;a href="http://www.imdb.com/name/nm0005066/" target="_blank"&gt;Spike Jonze&lt;/a&gt;, um dos maiores diretores de vídeos musicais da atualidade, filma &lt;em&gt;Quero ser John Malkovich&lt;/em&gt; e leva a Melhor Direção no Festival de Berlim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Cenário futuro&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Com carreiras consolidadas ou promissoras, fazendo TV ou vídeos musicais e com compromisso ocasional de filmar, Rizzo afirma que resta saber se deste mato sairá um pastor alemão ou um vira-lata. E alerta: diretores como Woody Allen, Brian de Palma e Scorsese foram saudados da mesma maneira e se tornaram ícones de Hollywood. O crítico também cita a perspectiva de perda de referências, ameaçada pela rapidez de consumo característica da modernidade. Por fim, deixa a pergunta no ar e conclui: ainda veremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;*publicado no Digestivo Cultural&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-116584866809566780?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/116584866809566780/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=116584866809566780' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/116584866809566780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/116584866809566780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/12/os-mavericks-e-o-cinema-americano.html' title='Os Mavericks e o Cinema Americano Contemporâneo'/><author><name>Tais Laporta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15012070315502777241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-116372010816611806</id><published>2006-11-16T19:27:00.000-04:00</published><updated>2006-11-16T19:35:08.190-04:00</updated><title type='text'>Guimarães Rosa no Museu da Língua Portuguesa</title><content type='html'>LITERATURA / ARTES PLÁSTICAS*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O mundo particular de &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=1372304&amp;sid=0155200578824531299540260&amp;amp;k5=E9DE9C&amp;uid=" target="_blank"&gt;&lt;em&gt;Grande Sertão: Veredas&lt;/em&gt;&lt;/a&gt; (1956), do mineiro João Guimarães Rosa (1908-1967), está exposto em uma sala árida de 480 metros quadrados. De portas abertas em São Paulo desde março de 2006, o Museu da Língua Portuguesa dedica todo seu primeiro andar a esse enigma em forma de livro. E mostra aos visitantes que a saga do jagunço Riobaldo não é impenetrável, dentro de uma proposta que funde linguagem e arte. O espaço caminha tão bem, que foi considerado o primeiro museu do mundo dedicado exclusivamente a um idioma. Agora, homenageia o primeiro escritor a reinventar a língua de um país. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Organizada pela curadora Bia Lessa, a exposição coincide com os 50 anos da morte do autor (leia as Colunas do &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=1892" target="_blank"&gt;Especial Guimarães Rosa&lt;/a&gt;). Logo na entrada, a atmosfera convida a sentir o clima do sertão: cores cruas e texturas ásperas no chão, nas paredes e nas janelas. Algo que lembra o som de um vasto campo ressoa nos fundos, quase imperceptível. Mas o que prevalece é o carnaval de letras espalhadas por todos os cantos. De perto, elas ganham sentido. “A linguagem e a vida são uma coisa só. Quem não fizer do idioma o espelho de sua personalidade, não vive”. São os esboços do escritor, dispostos com todo cuidado das formas mais criativas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A íntegra do manuscrito de &lt;em&gt;Grande Sertão&lt;/em&gt;, com correções feitas a mão pelo autor, desce do teto em cartazes ampliados. Os tijolos, os vidros e a terra vermelha, todos merecem uma inscrição grafada pelas palavras de Guimarães. No fundo de latões enferrujados, a narrativa dança debaixo d’água. O lixo caótico também abriga trechos do livro. Até os banheiros completam a mostra, com comentários em vídeo de Paulo Mendes da Rocha, Antonio Candido e Décio Pignatari. As 14 últimas páginas do livro são narradas pelo timbre de Maria Bethânia. É assim que a exposição tenta chamar a atenção do visitante para o universo longínquo e desconhecido do sertão. Dentro dele, um mundo ainda mais profundo: o da linguagem como nunca se viu. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nos rabiscos em caneta, nota-se a obstinação do autor por um vocabulário perfeito, que encaixasse a outros na medida exata, como em uma equação matemática. Apesar da profunda abstração da sua narrativa e da liberdade com que fundia palavras de diferentes classes gramaticais, não faltava lógica nessa ciência vocabular. Isso explica, talvez, porque os leitores de Guimarães parecem ter voltado de uma longa viagem. É como se desbravassem uma selva intocada, que só a obsessão máxima pela linguagem é capaz de permitir. Tanto que &lt;em&gt;Grande Sertão&lt;/em&gt; é considerada uma obra mais do que prima. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ou, então, um oceano de conhecimento. “Falo: português, alemão, francês, espanhol, italiano, esperanto, um pouco de russo; leio: sueco, holandês, latim e grego (mas com o dicionário agarrado); entendo alguns dialetos alemães; estudei a gramática: do húngaro, do árabe, da sânscrito, do lituano, do polonês, do tupi, do hebraico, do japonês, do checo, do finlandês, do dinamarquês; (...) E acho que estudar o espírito de outras línguas ajuda muito à compreensão do idioma nacional. Principalmente (...) estudando-se por divertimento, gosto e distração.” Palavras do autor, em uma entrevista concedida a uma prima. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Embora muitos duvidem que alguém possa ter tanta memória no “HD”, as anotações originais do escritor confirmam tal capacidade. Em uma delas, ele coloca em ordem alfabética todas palavras que lembra da língua japonesa. E a lista não é pequena. Guimarães brincava de inventar linguagens com vocábulos estrangeiros e era capaz de passar dias “construindo” o melhor título. A narrativa também era desenhada, geometricamente, em função do tempo, do espaço e dos personagens.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dessa engenharia literária, nasceram, entre outros, os livros &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=11001257&amp;sid=0155200578824531299540260&amp;amp;k5=E9DE9C&amp;uid=" target="_blank"&gt;&lt;em&gt;Saragana&lt;/em&gt;&lt;/a&gt; (1946) e &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=1201019&amp;amp;sid=0155200578824531299540260&amp;k5=E9DE9C&amp;amp;uid=" target="_blank"&gt;&lt;em&gt;Primeiras Estórias&lt;/em&gt;&lt;/a&gt; (1962). Este último é o mais indicado para iniciantes – consagrado como o terror do vestibular – com narrativas mais curtas (contos), mas não menos densas. As temáticas escolhidas para "A Terceira Margem do Rio", "A Benfazeja" e "O Cavalo que Bebia Cerveja" beiram o absurdo e, por isso, alcançam o patamar do realismo mágico, um gênero que conquistou a simpatia do público a partir dos anos 50. Mesma época, aliás, em que os latinos despontavam com clássicos que marcariam as gerações futuras. A começar pelo argentino Jorge Luis Borges, com o psicodélico &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=3060563&amp;sid=0155200578824531299540260&amp;amp;k5=1CDEDE47&amp;uid=" target="_blank"&gt;&lt;em&gt;Ficções&lt;/em&gt;&lt;/a&gt; e pelo colombiano Gabriel Garcia Márquez, que levou o Nobel de literatura pelo monumental &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=53042&amp;amp;sid=0155200578824531299540260&amp;k5=11DD9DD9&amp;amp;uid=" target="_blank"&gt;&lt;em&gt;Cem anos de solidão&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;, em 1982. Entre outros, &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=1769589&amp;sid=0155200578824531299540260&amp;amp;k5=3584CF3E&amp;uid=" target="_blank"&gt;Mario Vargas Llosa&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.juliocortazar.com.ar/" target="_blank"&gt;Julio Cortázar&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=1795013&amp;amp;sid=0155200578824531299540260&amp;k5=374FF397&amp;amp;uid=" target="_blank"&gt;Carlos Fuentes&lt;/a&gt; também se destacaram. Assim como Guimarães, todos narraram a fronteira entre o fantástico e o real. Mas nosso brasileiro só não alcançou as massas e a popularidade internacional por razões muito particulares. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Primeiro, escrevia com um regionalismo tão peculiar ao sertão, que muitos o consideraram um estrangeiro em seu próprio país. Até hoje, fazer uma tradução de Guimarães para outras línguas é um desafio inacabado. Depois, não que sua escrita seja rebuscada, mas os poucos que encaram livremente o autor, em regra, possuem alguma erudição. Guimarães não é difícil. Simples e sofisticado seja talvez a melhor definição. Por incrível que soe, sua leitura exige mais desprendimento do que inteligência e mais interesse do que preparo. Especialistas diriam que decifrá-la é permitir que palavras novas invadam o inconsciente. Ou ainda, esquecer o certo e o errado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assim, num instante, o estranho fica familiar. “Foi de certa feita – o evento. Quem pode esperar coisa tão sem pés nem cabeça? Eu estava em casa, o arraial sendo de todo tranqüilo. Parou-me à porta o tropel”, diz "Famigerado", um dos contos mais sarcásticos do autor. Para os já leitores e os que pretendem ser, a mostra temporária no Museu da Língua Portuguesa é um belo convite ao intelecto. Também pega de surpresa os que nem sonhavam em entrar nesse mundo. Isso porque mistura, num ato inovador, literatura com artes plásticas. Se não incentiva a ler o livro, pelo menos introduz o visitante a um universo desconhecido. E não menos fascinante. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Para ir além&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Exposição temporária: Grande Sertão Veredas&lt;br /&gt;Museu da Língua Portuguesa&lt;br /&gt;Estação da Luz – Praça da Luz, s/nº&lt;br /&gt;De terça a domingo, das 10h às 18h&lt;br /&gt;R$ 4,00 e R$ 2,00 (meia-entrada)&lt;br /&gt;Grátis aos sábados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Publicado originalmente no &lt;em&gt;DigestivoCultural.com&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-116372010816611806?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/116372010816611806/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=116372010816611806' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/116372010816611806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/116372010816611806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/11/guimares-rosa-no-museu-da-lngua.html' title='Guimarães Rosa no Museu da Língua Portuguesa'/><author><name>Tais Laporta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15012070315502777241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-116312411811725969</id><published>2006-11-09T21:57:00.000-04:00</published><updated>2006-11-10T08:11:29.980-04:00</updated><title type='text'>O Diário de Genet</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;LITERATURA*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/376721.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/376721.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;"A menos que surja, de tamanha gravidade, um acontecimento que, frente a ele, a minha arte literária seja imbecil e que me seja preciso para domar essa nova infelicidade uma nova linguagem, este livro é o último. Estou à espera de que o céu despenque na minha cuca".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim que Jean Genet se sentiu diante de &lt;i&gt;Diário de um Ladrão&lt;/i&gt; (Nova Fronteira, 2005, 224 págs.). Não é por menos, já que o livro é uma autobiografia com traços de ficção no qual faz desabafos sobre a vida pobre, mas repleta de amores e roubos de sua juventude. Este sentimento se concretizou, pois a obra, recentemente reeditada pela editora Nova Fronteira com prefácio de Ruth Escobar, é o último de seus cinco romances. Além de &lt;i&gt;Nossa Senhora das Flores&lt;/i&gt; (1944), &lt;i&gt;The Miracle of the rose&lt;/i&gt; (46), &lt;i&gt;Querelle de Brest&lt;/i&gt; (47) e &lt;i&gt;Funeral Rites&lt;/i&gt; (49), o escritor francês ainda produziu peças teatrais e diversos poemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Genet deixa claro que escreve para construir sua lenda, mas ela é uma idéia audaciosa, não apenas decorativa, de sua vida futura e, &lt;i&gt;Diário de um Ladrão&lt;/i&gt;, uma obra incompleta, pois um grande número de seus capítulos se perdeu e os conservados não seguem qualquer ordem. A linguagem sem rodeios, pontuada por pensamentos da ocasião em que o relato está sendo feito, dão tom confessional à narrativa. Ela é guiada pelo fluxo do pensamento, que a torna fiel ao título de diário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morto em Paris em 1986, vítima de câncer na garganta, Jean Genet não apresentaria sua obra ao mundo não fosse Jean Cocteau, Jean-Paul Sartre e Pablo Picasso, intelectuais renomados que o livraram da ameaça da pena de morte dada pelo governo francês após dez condenações. Filho de uma jovem prostituta, após um ano de vida foi adotado e tirava boas notas na escola. Mesmo assim, praticava pequenos roubos, o que o fez ser preso ainda jovem e se tornar um delinqüente a partir de então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrito em 1949, o livro tem como ponto inicial sua entrada no exército após a passagem pela prisão para jovens. Expulso do serviço militar por ser pego em flagrante praticando atos homossexuais, Genet passa um grande período viajando pela Europa como vagabundo, levando uma vida de crimes e paixões. De maneira intensa, ele descreve experiências por vezes grotescas e imorais, sempre com um tom irônico e cético de um bom observador do submundo de sua época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que em alguns trechos é uma leitura que perde por sua fragmentaridade, em outros ganha por momentos de puro lirismo, nos quais o autor expressa pensamentos amadurecidos que refletem sobre aquele período de sua vida e consegue expressá-los em belas palavras e imagens próprias de sua poesia. Ele os resume bem no seguinte trecho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A traição, o roubo e a homossexualidade são os assuntos essenciais deste livro. Uma relação existe entre eles, se não sempre aparente, pelo menos penso reconhecer uma espécie de troca vascular entre o meu gosto pela traição, o roubo e meus amores".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pobreza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Os pobres são grotescos. O que eles faziam não passava de um reflexo deformado de aventuras sublimes que prosseguiam talvez em ricas mansões, com seres dignos de serem vistos e ouvidos (...) A sua linguagem conservava a contenção dos clássicos. Sabendo-se sombras ou reflexos, deformados e infelizes, eles trabalhavam devotadamente para possuir a discrição infeliz dos gestos e dos sentimentos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brigas, convivência forçada e relacionamentos precários em um mundo de miséria são pouco a pouco descortinados por Genet. A cena em que descreve o que lhe provoca a imagem de turistas tirando fotos de seu grupo de mendigos choca. O distanciamento que tem deste mundo pode parecer o de alguém que agora está em outro patamar social, mas este comportamento, complementado por idéias de grandeza, é o de alguém que freqüentou escolas e não teve uma infância miserável. Genet é ambicioso, apesar de por vezes desesperançado. E foi exatamente essa personalidade que permitiu com que pudesse descrever tão bem o que viu com outros olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os amores&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Cada um dos meus amantes suscita um romance negro. São a elaboração, pois, de um cerimonial erótico, de uma cópula às vezes muito longa, essas aventuras noturnas e perigosas onde me deixo arrastar por sombrios heróis".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espinha dorsal da literatura de Genet, os relacionamentos amorosos são intensos e repletos de traições, possuindo o corpo como tema central. Para melhor expressá-los, descreve relações sexuais sórdidas e prostituição com prazer. O autor pode amar perdidamente malandros e, ao mesmo tempo, repeli-los. Genet se sente traído de diversas formas, é ora submisso e ora dominante e tem atração pela polícia, criando imagens inusitadas entre dois seres, por natureza, opostos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O roubo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A atividade do ladrão é uma sucessão de gestos acanhados mas ardentes. Vindo de um interior calcinado, cada gesto é doloroso, lamentável. É só após o roubo, e graças à literatura, que o ladrão conta o seu gesto. O seu êxito canta em seu corpo um hino que a boca repetirá. O seu fracasso encanta a sua angústia".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Genet encara o roubo como mais um de seus vícios. Para ele, roubar seus Clientes ao se prostituir não é imoral, mas até justo, pois são seres humanos sujos. Essa imoralidade apenas reflete a crise de um continente na década de 30, com o avanço do nazismo e a grande depressão. Alguns amigos ladrões que Genet encontra servem até mesmo de espiões entre países. Um clima de tensão envolve a desesperança retratada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Literatura marginal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para alguns, a literatura de Genet pode ser considerada marginal e resvalar em retratos pitorescos do submundo. Mas o fato é que ela comove mundialmente não somente excluídos, mas sua poesia o tornou um dos mais renomados escritores franceses contemporâneos, ainda que esse título esteja envolto em polêmica. Talvez as chaves para entendê-la, além de sua própria obra, estão na biografia feita pelo escritor americano Edmund White, &lt;i&gt;Genet - Uma biografia&lt;/i&gt; , e no ensaio de Jean-Paul Sartre, &lt;i&gt;Saint Génet: ator e mártir&lt;/i&gt;, que fez com que Genet não escrevesse por cinco anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marília Almeida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;*publicado no Digestivo Cultural&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-116312411811725969?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/116312411811725969/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=116312411811725969' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/116312411811725969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/116312411811725969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/11/o-dirio-de-genet.html' title='O Diário de Genet'/><author><name>Marília Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02526254334606663899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://tipos.com.br/media/7/20030417-ava%20gardner%207.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-116216014013682590</id><published>2006-10-29T18:14:00.000-04:00</published><updated>2006-11-08T21:54:10.476-04:00</updated><title type='text'>O apanhador sem sonhos</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/apanhador.1.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/apanhador.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;LITERATURA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um clássico literário pressupõe grandes revoluções na escrita, assim como temas graves. Mas corajoso e também digno do título é o clássico que se firma com simplicidade e retrata, a partir de um pequeno tema, uma geração de seu país. O clássico em questão é o único romance de seu autor e poderoso instrumento para sua reclusão, o que o torna mais destacado e precioso: &lt;i&gt;O Apanhador no Campo do Centeio&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu protagonista, o jovem Holden Caufield, é um adolescente proveniente de uma família de classe média que será expulso de um renomado colégio da Pensilvânia, pois não tem ânimo algum para os estudos, apesar de ser um garoto com potencial, conforme declara seu professor de história, uma das poucas pessoas a quem Holden dá um voto de fé, o que não significa muita coisa vindo do protagonista. Ele passa por um esgotamento mental crescente no qual quaisquer atos que inspirem hipocrisia e falsidade é razão para brigas e rupturas, muitas vezes traumatizantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro é o seu relato, narrado em 1º pessoa, produzido em um centro de recuperação, onde se encontra após ter atingido o ápice deste estado emocional. O que é contado logo no início do livro não tira seu suspense: ao longo de toda a história não sabemos do que Holden é capaz para chegar à internação. Ele está amorfo, ausente de sentimentos positivos e declara linha por linha sua visão cética e irônica do mundo, mas, ao mesmo tempo, idealizadora e inocente, expressa por uma linguagem simples e até mesmo repleta de gírias de um adolescente comum, o que fez com que o livro fosse censurado em diversos locais do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda a história gira em torno da fuga de responsabilidades de seu protagonista. Ele não quer chegar em casa para comunicar sua expulsão e a partir deste ato conhece um novo mundo, mais assustador e falso do que o vislumbrado entre as paredes do colégio. Holden é sincero e, pode-se dizer, puro, o que, irremediavelmente vai fazer com que ser engolido pela humanidade seja inevitável. As únicas pessoas que lhe parecem ter valor indefinido é seu irmão escritor, a quem realmente admira, e sua irmã mais nova, chave para o entendimento do título e da personalidade do protagonista. Não há motivos bem delineados para seu comportamento: apenas uma difusa desilusão com o mundo, o que faz com que o livro, por sua descrição primorosa e realista, seja também um retrato fiel da depressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua história vislumbra algumas referências bibliográficas de seu autor, J.D Salinger, que já foi considerado por um professor “o pior aluno de inglês da história do colégio”, também estudava em um colégio na Pensilvânia, teve um professor universitário que também enxergava seu discreto talento, origem proveniente da mesma classe social que Holden e seu comportamento arredio e admiração por crianças também se assemelha muito ao de seu célebre personagem. Esta teoria acompanha muitas obras de Salinger, que também foram influenciadas por suas experiências na Segunda Guerra Mundial, onde foi hospitalizado por stress, e seus relacionamentos amorosos problemáticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado em 1951, quando o escritor norte-americano, adorador de Kafka, Dostoiévsky e Tchecov, tinha 31 anos de idade, seu sucesso assustou o autor e fez com que se mudasse de Nova York para Cornish, cidade interiorana. Depois dele, Salinger apenas publicou histórias curtas, a mais popular &lt;i&gt;A Perfect Day for Bananafish&lt;/i&gt;, publicada pela New Yorker em 1949. Aliás, se tornou um dos seus mais ilustres colaboradores da renomada revista em uma época onde adotava escritores de talento como Joseph Mitchell. Todos seus outros livros publicados são compilações destas histórias: &lt;i&gt;Nine Stories&lt;/i&gt; (53). &lt;i&gt;Franny and Zooey&lt;/i&gt; (61), &lt;i&gt;Raise High the Roof-Beam, Carpenters&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Seymour: A Introduction&lt;/i&gt; (63). Seu último trabalho, o romance &lt;i&gt;Hapworth 16,1924&lt;/i&gt;, nunca foi publicado. A personalidade de Salinger, avessa à publicidade e celebridade, continua um mistério: ele não dá entrevistas desde 1974 e não fez nenhuma aparição pública nem publicou qualquer trabalho desde 1965.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A perenidade de uma obra também a define como clássico. Até hoje, &lt;i&gt;O Apanhador no Campo de Centeio&lt;/i&gt; vende cerca de 250 mil cópias por ano nos Estados Unidos e faz parte até mesmo de listas de livros obrigatórios em colégios do país. Em tempos onde jovens matam seus colegas de classe, professores e pais, Holden não parece um personagem despropositado. Enquanto se viver em um mundo que não compreende suas mais novas gerações, não é exagero dizer que ele poderá ser eterno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marília Almeida&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-116216014013682590?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/116216014013682590/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=116216014013682590' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/116216014013682590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/116216014013682590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/10/o-apanhador-sem-sonhos.html' title='O apanhador sem sonhos'/><author><name>Marília Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02526254334606663899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://tipos.com.br/media/7/20030417-ava%20gardner%207.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-116120696642306995</id><published>2006-10-18T17:16:00.000-04:00</published><updated>2006-10-18T17:40:51.360-04:00</updated><title type='text'>Sonoridade imortal de Mozart</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;MÚSICA*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 369px; CURSOR: hand; HEIGHT: 283px; TEXT-ALIGN: center" height="272" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/ZKO%2072dpi.jpg" width="342" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Há pouco mais de 250 anos, nascia na Áustria um gênio absoluto da música clássica. Para comemorar um aniversário tão célebre, teatros do mundo todo apresentam, este ano, fragmentos da vasta obra de Mozart. No último dia 03 de outubro, foi a vez da Orquestra de Câmara de Zurique aportar em São Paulo para um espetáculo singular com três concertos do mestre para piano. Com o renomado pianista Rudolf Buchbinder – conterrâneo do criador de A Flauta Mágica –, o conjunto participa da série de apresentações promovida pelo Mozarteum Brasileiro, que Marília Almeida definiu na matéria &lt;a target="_blank" href="http://www.digestivocultural.com/blog/default.asp?codigo=984"&gt;Mozarteum 2006 para iniciantes&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por ele, os palcos receberam 11.388 artistas estrangeiros e 2.638 nacionais. Cerca de um milhão e seiscentos mil espectadores já assistiram aos espetáculos, gratuitos e pagos. Os altos números não anulam, porém, a qualidade das apresentações. Na noite fria que exaltou Mozart na Sala São Paulo, o repertório selecionado corresponde a uma das mais perfeitas realizações da música sinfônica do século XVIII. A história musical ficou grafada, para sempre, depois que o compositor levou a público seus concertos para piano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale explicar em que consiste este gênero: é composto por três movimentos (rápido-lento-rápido) executados por um instrumento solista – no caso, o piano – e uma orquestra, que acompanha o conjunto sonoro, em oposição e alternância. O solo é o mais criativo, enquanto que a orquestração faz o contraponto com trompetes e tímpanos. Mas a explicação pouco importa quando se está diante de uma obra com tal magnitude: basta ouvir, que o culto e o leigo entendem a mesma linguagem universal.&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/Buchbinder%207.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/Buchbinder%207.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Isso se confirmou logo que Buchbinder sentou ao piano para iniciar o Concerto para Piano nº 9 em Mi Bemol Maior. A criação representa um divisor de águas na carreira do compositor, por ser o primeiro grande concerto em estilo clássico maduro. Parecido com um personagem de ópera, o piano ocupa todo o primeiro movimento com um acento dramático. Ao seu lado, a Orquestra de Zurique trouxe 23 músicos com instrumentos de corda e sopro. No primeiro grupo, violinos, violas, violoncelos e contrabaixos. No segundo, flauta, oboés, clarinetes, fagotes, trompas, tímpanos e trompetes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o Concerto para Piano nº 23 em Lá Maior, saíram os instrumentos mais agressivos – metais e tímpano – para dar o efeito que Mozart queria. Na obra, não se nota aquelas explosões orquestrais, nem contrastes violentos. Apresentado ao público em 1786, período do grande auge criativo do compositor (que atingiu a marca de 12 concertos em apenas dois anos), a obra prevalece com um caráter contemplativo e idealista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no último momento da noite, o Concerto para Piano nº 21 em Dó Maior trouxe três movimentos com um clima mais emotivo, tomado por intensa melancolia, uma das facetas da forte personalidade de Mozart. A obra provoca inquietude, e aí mora sua beleza. Notas longas ao piano ilustram o fundo musical, enquanto que as cordas da orquestra geram sentimentos ambíguos. Alguns estudiosos interpretam a sensação provocada pelo concerto como uma contraposição proposital entre a serenidade da corte clássica e os prenúncios do romantismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/Buchbinder%205.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Talento ao piano –&lt;/strong&gt; Traduzir tão bem o espírito criativo de Mozart é privilégio para poucos. Nesse sentido, o pianista austríaco demonstrou, na Sala São Paulo, que a técnica pouco importa se não houver amor à arte. Como lembra a presidente do Mozarteum, a condessa italiana Sabine Lovatelli, Buchbinder é um artista plural. "Figura superlativa e de muitas facetas, ele caminha pela literatura e pelas artes plásticas com a mesma emoção que libera em seu raro toque ao piano". Não à toa, o músico foi considerado pelo jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung como "um dos mais importantes e competentes especialistas em Beethoven" pela gravação completa das sonatas do compositor, o mais popular da música erudita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, sua biografia revela feitos notáveis. Entre eles, o de ter gravado mais de cem discos em toda sua carreira, prova de que possui um repertório impressionante. Da vasta produção, uma mereceu destaque especial: venceu o Grand Prix du Disque pela gravação de toda obra para piano de Joseph Haydn. Mas difícil mesmo é acreditar que um profissional com tanto tempo dedicado à música ainda consiga arrumar espaço para um passatempo artístico: o de pintor amador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Caminhos inovadores –&lt;/strong&gt; A Orquestra de Câmara de Zurique também chama a atenção por sua notoriedade. Fundada em 1946 por Edmund de Stoutz, em pouco tempo já fazia parte da elite internacional das orquestras de câmara. Ao passar para as mãos do diretor artístico Howard Griffiths, em 1996, o conjunto assumiu uma faceta inovadora, que atraiu um público ímpar pela atualidade e diversidade. Falamos da juventude, a faixa mais dispersa em relação à música erudita em todo o mundo. A orquestra ampliou esse leque ao aceitar a colaboração de musicistas nas mais diversas áreas (jazz, composições de canções, música cigana, popular e de cinema).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um parêntese sobre Mozart –&lt;/strong&gt; Quem quer mergulhar no universo do gênio compositor, pode começar por um caminho acessível. No &lt;a target="_blank" href="http://www.youtube.com/"&gt;YouTube&lt;/a&gt; há uma série de vídeos com interpretações profissionais e amadoras de Mozart. Ou seja, desde a orquestra internacional até o tecladista iniciante, na casa dele. Também há diversas montagens e paródias – algumas ótimas, outras bem ruins. Por isso, não estranhe se encontrar sonoridades desagradáveis. Para iniciar com uma obra tocante, uma opção segura é ouvir o &lt;a target="_blank" href="http://www.youtube.com/watch?v=TL9o7HJoP8k&amp;mode=related&amp;amp;search="&gt;Concerto nº 23&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a graça mesmo é se aventurar sozinho, já que não falta diversidade. Se preferir, há bons livros e sites com a biografia do mestre. Se quiser focar na música sem doer no bolso, o site &lt;a target="_blank" href="http://www.accuradio.com/"&gt;Accuradio&lt;/a&gt; permite ouvir algumas pérolas dele. Basta clicar em "classical", localizar a gravura de Mozart e conferir o resultado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Taís Laporta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Publicado no &lt;em&gt;DigestivoCultural.com&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-116120696642306995?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/116120696642306995/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=116120696642306995' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/116120696642306995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/116120696642306995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/10/sonoridade-imortal-de-mozart.html' title='Sonoridade imortal de Mozart'/><author><name>Tais Laporta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15012070315502777241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-116007118165774965</id><published>2006-10-05T13:56:00.000-04:00</published><updated>2006-10-06T16:49:27.646-04:00</updated><title type='text'>Nasi in blues*</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://img523.imageshack.us/img523/1505/nasi3gh3.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://img232.imageshack.us/img232/7992/nasi4rd3.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px; CURSOR: hand" height="177" alt="" src="http://img232.imageshack.us/img232/7992/nasi4rd3.jpg" width="184" border="0px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Quem conhece o vocalista do Ira! da época em que era fã do The Clash, fazia shows alternativos e compunha letras rebeldes e, digamos, "cruas", estranharia à primeira vista seu terno engomado e visual 'Wolverine Valadão' utilizado em um programa da MTV, no Bourbon Street Club, tradicional casa paulista de blues e jazz localizada em um bairro nobre da cidade. É fácil reconhecer a tradição da casa nos diversos quadros autografados por nomes conhecidos de ambos os ritmos e ao visualizarmos o tesouro da casa repousando em uma redoma de acrílico: a guitarra Lucille autografada pelo dono, B.B King.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é justamente esta a proposta do Credicard Vozes. Encaixado no conjunto de músicos nacionais que interpretam músicas em estilos ou formatos diferentes dos que os consagraram, Nasi e blues não parecem uma combinação tão inusitada. O projeto começou em 2004 com um show da cantora baiana Daniela Mercury que tinha no repertório clássicos de Chico Buarque e Tom Jobim com arranjos jazzísticos. Em 2005, Sandy apresentou jazz e bossas e neste ano Alcione já interpretou clássicos de Billie Holiday e Toni Garrido ganhou pegada rock em músicas próprias. Todos provaram sua versatilidade e isto não foi diferente com Nasi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Produzido pelo Bourbon Street e a Credicard, o Credicard Vozes privilegia o artista cantando músicas que gosta de cantar informalmente, lançando um ou outro trabalho que siga esta linha alternativa. No caso de Nasi, que já havia lançado três CDs do ritmo com os Irmãos do Blues (&lt;em&gt;Uma noite com Nasi e os Irmão do Blues&lt;/em&gt; – 1994, &lt;em&gt;Os Brutos também amam&lt;/em&gt; – 1996 e O&lt;em&gt; Rei da Cocada Preta&lt;/em&gt; – 2000), um projeto solo, &lt;em&gt;Onde os anjos não ousam pisar&lt;/em&gt;, lançado neste ano e que agrega hip hop, pontos de umbanda e toques latinos ao blues e rock.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O Show&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um disco de Muddy Waters na adolescência que tornou o blues uma grande paixão de Marcos Rodolfo Valadão, o Nasi. Com participações do trombonista Bocato e do gaitista Sergio Duarte, seu repertório contempla desde o blues clássico do delta do Mississipi ao branco inglês, passando por composições próprias e versões em português para &lt;em&gt;standards&lt;/em&gt; do gênero. O experiente saxofonista Hugo Hori assume o backing vocal e o virtuosismo dos tecladistas Adriano Grineberg e Johnny Boy contagia o ambiente descontraído diante do vocalista desbocado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as músicas tocadas, são destaques clássicos como &lt;em&gt;Hoochie Coochie Man&lt;/em&gt;, que contou com a performance impagável de Nasi como cachorro conversando com o som da gaita de Sergio; o &lt;em&gt;Blues do Assovio&lt;/em&gt;, versão de &lt;em&gt;Mardi Gras de New Orleans&lt;/em&gt; feita pelo pianista Professor Longhair; &lt;em&gt;I put a spell on you&lt;/em&gt;, música de Screamin´ Jay Hawkins que já foi regravada pelo Creedence e homenagem de Nasi ao bluseiro que tanto admira, além de músicas próprias como &lt;em&gt;Poeira nos olhos&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Acredito no amor&lt;/em&gt;, cujas letras mantêm o espírito do Ira!. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;*publicada no Digestivo Cultural&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Marília Almeida&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-116007118165774965?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/116007118165774965/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=116007118165774965' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/116007118165774965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/116007118165774965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/10/nasi-in-blues.html' title='Nasi in blues*'/><author><name>Marília Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02526254334606663899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://tipos.com.br/media/7/20030417-ava%20gardner%207.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-115881126680114199</id><published>2006-09-20T23:57:00.001-04:00</published><updated>2006-10-10T21:55:46.760-04:00</updated><title type='text'>Estamira: a salvação no lixo</title><content type='html'>CINEMA* &lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/903_photos_194738.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/903_photos_194738.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A protagonista do documentário mais visto deste ano choca, surpreende e encanta. Sua história e personalidade são únicas e, ao mesmo tempo, contém reflexos e traços de milhões. Filósofa, mulher, guerreira, louca, lúcida e feiticeira, Estamira é várias mulheres em uma. O segredo da admiração que a história de uma catadora de lixo de 65 anos com supletivo incompleto pode provocar está em um documentário bem produzido, fruto de esforço contínuo, excelente fotografia e o discurso lúcido, místico, quase psicanalítico, de sua personagem principal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Citando suas próprias palavras, Estamira não é comum. Sua missão é falar a verdade, apesar de hoje em dia só errar quem quer. Seu prazer é ajudar e querer bem seus filhos, amigos e netos. Não suporta erros, judiação, perversidade e humilhação. Nunca teve muita sorte: a única foi ter encontrado o trabalho no lixo. Apesar destas características poderem bem delinear uma pessoa sã, ela foi diagnosticada com quadro psicótico e portadora de alucinações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Estamira não é uma personagem rasa nem pode ser simplesmente tachada pela psicanálise. Seu discurso, por vezes, ultrapassa a simples loucura e transborda filosofia e lucidez em insights geniais como “lixo é resto e descuido”, “tudo é abstrato, até Estamira”, “existe o além e o além do além que o homem não conhece”, “na escola não se aprende e, sim, se copia” e “tudo que é imaginado existe, é e tem”. Ela também cria e cita abundantemente entidades misteriosas como o “esperto ao contrário”, o “trocadilo” ou “a que revela o homem como único condicional”. Elas são complementadas por um discurso anti-Deus e lembra os malogrados e vingativos-astutos que Nietzsche afirmava regerem a humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segredo deste comportamento brilhante pontuado por acessos de raiva, revolta e extrema fluência parece residir em traumas da sua vida, que vão sendo pouco a pouco delineados pelo filme. O diretor optou por não colocar depoimento de cientistas e psiquiatras. O discurso de Estamira, pontuado por seus três filhos e amigos do lixão, segue uma ordem cronológica, com seqüências interligadas que apresenta progressivamente a realidade nua e crua de sua protagonista, sem meias palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um debate com o diretor Marcos Prado, promovido pela Casa do Saber Jardins, descobri que a idéia do documentário foi permeada de acasos. Seu objetivo inicial era mostrar a transformação do lixão de Jardim Gramacho, localizado no município de Duque de Caxias - RJ, em um aterro sanitário. Com uma área de mais de 1.200m2, ele concentra 85% do lixo produzido na cidade do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este processo duraria dez anos e começou em 1993. Foi apenas no sétimo ano que Marcos encontrou Estamira, ao perceber que não havia se aproximado daqueles trabalhadores que somavam dois mil. Inicialmente, pediu àquela senhora de estatura baixa, pele morena e rosto marcado pela idade e trabalho, se poderia fazer seu retrato. Em meio a tantas recusas de outros trabalhadores, Marcos encontrou receptividade e uma vontade de se expressar incomum. Daí para a idéia do filme foi um passo. Foram quatro anos de filmagens e a história do aterro, que acabou servindo apenas como seu pano de fundo, virou livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcos possui uma produtora e já tinha feito um documentário sobre o trabalho dos carvoeiros e co-produzido o já clássico &lt;i&gt;Ônibus 174&lt;/i&gt; com José Padilha. Acompanhado por uma equipe pequena composta apenas por um câmera, assistente de produção e som, em turnos de 12 horas enfrentou o mau-cheiro do lixão e aprendeu a lidar com traficantes e a prostituição da favela que rodeia o local. Com um gosto especial para temas áridos, seu próximo trabalho irá retratar o cotidiano da tropa de elite carioca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é difícil saber que o diretor, além de documentarista, é também fotógrafo profissional. A fotografia do filme é seu ponto forte, juntamente com o toque especial de sua trilha sonora, que lhe proporciona momentos de poesia em meio à paisagem aterradora do lixão como a briga de dois cachorros por uma boneca ou a dança cronometrada dos urubus, devidamente valorizadas pela opção do filme manual preto-e-branco em contraposição ao colorido digital do resto do documentário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que poderia ser simplificadamente tachado como estética da pobreza é apenas instrumento para um fundo místico que combina com o discurso da protagonista. Uma cena belíssima mostra Estamira entrando no mar no começo de uma tempestade. Pequena em frente a grandes ondas formadas, ela chama por suas filhas marítimas e parece guiar misteriosamente os poderes da natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lixão onde Estamira trabalha, já transformado em aterro, está para ser transferido, pois já atingiu sua capacidade máxima. De acordo com Marcos, há a possibilidade dos novos não permitirem catadores, o que acarretará na perda de 15 mil empregos indiretos e 2 mil diretos. Autônomos, os catadores de lixo chegam a faturar R$1.100 por mês. São condições desumanas e insalubres de trabalho, onde se inala constantemente gás metano, que faz com que não haja vida rastejante no ambiente. No lixão, uma doença também pode se alastrar rapidamente e provocar a morte de até cem pessoas. Apesar disso, quase ninguém quer sair de lá, pois têm uma vida mais digna do que fora dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O documentário já ganhou 25 prêmios nacionais e internacionais, entre eles Melhor Documentário pelo Júri Oficial do Festival do Rio de 2004 e da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo do mesmo ano, além de festivais de Londres, Miami e Viena, entre outros. O diretor é sincero ao demonstrar como este gênero ainda não é deglutido pelo público do cinema, apesar da marca de 22 mil pessoas nos cinemas de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, além de grandes patrocínios como Vivo e o apoio de leis de incentivo, já poderem ser considerados uma vitória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após recusar a internação, Estamira vive hoje à base de medicamentos tarja preta e um tratamento acompanhado mês a mês. Seu discurso pode ter se apagado pelas altas dosagens químicas, mas faço minhas suas palavras e concluo: ninguém irá mudar seu ser. Estamira é a beira do mundo, a visão de cada um e ninguém pode viver sem ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marília Almeida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;*publicado no Digestivo Cultural&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-115881126680114199?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/115881126680114199/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=115881126680114199' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/115881126680114199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/115881126680114199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/09/estamira-salvao-no-lixo_20.html' title='Estamira: a salvação no lixo'/><author><name>Marília Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02526254334606663899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://tipos.com.br/media/7/20030417-ava%20gardner%207.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-115820123362580933</id><published>2006-09-13T22:30:00.000-04:00</published><updated>2006-10-10T22:26:17.726-04:00</updated><title type='text'>FLIP X FLAP</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;LITERATURA* &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Grandes questões internacionais e memória de um lado. Questões regionais e crise da literatura contemporânea em outro. Muitas contradições em ambas. Foram estes os principais temas que encarei ao participar da &lt;br /&gt;FLIP – Feira Internacional Literária de Paraty, e da FLAP – sigla que não tem sentido algum e pode soar como uma bofetada (na FLIP, logicamente). Apesar da FLAP ser muito nova, criada em julho do ano passado, e ainda não possuir a visibilidade e quantidade de participantes da FLIP, que está em sua quarta edição, juntamente com o festival paratiense pode ser considerada um festival literário relevante pela quantidade e diversidade de autores que reúne e a divulgação que conseguem fazer, cada um a seu modo, do segmento. Mas, afinal, o que ambos têm a oferecer? Esta briga tem sentido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De outras áreas que envolvem o macrocosmo da cultura, a literatura parece ser o tema mais árido. Mesmo que todas as artes padeçam de falta de incentivos, mercado saturado e crise contemporânea de falta de bons autores frente a um mercado globalizado, isso talvez se intensifique na literatura por suas facetas editoriais diversificadas (só a questão do que é literatura já levanta um grande e polêmico debate), nas raízes da educação no país (aonde quase todas as artes vêm primeiro do que a literatura em termos de popularidade) ou mesmo em um certo ‘estrelismo’ que envolve o mercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este estrelismo é veemente em ambos os eventos. Na mesa &lt;em&gt;Periferias?,&lt;/em&gt; uma das mais polêmicas da versão paulista da FLAP, realizada no alternativo Espaço Satyros, localizado na Praça Roosevelt, o poeta Allan de Rosa caiu em contradição ao dizer que a literatura não precisa de glamour, mas "tem brilho". Já na FLIP o estrelismo residia mais no clima do evento do que propriamente em suas mesas de debate. É um evento caro, sem dúvidas, mas, mais do que isso, cria em torno dos autores a aura de intangíveis - quem pode pagar mais os vê de perto. Muito disso é também reflexo da crescente popularidade do festival. Hoje, é &lt;em&gt;cool&lt;/em&gt; participar da FLIP. Afinal, atores globais o fazem, além de madames em férias, estrangeiros e universitários capazes de dizer que querem comprar um óculos igual ao da menina ao lado porque a faz "parecer inteligente".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, com relação ao conteúdo e autores, ambos são válidos. Há, logicamente, uma disritmia, mas que não consegue prejudicá-los. Afinal, não é toda hora que podemos assistir a palestras de autores internacionais ou reunirmos, em uma única mesa, atores periféricos. A FLAP se sobrepõe em sua preocupação de discutir o mercado literário, em mesas como &lt;em&gt;Gestão de Políticas Culturais&lt;/em&gt;, com a participação da vereadora paulista Soninha Francine. É muito bom saber que há movimentos e manifestos em andamento que visam criar um fundo para a criação literária, como exemplificado pelo escritor Ademir Assunção. Mas por outro lado, é extremamente desanimador o quadro dado por Soninha: da demora de aprovação de projetos e panelinhas constantemente beneficiadas. Algo um tanto quanto pisado e repisado. Imutável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foco principal da FLAP, que este ano o mudou um pouco para a literatura marginal (talvez porque muitos atores contemporâneos migraram para Paraty, como o próprio fundador da FLAP, Marcelino Freire, apesar de ter participado da FLAP-RJ), a FLIP não esqueceu de expor a literatura contemporânea. Uma das mesas que talvez melhor o fez foi &lt;em&gt;Do Amor e Outros Demônios&lt;/em&gt;, composta por André Sant´anna, Lourenço Mutarelli e Reinaldo Moraes. Houve um bate-papo descontraído e bastante revelador dos três autores, com leveza que o próprio tema pedia. André leu trecho de seu terceiro livro, o elogiado romance &lt;em&gt;O Paraíso é Bem Bacana&lt;/em&gt;, que tem como temática o terrorismo com uma visão bem-humorada. Lourenço estreou nos quadrinhos em 1991 e repisa no mal-do-escritor diante do papel em branco. Com mais de 50 anos, Reinaldo lançou seu primeiro livro e mostrou trecho de um ainda inédito. O fato de a mesa ter se destacado é por ter mantido o foco na criação dos autores. Questões como "para quem" e "como se escreve", influências e o embate entre o clássico e contemporâneo renderam bons depoimentos, como o de Reinaldo contando sua viagem com Foucault e muitas desmistificações encabeçadas por André, que, apesar de todo seu experimentalismo na forma e linguagem, afirmou que quer escrever um grande clássico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma palestra oposta a estes preceitos foi a &lt;em&gt;Profissão Repórter: Na Linha de Frente&lt;/em&gt;, composta pelo escritor, jornalista e deputado federal Fernando Gabeira, autor de &lt;em&gt;O Que é Isso Companheiro&lt;/em&gt;, e o jornalista polemista (ou seria o contrário?) americano Christopher Hitchens. A grande reportagem de Gabeira feita em 1987, intitulada &lt;em&gt;Goiânia, Rua 57 – O Nuclear na Terra do Sol&lt;/em&gt;, e sua experiência nos principais jornais do país, assim como o novo livro de Hitchens, &lt;em&gt;Amor, Pobreza e Guerra&lt;/em&gt;, lançado durante o evento e que fala sobre o massacre de Ruanda, ficaram em segundo plano. Tudo o que se viu foi a sempre fútil troca de elogios entre esquerda e direita em um mundo com ideologias cada vez mais difusas e desesperadoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A FLIP talvez seja um evento interessante por dar a oportunidade de presenciarmos uma leitura de um poema árabe pelo seu próprio autor, o poeta palestino Mourid Barghouti. As lembranças e grandes questões políticas foi o tema da mesa &lt;em&gt;Muitas Vozes&lt;/em&gt;, também composta pelo poeta Ferreira Gullar. Além da leitura e curiosidades sobre o seu clássico Poema Sujo, escrito em plena ditadura militar há 30 anos, Gullar é uma figura que sempre arranca aplausos em palestras em suas divagações sobre a própria poesia. Já Mourid, que viveu fora de seu país por 30 anos, mostrou todo rancor de um país sem pátria. Principalmente quando perguntado se concorda com o escritor israelense Amos Óz, de que israelenses e palestinos são um casal divorciado obrigados a viver na mesma casa. Mourid resumiu a palestra dizendo que conflitos como esses não cabem em afirmações tão simples assim. Ponto para a FLIP, por mostrar uma de muitas vozes esquecidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, há sempre a questão sobre a crise da literatura, presente na Off Flip e na FLAP. Na mesa &lt;em&gt;Onde estamos?&lt;/em&gt;, da FLAP-SP, foram discutidos temas como a omissão e padronização da crítica literária atual, a homogeneidade de autores e os leitores modernos. Por outro lado, como bem afirmou o escritor Xico Sá, o mercado literário nunca produziu tanto, principalmente nos &lt;em&gt;blogs&lt;/em&gt; literários que pululam por aí. Mas, enquanto a literatura contemporânea passa por uma crise de identidade, conforme pôde ser absorvido da FLAP, a literatura periférica se faz cada vez mais presente. Projetos como a Cooperifa, dirigidos por Sérgio Vaz, e iniciativas como as bibliotecas de Ferréz, pequenas, mas que começam a mudar o panorama desesperançado destas regiões urbanas, são uma luz a mais no mercado literário, extremamente necessária quando pensamos nos milhões de leitores não atingidos pela dita literatura de centro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim, a FLAP e FLIP acabam se complementando. Não há sentido em se degladiarem. Cada um deles tocam em pontos úteis para a divulgação da literatura no país. São os bastidores de ambos que os diferenciam mais. A FLAP é organizada pelo Projeto Identidade, do qual fazem parte novos escritores e dos quais foram fundadores alunos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e da Faculdade de Letras e Direito da USP. Proclamando acabar com a fragmentariedade do mercado, profissionalizando-o na era do &lt;em&gt;blog&lt;/em&gt;, o grupo possui meios de divulgação de nova produção a exemplo do jornal Casulo, focado em poesia contemporânea, e organizadores para receberem e discutirem trabalhos de escritores de todo Brasil. Já a FLIP é apoiada por gigantes como Companhia das Letras. No balanço que se pode fazer sobre ambos os eventos, tiramos mais vantagens do que desvantagens. E esperamos o próximo ano. Mais diversificado e, principalmente, atuante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marília Almeida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;*publicado no Digestivo Cultural&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-115820123362580933?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/115820123362580933/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=115820123362580933' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/115820123362580933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/115820123362580933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/09/flip-x-flap.html' title='FLIP X FLAP'/><author><name>Marília Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02526254334606663899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://tipos.com.br/media/7/20030417-ava%20gardner%207.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-115647743235220945</id><published>2006-08-24T23:36:00.000-04:00</published><updated>2006-08-24T23:57:48.593-04:00</updated><title type='text'>Mozarteum 2006 para iniciantes</title><content type='html'>MÚSICA**&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2820/2376/1600/Tomter2.3.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2820/2376/320/Tomter2.3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os números da tradicional associação cultural brasileira são impressionantes. Em seu 25º ano, a &lt;em&gt;Mozarteum&lt;/em&gt;, que já trouxe para o país a Filarmônica de Viena, Munique e Nova Iorque, além da inglesa &lt;em&gt;Royal Philharmonic&lt;/em&gt;, já realizou 894 espetáculos, 539 com artistas internacionais e 355 com nacionais, para um público que já soma quase dois milhões de pessoas. Sua temporada de 2006, que começou em maio e irá se estender até outubro, já teve 16 apresentações nas principais capitais do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entidade sem fins lucrativos, apoiada por leis de incentivo a cultura e empresas privadas, visa contribuir para a difusão da música clássica em um país carente dela. Seus concertos são, por vezes, apresentados ao ar livre, o que amplia o seu acesso. Além disso, há matinês de &lt;em&gt;ballet&lt;/em&gt; para crianças e jovens e os Concertos do Meio-Dia, realizados no MASP, ambos com entrada franca. O festival comumente doa bolsas de estudos de cursos internacionais de verão para jovens músicos, dá cursos de história e interpretação e promove um intercâmbio entre músicos nacionais e internacionais através das &lt;em&gt;Master Classes&lt;/em&gt;, onde músicos de grandes orquestras dão aulas a estudantes de música brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A programação, mesmo focada na música clássica, é diversificada: são orquestras, solistas, grupos de música de câmara, óperas e companhias de dança. Após as alemãs Orquestra Sinfônica WDR de Colônia e Orquestra Filarmônica de Câmara de Freiburgo, esta composta por estudantes e cujo coro tocou em parceria com o Coro Barroco da Bahia; além dos grupo norueguês Solistas de Trondheim, também composto majoritariamente por jovens músicos, foi a vez do Quarteto Mitchell-Tomter-Poltéra-Leschenko se apresentar no Theatro Municipal de São Paulo nos dias 31 de julho e 1º de agosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quarteto apresentou músicas de câmara, considerada a de mais difícil deglutição por ouvidos virgens à música clássica. Ao invés de uma grande orquestra, com muitos ápices musicais que levantam e impressionam qualquer platéia, há, basicamente o som do violino, violoncelo, viola e piano. Ficou difícil? Quem é leigo no universo regido por gênios como Mozart, Bach &amp;amp; Cia., mas adora este som transcendental não apenas no &lt;em&gt;bip&lt;/em&gt; do celular, pode relaxar. O &lt;em&gt;Mozarteum&lt;/em&gt; tem, desde 2001, o Clube do Ouvinte, uma série de palestras educativas gratuitas que são ministradas antes dos concertos da Temporada Internacional, destinadas à platéia de cada apresentação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O maestro, compositor e pianista Sérgio Igor Chnee já logo nos situa, nos introduzindo à composição da música de câmara. Ela é composta por, no máximo, cinco músicos, todos com a mesma importância musical, ao contrário de uma grande orquestra sinfônica, onde cada um é reforçado por um conjunto musical. Esta equidade reflete até mesmo no nome do grupo. Composto por jovens músicos, a voz de sua experiência reside no violista norueguês Lars Anders Tomter, considerado um dos maiores violistas atuais. O Gigante da Viola Nórdica já se apresentou nas maiores orquestras sinfônicas e em famosos festivais mundiais. Mas, ao lado de Priya Mitchell, uma jovem violinista que toca um Balestieri de 1760, há o contraste que cria a sintonia, complementado pelo diligente violoncelo de Christian Poltera e o ágil dedilhado do piano de Polina Leschenko.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de terem executado obras de Mahler, Mozart e Dvorák, em sua 2º apresentação o quarteto tocou três compositores muito diferentes entre si. O austríaco Franz Joseph Haydn é o pai do classicismo e seus trios são considerados a 2º parte mais importante de sua obra, caracterizada por contrastes sonoros. Já o alemão Johannes Brahms fazia parte do romantismo e está mais próximo de fontes clássicas como Bethoven. Por fim, Gabriel Fauré, compositor francês, encontrou abertura para o experimentalismo, o que faz com que suas obras sejam entrecortadas de vazios sonoros propositais. Fica fácil perceber as características do minueto do quarteto ao ouvirmos CD guiados por Chnee. Ele é composto por um movimento rápido, um lento, uma dança e um segundo rápido, o gran finale.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a palestra, eis o concerto em si. Haydn nos é apresentado através de seu &lt;em&gt;Trio nº 39 para piano, violino e violoncelo, em sol maior&lt;/em&gt;. Com seu violino em embate com o violoncelo e tendo o piano como fio condutor, encontramos em um mesmo movimento humor e agressividade. Já Brahms é dramático no primeiro movimento de seu &lt;em&gt;Trio para piano, viola (clarinete) e violoncelo, op.114, em la menor&lt;/em&gt;. Há contrastes, uma conversa entre violoncelo e viola para depois se fazer a presente a leveza, quase parando, seguida por uma dança com muitos ápices e um final raivoso expresso em seu piano. Por fim, há o virtuosismo e melodia do &lt;em&gt;Quarteto com Piano nº1, op.15, em dó menor&lt;/em&gt; de Fauré. Nele, o piano é o ator principal e o que vemos são fragmentos difusos, que sobem e descem para acabarem em uma fúria sóbria. E esta sobriedade se perpetua em nossos sentidos após este &lt;em&gt;gran finale&lt;/em&gt; do quarteto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir dia 17 de setembro, a temporada que celebra os 25 anos do &lt;em&gt;Mozarteum&lt;/em&gt; continua. Desta vez, o Parque do Ibirapuera, a Sala São Paulo, Blumenau e Rio de Janeiro receberão o violinista com trinta anos de carreira e reputação mundial Gidon Kremer. Em outubro, Rudolf Buchbinder terá apresentação única na Sala São Paulo, onde mostrará um pouco de sua extensa obra de cerca de cem discos e, por fim, a soprano inglesa Dame Felicity Lott, que já trabalhou com quase todas as maiores orquestras e festivais mundiais, se apresentará em dois dias, também na Sala São Paulo*.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;*programação sujeita a alterações&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;Marília Almeida&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;**publicado no Digestivo Cultural&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-115647743235220945?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/115647743235220945/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=115647743235220945' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/115647743235220945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/115647743235220945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/08/mozarteum-2006-para-iniciantes.html' title='Mozarteum 2006 para iniciantes'/><author><name>Marília Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02526254334606663899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://tipos.com.br/media/7/20030417-ava%20gardner%207.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-115586159686289996</id><published>2006-08-17T20:34:00.000-04:00</published><updated>2006-08-17T20:39:56.880-04:00</updated><title type='text'>Ninguém segura Lady Macbeth</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/IMG_2710.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/IMG_2710.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;TEATRO*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois de subir aos palcos com Gerald Thomas (Esperando Beckett) e Aderbal Filho (A Peça sobre o Bebê), a atriz e jornalista Marília Gabriela encara seu terceiro desafio no teatro: protagonizar a imponente Senhora Macbeth, personagem secundária de Shakspeare, que ganha uma aura de destaque na nova montagem dirigida por Antonio Abujamra, em São Paulo. Em cartaz até 20 de agosto no Sesc Vila Mariana, Senhora Macbeth é uma livre adaptação do clássico medieval, escrita pela Argentina Griselda Gambaro, que desenhou uma ótica atual e feminina para o conflito vivenciado pela esposa do sanguinário Macbeth.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob os holofotes, o roteiro ganha um aprofundamento psicológico raramente visto no teatro brasileiro, o que justifica sua merecida repercussão na América Latina e, recentemente, na Europa (mais precisamente, Espanha e Suécia). “A Griselda foi muito feliz em lançar luzes sobre essa personagem pequena em Shakspeare, mas muito importante sob a perspectiva do amor e do poder. É uma mulher ambiciosa, sensual, apaixonada, enfim, cheia de hormônios”, define Marília Gabriela, justificando a personalidade que aprendeu a incorporar – e que, de certa forma, empresta de si mesma. Mas é justamente ao explorar o lado mais vulnerável da personagem que a atriz se esforça para afogar a mulher auto-suficiente que reside nela mesma. Sobressai na interpretação, contudo, uma Sra Macbeth poderosa. “Sou movida pelos mesmos impulsos que ela. Paixão, arrebatamento, tesão, loucura, coragem, isso eu tenho também”, acredita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No original de Shakspeare, escrito em 1623, Lady Macbeth é tão ambiciosa e calculista quanto o marido. Muitas interpretações garantem que foi ela quem fez a cabeça do amado para assassinar seus inimigos, e assim, conquistar o trono da Escócia. Diz ela em trecho do clássico: “Vinde, espíritos sinistros que servis aos desígnios assassinos (...). Enchei-me, da cabeça aos pés, da mais horrível crueldade!”. Sem dúvida, o dramaturgo construiu uma mente sedenta por poder, escondida nas sombras do grande personagem shakespeariano. A adaptação de Griselda concebeu um novo universo interno para a Senhora Macbeth que sobrevive até hoje. No caso, toda ambição de poder é esmagada pelo amor absoluto que ela devota por aquele homem. Aí nasce o conflito de uma mulher anulada no amor e cega por poder, prestes a perder seu sangue-frio para o sentimento de culpa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/IMG_2784.jpg" border="0" /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Marília Gabriela pisa no palco com cabelos negros e um figurino imperial, realçado pelos oportunos efeitos de som e iluminação do espetáculo. Mas esses apelos sensitivos não desviam o foco do brilho e lucidez da peça. Quase todo o tempo, a atriz divide a atenção com as três bruxas de Macbeth, interpretadas por Natália Corrêa, Danielle Farnezi e a veterana Selma Egrei – o ator Eduardo Leão faz uma ponta especial. Com grande propriedade cênica, o trio atormenta e consola a ambígua personagem, a ponto de travestir sua consciência, como aponta Gabriela. “Elas têm uma ironia feminina que falta à Senhora Macbeth. É um homem lidando com três mulheres, um ser culpado por amar um assassino e ansiar o poder, enfim, uma mulher com conflitos acima de tudo humanos. Ela é o homem que não deu certo até hoje”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na preparação para o espetáculo, Abujamra e Hugo Rodas, co-diretor da peça, revezaram o comando dos ensaios com vieses opostos: o trágico e o cômico, respectivamente. Daí, a montagem só poderia resultar em uma tragicomédia. “Ele (Abujamra) queria apostar comigo em que momento sairia a primeira risada na platéia”, brinca a atriz sobre a recepção do público. Logo que aceitou o desafio de encarnar a Senhora Macbeth, ela reconhece que sentiu insegurança. “Num primeiro momento achei que não ia conseguir, não sabia para que lado ir com a personagem”. Com o tempo, o frio na barriga passou, e ela garante que entra no palco do mesmo jeito que sai, bem confortável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Abujamra está pleno da competência da atriz? “Há muitos anos digo que ela deve envelhecer no palco e largar o jornalismo. Agora surge essa surpresa maravilhante, esse rigor!”, define com tais palavras o diretor, que também é admirador incondicional e amigo de Griselda Gambaro. “Suas peças têm uma inclinação para a beleza como poucas pessoas sabem fazer”, justifica o afeto. O grande trunfo da Argentina: o ser humano que ela retrata se sobressai à mulher, num mundo criativo onde os papéis dos sexos estão bem divididos. Para o diretor, é um privilégio levar o texto da autora a São Paulo, já que não duvida da forte possibilidade da peça se tornar um sucesso aplaudido mundialmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos desavisados uma dica: quem não conhece a história original de Macbeth, melhor ler a peça ou assistir a uma das adaptações em filme antes de comprar os ingressos. Por mais que a montagem seja desprendida do clássico, há inúmeras referências a fatos e personagens de Shakespeare sem grande contextualização, o que pode dificultar o entendimento do expectador. Mas isso não significa que é uma peça solitária na erudição. Pelo contrário, é popular e moderna. Nada que anule, portanto, a atualidade, a beleza e a poesia do espetáculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senhora Macbeth&lt;br /&gt;Sesc Vila Mariana – São Paulo&lt;br /&gt;Sexta e sábado, 21h. Domingo, 18h.&lt;br /&gt;De R$ 15 a R$ 30.&lt;br /&gt;Até 20/08 &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;*Publicado no DigestivoCultural.com&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-115586159686289996?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/115586159686289996/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=115586159686289996' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/115586159686289996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/115586159686289996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/08/ningum-segura-lady-macbeth.html' title='Ninguém segura Lady Macbeth'/><author><name>Tais Laporta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15012070315502777241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-115510004733530950</id><published>2006-08-09T01:01:00.003-04:00</published><updated>2006-08-09T09:14:28.100-04:00</updated><title type='text'>FIT 2006 - Fim de uma trilogia teatral</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;TEATRO*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois dos posts "FIT I" e "FIT II", resta-me dizer que acabou mais uma edição do FIT (Festival Internacional de Teatro), que me deixou com o já dito e desdito gosto de "queria ter visto mais", principalmente &lt;em&gt;Assombrações do Recife Velho&lt;/em&gt;, baseada na obra de Gilberto Freyre e encenada pela companhia Os Fofos Encenam (muito por causa de seu cenário: um casarão antigo que coube perfeitamente no tema que tratou: o sobrenatural), além da colorida peça de rua &lt;em&gt;Caetana&lt;/em&gt;, da pernambucana Duas Companhias. Porém, além das produções internacionais, ainda deu tempo de conferir duas nacionais bem diferentes entre si: o monólogo &lt;em&gt;Um dia Antes da Floresta&lt;/em&gt; e o infantil &lt;em&gt;Viagem ao Centro da Terra&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Produzida pela companhia paulista Brancalyone Produções Artísticas e dirigida por Francisco Medeiros, seu texto é da obra de um dramaturgo francês "maldito", o soropositivo Bernard-Marie Koltés. O ator Otávio Martins, indicado ao Prêmio Shell de Teatro, não decepciona em um monólogo tenso que começa morno e é por vezes redundante, mas sempre ascendente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em 70 minutos, Otávio vive um maltrapilho estrangeiro que trava um diálogo em uma esquina da louca vida noturna com um "outro" inexistente. Sua narração é vertiginosa: um diálogo impossível, em que parece falar com o triste retrato de si mesmo. A solidão é veemente e, o discurso, um retrato fiel da zoológica sociedade moderna, com seus tipos bizarros, como prostitutas que comem terra do cemitério. O cenário ajuda para criar um sentimento de desolação. Composto por um bloco que imita uma calçada, é rodeado por espelhos sujos e emporcalhados.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Utilizando-se do teatro de sombras, bonecos e projeções que rememoram os primeiros anos do cinema, a Cia de Teatro Artesanal, do Rio de Janeiro, que já havia participado do FIT com a peça &lt;em&gt;Cyrano de Berinjela&lt;/em&gt;, montou a peça baseada no texto de Júlio Verne: &lt;em&gt;Viagem ao Centro da Terra&lt;/em&gt;. A produção, feita no ano passado, foi patrocinada pela Prefeitura do Rio através do Fundo de Apoio ao Teatro e tem cenário e figurino inspirados nos filmes dos irmãos Lumiére e George Méliès. Com faixa etária recomendada a partir de oito anos, conta com boas atuações de Cid Borges, Edeilton Medeiros, Kátia Kamello e Nilton Marques.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Passada no século XIX, nela o teimoso Professor Lidenbrock e seu sobrinho Axel empreendem uma viagem para o centro da terra quando conseguem desvendar o segredo de um pictograma. Os diálogos são fiéis à precocidade da faixa etária a qual se destina. A impressão é de que tudo acontece ao mesmo tempo, agora. E o grupo tem a seu favor o fato de utilizarem diversos meios, o que deixa a criançada estarrecida com tanta informação e, conseqüentemente, com a respiração suspensa. E o melhor da peça: não trata a criança como "criança", apesar de se utilizar do elemento fantasia a cada segundo. Tudo é muito rico na narrativa e a volta a tecnologias antigas em meio à "geração IPOD" consegue surpreender.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por fim, em um balanço do evento, muito se disse que o FIT é, mais do que uma mostra de produções nacionais e internacionais, um painel de ousadias. Isto é confirmado em certo sentido através desta pequena mostra do festival que pude contemplar. São produções de grupos desconhecidos e, outros, nem tanto. Que ganha pontos ao mostrar muitos espetáculos fora do circuito teatral SP-RJ e, definitivamente, de difícil acesso. Afinal, o teatro, infelizmente, ainda sofre com o bairrismo, queiramos ou não. Além disso, acertou ao mostrar produções internacionais em que, na maioria, a barreira da língua não é o problema, pois utilizam muitos recursos visuais e, com isso, transpõem grandes distâncias culturais e educacionais, tão tristemente reais em nossa sociedade brasileira.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Após estas conclusões, não é surpresa que o FIT se configure em um festival que tem ampla tradição do alto de seus mais de 30 anos, apesar de ter obtido o formato atual somente a partir de 2002. Antes, ele era um painel competitivo, com direito a premiações. A edição de 2006, especificamente, inovou ao chamar críticos conhecidos como Antonio Hildebrando, Tânia Brandão e Antonio Cadengue, para cobrir todas as produções exibidas e dar a cara para bater.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porém, antes do show acabar, o melhor, leitor, é saber que, caso este humilde relato o tenha deixado com água na boca e com vontade de experimentar as mais diversas sensações que estes espetáculos proporcionaram, muitos deles seguem em cartaz em outros estados e cidades.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A produção francesa &lt;em&gt;Aberrations du Documentaliste&lt;/em&gt; (Aberrações de um bibliotecário) esteve em cartaz no Sesc Santana, em São Paulo, até o dia 06 de agosto. Já a peça russa &lt;em&gt;Noite de Reis&lt;/em&gt;, texto de Willian Shakespeare produzido pelos criadores e diretores da Cia. Cheek by Jowl, grande decepção do FIT pela sua não-apresentação, abriu a Estação de Teatro Russo Brasil 2006 nos dias 25 e 26 de julho. Composta por mais quatro produções, a mostra será apresentada em diversas unidades da rede SESC até o dia 08 de outubro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outros estados da região sudeste também puderam ficar tranqüilos. &lt;em&gt;Les feuilles qui resistent au vent&lt;/em&gt; (As folhas que resistem ao vento), de Koffi Koko, e a espanhola &lt;em&gt;Una madre coraje y sus hijos em el purgatório&lt;/em&gt; (Uma mãe coragem e seus filhos no purgatório) participaram da 8º edição do FIT em Belo Horizonte, versão mineira do festival que conta com basicamente os mesmos patrocínios, exibe muitas peças do FIT de Rio Preto e terminou dia 06 de agosto. Mas ainda dá tempo de ver a peruana &lt;em&gt;Cuentos Pequeños&lt;/em&gt; (Contos Pequenos), que fará temporada no Rio de Janeiro e &lt;em&gt;Assombrações do Recife Velho&lt;/em&gt;, em temporada no SESC Santana de 12 de agosto até o dia 10 de setembro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*publicada no &lt;em&gt;Digestivo Cultural&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Marília Almeida&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-115510004733530950?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/115510004733530950/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=115510004733530950' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/115510004733530950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/115510004733530950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/08/fit-2006-fim-de-uma-trilog_115510004733530950.html' title='FIT 2006 - Fim de uma trilogia teatral'/><author><name>Marília Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02526254334606663899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://tipos.com.br/media/7/20030417-ava%20gardner%207.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-115478868671123734</id><published>2006-08-05T10:26:00.000-04:00</published><updated>2006-08-05T10:40:35.663-04:00</updated><title type='text'>9º Búzios Jazz &amp; Blues II</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;MÚSICA* &lt;/div&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/IMG_3504.0.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;A última noite do 9º Búzios Jazz &amp; Blues foi uma das mais aguardadas pelo público. A expectativa ficou por conta do menu de atrações com altíssimo nível, e também pelo próprio sábado (29), dia que recebe mais turistas na região. Embora o balneário estivesse lotado, um imprevisto espantou a multidão por volta das 20h. A chuva chegou com força em Búzios depois de dias de sol escaldante em pleno julho, e expulsou os que já esperavam pelo show do Funk Como Le Gusta na Praça Santos Dumont. A água não deu trégua nem meia hora, nem sessenta minutos depois. Mesmo com chuva e ruas vazias, a big band paulistana subiu no Palco Tim de Música por volta das 21h40, e não deu outra. O repertório adocicado do soul-samba-funk atraiu guarda-chuvas que em pouco tempo tomaram a praça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embalados por sax, flauta, trompete, trombone, bateria, teclado, percussão e baixo, os 14 integrantes da banda privilegiaram a harmonia coletiva em detrimento dos solos. Enquanto o público desviava das poças para dançar, o Funk Como Le Gusta provava que é mesmo um forte representante da sofisticação instrumental brasileira. Arrisco dizer que o grupo se equipara, em qualidade e estrutura, com a banda Mantiqueira – guardadas as grandes diferenças entre ambas, já que esta possui uma levada menos híbrida, fiel ao jazz. Na apresentação, o grupo tocou o repertório dos CDs Roda de Funk e FCLG, que traz grooves consagrados, trilhas de cinema e clássicos latinos dos anos 70. Nas faixas, "SOS", "Latina", "Tabasco", "Tá Chegando a Hora", "Funk de Bamba", "Somos do Funk", "Zambação" e "Vertiplano".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/IMG_3622.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Funk Como Le Gusta no Palco Tim de Música&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Um quarteirão adiante, no mesmo horário, a Dixie Square Band já tocava standards do jazz nas calçadas molhadas da Rua das Pedras. Um verdadeiro ritual de “Dançando na Chuva”, mas ao som dos clássicos "Ain't She Sweet", "Basin Street Blues", "Sweet Georgia Brown" e "Limehouse Blues". Logo em seguida, o Pátio Havana recebeu o Memphis la Blusera, que repetiu o desafio de levantar o público, como na noite anterior. Só que, dessa vez, num ambiente mais recluso. Ainda que com menos espaço para se expandir aos moldes do último show, o grupo argentino não perdeu o vigor. O vocalista Adrian Otero e o saxofonista Emilio Villanueva se destacaram com a mesma presença, dividindo a atenção coletiva da casa de shows. Influenciado por Robert Johnson, Muddy Waters, John Lee Hooker e B.B. King – com quem dividiu o palco posteriormente – o Memphis foi aclamado, em duas noites, por exigentes públicos: o diversificado, na praça de Búzios, e o seleto, na casa cubana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ainda estava por vir uma das atrações mais quentes do festival. Por volta de meia noite, o mestre da guitarra, Eric Gales, lançou no ar os primeiros acordes, dedilhados no palco do Chez Michou. A partir daí, a chuva perdeu toda a importância. A habilidade que ele aprendeu aos quatro anos de idade em Memphis, Tennessee, já foi equiparada à do imortal Jimi Hendrix. Em entrevista antes do espetáculo, no entanto, ele não pareceu satisfeito com a comparação. “Eu sou eu, entende? Eu faço meu som, é todo meu”. De fato, Gales domina a guitarra com tanta peculiaridade, que soa simplista demais colocá-lo no patamar de grandes mestres. Sua unicidade sobressai, também, no timbre de voz grave, de um blues autêntico vivamente nascido no gospel. Acompanhado de instrumentos com igual apuro, o guitarrista mandou uma mistura de rock contemporâneo, funk e blues com uma naturalidade impressionante. Na ficha técnica do artista, alguns que se revelaram seus admiradores: Carlos Santana, Mick Jagger, Keith Richards, B.B. King e Eric Clapton.&lt;/p&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/IMG_3697.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Eric Gales em entrevista&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;p align="justify"&gt;Nesse clima, Gales encerrou o festival – para usar um clichê necessário – com chave de ouro.E foi assim que Búzios virou a terra do blues e do jazz, pelo menos por quatro dias. Apesar de sua importância, o festival não pretende ser o maior do país, e talvez esteja longe disso. Mas em termos de qualidade e diversidade, ele se supera e sai na frente de muito evento do gênero. Primeiramente, porque não é elitista ou discriminatório. Estavam lá a criança e o velho, o rico e o pobre, que queriam – e podiam – ver os artistas. Para o Brasil, esse é um avanço cultural sem precedentes. Nem a chuva derrubou a noite, e nem o som ofuscou o brilho das praias. Litoral e jazz é uma combinação perfeita, contagiante, uma descoberta ímpar. Um roteiro altamente peculiar, que pode ser visto, pelo menos, uma vez por ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais Laporta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no &lt;em&gt;DigestivoCultural.com*&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-115478868671123734?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/115478868671123734/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=115478868671123734' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/115478868671123734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/115478868671123734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/08/9-bzios-jazz-blues-ii.html' title='9º Búzios Jazz &amp; Blues II'/><author><name>Tais Laporta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15012070315502777241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-115478799237116897</id><published>2006-08-05T10:13:00.000-04:00</published><updated>2006-08-05T10:39:26.500-04:00</updated><title type='text'>9º Búzios Jazz &amp; Blues I</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;MÚSICA* &lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/IMG_3418.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Vida noturna intensa, bares, galerias de arte e praias de uma beleza estonteante. Onde mais a mistura dos ingredientes cultura e badalação pode dar tão certo? Na penúltima das quatro noites que contemplam o &lt;a href="http://www.buziosjazzeblues.com.br/site2006/index_frame.html" target="_blank"&gt;9º Búzios Jazz &amp; Blues&lt;/a&gt;, pude notar que a região central de Búzios abrigava um clima musical inconfundível, já estimulado pelos dias anteriores. Nos primeiros momentos do festival (26 e 27 de julho), prevaleceram logo de cara o virtuosismo e a mistura de gêneros. Passaram por aqui o habilidoso saxofonista Blas Rivera; o grupo carioca de poli ritmos e gerações, Garrafieira; o aclamado compositor e instrumentista Marcos Valle; o tradicional, porém inovador Trio Azymuth; e, ainda, o cantor e guitarrista Big Joe Manfra, um dos mais respeitados representantes do blues no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cumprindo o que prometeu, a noite de ontem (28) atraiu um público eclético, formado por turistas – casais, famílias, crianças, estrangeiros, teens e idosos – e nativos (a grande minoria). A praça Santos Dumont – que abriga o Palco Tim de Música – até então tomada apenas por feiras de artesanato, ficou apinhada, lá pelas 20h30, logo que o grupo argentino Memphis la Blusera colocou seus instrumentos para funcionar. Grande sucesso internacional, a banda de veteranos surgida nos anos 60 conseguiu, sem grande esforço, mas com suor, fazer o que muitos tentam sem sucesso: o público dançou, literalmente, nos estreitos espaços da multidão. Sim, a praça ficou pequena ao som de jazz “dançante”, e o Memphis cresceu com o fôlego do vocalista Adrian Otero, que alternou agitação e romantismo. Isso sem falar nos solos, absolutamente oportunos, no comando de Daniel Beiserman (baixo acústico), Emilio Villanueva (sax), German Weidemer (órgão) e Lucas Sedler (guitarra). Cada um a seu tempo, sem exageros e com muita propriedade.&lt;br /&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/IMG_3263.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Adrian Otero, vocalista do Menphis la Blusera&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pouco depois, mesmo antes da banda encerrar, um som distante entrecortava o espetáculo. Vinha da Rua das Pedras – a mais badalada de Búzios. Era o Dixie Square Band, e que surpresa: passando por vários pontos da via, a banda de jazz fazia o público interagir musicalmente, formando quase uma “orquestra paralela” de percussão em palmas junto dos melódicos instrumentos de sopro. Durante todas as noites do festival, o grupo passeia a céu aberto tocando clássicos estrangeiros e nacionais, entre eles “Aquarela do Brasil”, a imortal composição de Ary Barroso. Abro um parêntese para uma observação que não pode passar incólume. É a primeira vez que presencio uma interação tão grande entre público e jazz em espetáculos abertos. A contemplação fria e o distanciamento a ritmos “não convencionais” quase sempre prevaleceram por parte de um público, diga-se, diversificado. Para um gênero tão complexo e seletivo, Búzios é um verdadeiro milagre musical no que se refere à quebra de códigos entre o popular e erudito. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/IMG_3359.jpg" border="0" /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Bobby Lyle no Pátio Havana&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Claro que há exceções, como as apresentações fechadas do Pátio Havana, que aconteceram ontem por volta das 23h. As reservas para assistir ao consagrado pianista Bobby Lyle se esgotaram em pouco tempo. Um público distinto e comportado ficou notoriamente hipnotizado pela sofisticação do blues ao piano, acompanhado no baixo por Alberto Continentino, na bateria por Allen Pontes e no sax por Leo Gandelman, destacado com louvor na &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/blog/default.asp?codigo=569" target="_blank"&gt;edição anterior do festival&lt;/a&gt;. Arriscando um português correto, Lyle expressou a satisfação de tocar em uma noite e um local “tão especiais”. E pode colocar especial nisso. O Pátio Havana dá de cara para um mar gigante, iluminado pela costa e pela lua, e confere um clima que – aliado à alta performance do som – é um verdadeiro privilégio dentro do balneário. Incansável, o show alcançou a madrugada sem desviar o interesse do público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para encerrar a noite – e que noite – o Chez Michou, logo em frente ao Havana, recebeu, por volta das 2h, a mistura das mais variadas sonoridades brasileiras com o trio &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/arquivo/digestivo.asp?codigo=162" target="_blank"&gt;Bossacucanova&lt;/a&gt;. O grupo, formado por Alex Moreira, Marcelinho DaLua e Márcio Menescal (filho do Roberto Menescal), nasceu de experimentações em estúdio que propunham misturar batidas eletrônicas a ritmos convencionais como o samba e a bossa nova. Resultado: um estouro há oito anos na Europa, EUA e Brasil. O ponto alto do grupo são as releituras do acid jazz, que fundem a sofisticada harmonia melódica com os beats do rap e do funk. O som no Chez Michou agradou principalmente a um público mais jovem, que bem antes já lotava o espaço à espera do grupo. Mais uma prova de que jazz e agitação combinam mesmo, principalmente em Búzios.Amanhã tem mais. A última noite do festival promete com mais presenças ilustres. E nós vamos acompanhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais Laporta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no &lt;em&gt;DigestivoCultural.com*&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-115478799237116897?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/115478799237116897/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=115478799237116897' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/115478799237116897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/115478799237116897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/08/9-bzios-jazz-blues-i.html' title='9º Búzios Jazz &amp; Blues I'/><author><name>Tais Laporta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15012070315502777241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-115436548903967081</id><published>2006-07-31T12:22:00.000-04:00</published><updated>2006-08-01T11:36:06.916-04:00</updated><title type='text'>FIT - Festival Internacional de Teatro II</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;TEATRO*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem pude, enfim, conferir três das cinco produções internacionais que participaram da edição 2006 do FIT. As outras duas foram &lt;em&gt;Materia Material&lt;/em&gt;, do grupo peruano Teatro Lot, que buscou mostrar em sua apresentação novas formas não-convencionais de utilização de objetos e &lt;em&gt;Una Madre Coraje y sus hijos em el purgatório&lt;/em&gt;, dos grupos Teatro Del Silencio e Karlik Danza Teatro, produção chilena com co-produção espanhola. Este é o segundo ato de uma produção inspirada livremente na obra &lt;em&gt;A Divina Comédia&lt;/em&gt;, de Dante Alighieri. A primeira foi nomeada Inferno. Criado em 1989, o Teatro Del Silencio é caracterizado por fundir dança, teatro, músicas e técnicas circenses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande decepção foi quanto ao cancelamento de uma produção russa do Festival Internacional de Teatro Tchekhov em associação com o tradicional grupo inglês Cheek by Jowl: &lt;em&gt;Twelfth N&lt;/em&gt;ight, adaptação de &lt;em&gt;Noite de Reis&lt;/em&gt;, de William Shakespeare. Mesmo adiando em um dia sua estréia no festival, a organização do FIT não conseguiu com que os equipamentos do grupo fossem liberados no Aeroporto Viracopos, em Campinas, onde estão retidos há cerca de um mês por causa da greve dos fiscais da receita federal. Junto com outra produção do grupo, Boris Godunov, ela iria abrir a Estação de Teatro Russo – Brasil 2006, que acontece em São Paulo do dia 25 a 08 de outubro, que, provavelmente, também será prejudicada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2820/2376/1600/CUENTOS_PEQUENOS_1279_JORGE_ETECHEBER_digestivo.4.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 267px; CURSOR: hand; HEIGHT: 184px" height="209" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2820/2376/320/CUENTOS_PEQUENOS_1279_JORGE_ETECHEBER_digestivo.4.jpg" width="308" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Mas as três peças mais concorridas da programação, muito diferentes entre si, não decepcionaram. &lt;em&gt;Cuentos Pequeños&lt;/em&gt;, do peruano Teatro Hugo &amp; Inês, é encantadora e não poderia ser diferente. É um espetáculo fácil e sem qualquer recurso de cenário a não ser uma iluminação mínima. O recurso técnico mais eficiente consiste na própria dupla de bons atores, Hugo Suarez e Ines Pasic, que também dirigem o espetáculo. Hugo, mais especificamente, é tão expressivo que concorre, em pé de quase igualdade, a atenção com o boneco criado por si, muito mais chamativo visualmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espetáculo é uma tragicomédia que arranca gordas risadas da platéia a cada minuto. Ele consiste de pequenas histórias protagonizadas por diferentes personagens: bonecos compostos por diferentes partes do corpo da dupla (até mesmo, surpreendentemente, barriga e boca) e alguns pequenos acessórios, como narizes e olhos. O apelo visual é incontestável: a aparência meiga conquista o público no primeiro olhar. Para finalizar, a técnica mímica dos dois atores beira a perfeição. Separados ou juntos, não há erro nos movimentos milimetrados dos personagens, que assumem características humanas, seja no leve andar, na liberdade e diversidade de seus movimentos e gestos caricaturais que conseguem captar tipos de personalidade. Pudera: desde 1986, época de criação do grupo, eles se interessam pela expressão de diferentes partes do corpo humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já &lt;em&gt;Les feuilles qui resistént au vent&lt;/em&gt; vai na contramão, apesar de ter também forte apelo visual. Ela é uma produção do bailarino e coreógrafo Koffi Kôkô, que também atua na peça e é considerado um dos mais inovadores da dança contemporânea africana. O espetáculo de dança é denso e trata basicamente dos ensinamentos da vida através da expressão do corpo. A tradução de seu título, &lt;em&gt;As folhas que resistem ao vento&lt;/em&gt;, explica bem o que vemos: o ato de subir na vida, a tristeza da solidão do topo, o trabalho que escraviza, o esquecimento de si mesmo e do outro e a agonia são belamente expressas apenas pelo ato da dança, que tem seu ápice na vertiginosa e surpreendente dança dos bailarinos em cima de finos e altos bambus. Até mesmo a pintura de tinta branca que cobre o corpo dos bailarinos serve de recursos visuais à medida que o suor de sua dança a transforma de novo na cor negra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O local da apresentação, o Swift Seringueira, coube perfeitamente na peça, eminentemente naturalista. Composto por um quadrado de areia e uma alta arquibancada, além de fartos recursos de iluminação de diversas cores e duas seringueiras enormes, faziam com que os movimentos livres e tribais dos bailarinos tivessem suas sombras projetadas nas duas árvores, o que provocava a sensação de retorno a um mundo esquecido pela civilização ocidental e tão próximo às nossas raízes. Os movimentos frenéticos em um material movediço como a areia trazem efeitos que consolidam o espetáculo. Os três músicos são um espetáculo à parte ao trazerem um som forte, composto basicamente por batucadas e efeitos de som de teclado, que dá ao som afro um tom de experimentação e, ao espetáculo, o efeito de um transe e torpor infinito. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2820/2376/1600/aberrations_du_documentaliste01.1.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 274px; CURSOR: hand; HEIGHT: 199px" height="212" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2820/2376/320/aberrations_du_documentaliste01.1.jpg" width="315" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Por fim, a produção francesa &lt;em&gt;Aberration du Documentaliste&lt;/em&gt;, do Théâtre de la Massue, é muito prejudicada pela barreira da língua. Mas este problema é em parte contornado pela atuação expressiva de Jack Fornier como o bibliotecário solitário que, por ler toda a criação do mundo, começa a ter visões fragmentadas do que a consistiu. Estas visões são mostradas na forma de miniaturas de bonecos, manipulados por dois homens invisíveis no cenário. Neste, aliás, criado em um antigo galpão, ouvimos efeitos sonoros de pingos de água e é circundado e isolado por grandes painéis negros e altos e ilustração de uma biblioteca. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aguardem um balanço do evento no próximo &lt;em&gt;post&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marília Almeida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*publicado no &lt;em&gt;Digestivo Cultural&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-115436548903967081?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/115436548903967081/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=115436548903967081' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/115436548903967081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/115436548903967081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/07/fit-festival-internacional-de-teatro_31.html' title='FIT - Festival Internacional de Teatro II'/><author><name>Tais Laporta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15012070315502777241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-115436113706795843</id><published>2006-07-31T11:39:00.000-04:00</published><updated>2006-07-31T13:54:17.996-04:00</updated><title type='text'>FIT - Festival Internacional de Teatro I</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/CIMG7881.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 204px; CURSOR: hand; HEIGHT: 302px" height="313" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/CIMG7881.jpg" width="220" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;TEATRO*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não pude me livrar da sensação de espectadora retardatária no penúltimo dia da 6° edição do &lt;em&gt;Festival Internacional de Teatro&lt;/em&gt;, o FIT, em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. Preço pago para que pudesse contemplar a maioria das atrações internacionais em apenas um dia. Mas ainda consegui pegar o clima do 2° e último final de semana atípico em uma cidade de 200 mil habitantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O evento é fruto de uma parceria de entidades públicas, o que permitiu o baixo preço dos ingressos para as peças (inteira R$10 e estudante R$5). Realizado pela Prefeitura Municipal da cidade, o Serviço Social do Comércio e a Petrobrás, o festival teve um orçamento de R$1,9 milhão, do qual R$600 mil foram utilizados para o cachê das companhias participantes. Há também o patrocínio da Caixa Econômica Federal e Correios, e parceria com a Funarte, Secretaria de Estado da Cultura e o Governo do Estado de São Paulo, além do benefício da Lei de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O festival está em seu 9° dia e, apesar do nome, exibe apenas cinco produções internacionais e 44 nacionais, entre elas sete infantis e nove de rua. Provenientes de vários estados do país, elas compõem um cenário diversificado, apesar da hegemonia do eixo RJ-SP. Entre os destaques estão &lt;em&gt;Larvárias&lt;/em&gt;, de Porto Alegre-RS, &lt;em&gt;Dilacerado&lt;/em&gt;, do Rio de Janeiro-RJ, &lt;em&gt;O que seria de nós sem as coisas que não existem&lt;/em&gt;, de Campinas-SP, &lt;em&gt;A Parte Doente&lt;/em&gt;, de Blumenau-SC, &lt;em&gt;Caetana&lt;/em&gt;, de Recife-PE, &lt;em&gt;Dinossauros&lt;/em&gt;, de Brasília-DF, &lt;em&gt;Êh Boi&lt;/em&gt;, de Belo Horizonte-MG e &lt;em&gt;Fábulas&lt;/em&gt;, de Natal-RN. Três produções da cidade também participam do festival: &lt;em&gt;Abajur Lilás&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Sr. Malte&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Beatolados&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O festival envolve toda a cidade em 18 espaços, entre teatros, palcos especiais, ruas e até um casarão. Nele, três peças chegam a ser exibidas concomitantemente. É natural, pois, que a primeira impressão seja a de um festival popular, ligada ao teatro de rua. Como a maioria das peças são exibidas somente à noite, pela manhã busquei este teatro de fácil acesso aos moradores locais e a todos os interessados. Encontrei duas: &lt;em&gt;Circo Minimal – A soprano Galinha Galinova&lt;/em&gt;, do grupo Cia. Gente Falante – Teatro de Bonecos; e o projeto &lt;em&gt;Uroborus&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma feira de bairro encontrei o pequeno circo, mínimo mesmo, do grupo de Porto Alegre que completa doze anos de atividades em teatro de animação. Descobri que seu nome provém da junção de minimalismo e fábulas de animais. É justamente o que encontramos. O quadro &lt;em&gt;Galinha Galinova&lt;/em&gt; é apenas um dos dez da série Circo Minimal. No FIT foram apresentados apenas dois deles, um em apresentação dupla.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pontualmente, uma grande fila foi se formando, entre curiosos e acompanhantes das muitas crianças presentes. A sensação de que era a primeira vez de muitas delas frente à arte teatral não deixou de encantar. Com apenas quatro minutos de duração e capacidade para sete pessoas, a encenação é singela, com trilha sonora e iluminação bem-feitas em um cenário que, por ser itinerante, é, inevitavelmente, precário. Despertou em muitos presentes alegria e surpresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da feira, parti para a rodoviária da cidade. Não quis voltar para a casa. É lá mesmo que é encenado o Projeto &lt;em&gt;Uroborus&lt;/em&gt;. Ele consiste em 179 horas ininterruptas de encenação de um texto de 78 dramaturgos, entre eles Maquiavel, Gil Vicente e Sófocles, desde o teatro grego ao contemporâneo, nomeada Rapsodomancia para a eterna ressurreição do teatro. Mas o mais interessante é que os atores em cena são pessoas comuns que aceitam encená-lo por uma hora, sem mais nem menos e com direito a buzina no final. Até o dia 18, 200 pessoas já haviam se inscrito para o projeto pelo site do FIT.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Presenciei a encenação de uma dupla, no mínimo, curiosa. Um músico de 56 anos que entende a música e teatro como artes interligadas, já que ambas exigem poder de expressão, e um jovem de 14 anos apaixonado pela arte cênica, ambos moradores de Rio Preto. A um foi delegado o papel de protagonista e, ao outro, a tarefa de sempre argumentar suas afirmações acerca do mundo. Política, poesia, preconceitos sociais e muita reflexão acerca da própria atividade teatral permearam os diálogos, repletos de improvisações até mesmo sobre a Parada Gay paulistana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve também muito embate de estilo entre as duas personalidades tão distintas dos atores em cena. Muitas vezes ambos corrigiam a si próprios e indicavam sutilmente ao outro para seguirem o script, o que era muitas vezes rechaçado. No balanço final, momentos e insights reveladores e realmente criativos de suas duas visões particulares do mundo. Pequenas risadas e olhares atentos da platéia de cerca de vinte pessoas se transformaram em aplausos, apesar do barulho da rua e rodoviária, que tornava impossível por vezes a audição dos diálogos e até mesmo provocavam irritação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, a emoção expressa nos olhos dos dois participantes e a vontade de estar cada vez mais próximos da arte. Por outro, a cena de um mendigo lustrador de sapatos, que parou para contemplar a peça por segundos. Ele acendeu um cigarro com um sorriso que não podia ser codificado, tamanha a distância dele do resto dos espectadores. Mas, logo depois, a vida que se segue na solicitação a possíveis clientes se estes queriam lustrar seus sapatos ou na tomada do próximo trem pelo passageiro rodoviário. Mas são estas misturas de sensações que fazem, afinal, um espetáculo de rua. E são eficientes, sempre. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Marília Almeida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*publicada no &lt;em&gt;Digestivo Cultural&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-115436113706795843?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/115436113706795843/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=115436113706795843' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/115436113706795843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/115436113706795843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/07/fit-festival-internacional-de-teatro-i.html' title='FIT - Festival Internacional de Teatro I'/><author><name>Marília Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02526254334606663899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://tipos.com.br/media/7/20030417-ava%20gardner%207.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-115384732791087932</id><published>2006-07-25T12:55:00.000-04:00</published><updated>2006-07-25T13:08:47.926-04:00</updated><title type='text'>Literatura universal do Sul</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/4353.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/4353.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; LITERATURA*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um escritor de ideais regionalistas, mas com temática universal, não pode ficar confinado em sua terra natal por muito tempo. Charles Kiefer, no entanto, resistiu quase três décadas nos pampas gaúchos – 30 livros e 3 Prêmios Jabutis – até sucumbir à Editora Record, que vai relançar toda sua produção literária em escala nacional. É a primeira oportunidade para o leitor do centro e norte do Brasil se aproximar com mais intimidade do autor, que com a intenção de preservar os detalhes do Sul, produziu uma coleção onipresente sobre o drama humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao lado de &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=1336757&amp;sid=0155200748718515217042953&amp;amp;k5=E57FD8F&amp;uid=" target="_blank"&gt;Quem faz Gemer a Terra&lt;/a&gt; (romance de 1991 sobre as questões agrárias do MST), a Record acaba de colocar no mercado &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=1336745&amp;amp;sid=0155200748718515217042953&amp;k5=E57FD8F&amp;amp;uid=" target="_blank"&gt;Logo Tu Repousarás Também&lt;/a&gt;, uma coletânea de 14 contos independentes, que carregam narrativas curtas, porém densas, tecidas com linguagem simples e sugestiva. O mais difícil na construção de um drama – chocar sem ser fatalista ou comover sem forçar a barra –, Kiefer cria com naturalidade em enredos demasiadamente humanos. Em outras palavras, não é difícil encontrar a natureza interior que nos assola travestida nos seus personagens. O clima do livro confere uma face aterrorizante à banalidade, levada ao extremo nas histórias pelo neo-realismo literário do autor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos trechos mais intensos da coletânea se encontra em &lt;em&gt;O Boneco de Neve&lt;/em&gt;. O conto deixa no ar a incômoda sensação de que os cenários angelicais também não estão livres das tragédias: “No meio da tarde, sob um céu carregado de nuvens baixas e cinzentas, ele nos convenceu a cobri-lo, a transformá-lo num autêntico boneco de neve. Excitados, eu, Maneco, Juca e João Carlos, todos meninos, todos inocentes, e incendiados todos pela branca irresponsabilidade da infância, cobrimos primeiro suas pernas, e depois o seu tronco. Não recordo em que momento percebemos que ele não respirava mais.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kiefer dá prioridade ao universo psicológico dos personagens, exposto nas entrelinhas de diálogos e pensamentos, em detrimento das frias descrições, deixadas em segundo plano. Em diferentes cenários e sob várias vozes narrativas, os contos carregam ora o peso da fatalidade cotidiana, ora da tranqüilidade enfadonha. É assim em &lt;em&gt;Medo&lt;/em&gt;, quando um taxista, ex-torturador da Polícia Militar, percebe que seu passageiro é também seu ex-torturado. E o conflito desse reencontro inesperado se exterioriza pelos reflexos do espelho. “Pelo retrovisor, vi seus olhos verdes, tensos, quase suplicantes, como que em busca de um registro, um detalhe que conectasse a voz que o angustiara a um rosto, a um episódio”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/Pensa3-2.0.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/Pensa3-2.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Na economia descritiva, o leitor identifica com rapidez o mundo antagônico dos personagens, como no conto &lt;em&gt;Belino&lt;/em&gt;, em que um policial rodoviário chora em público, com o revólver na mão, pela morte de seu passarinho congelado de frio, graças ao esquecimento de um subordinado. Quando a indiferença dos colegas se choca com o intenso sofrimento do guarda, Kiefer confronta universos psicológicos bilaterais. “Que horror, pensei, o velho deu alpiste ao canário por mais de uma década, e deu água. E limpou a gaiola, todos os dias (...) Meu Deus, a vida num posto da Polícia Rodoviária Federal é a coisa mais monótona do mundo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outros momentos, elementos fantásticos se misturam ao realismo, como nos contos &lt;em&gt;Lídia e o Rabino&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Rosa Rosarum&lt;/em&gt;. Este último é uma tentativa de reconstruir as origens da "Biblioteca de Babel", conto universal do argentino Jorge Luis Borges – um verdadeiro quebra-cabeça literário. Aliás, Kiefer não esconde a admiração pelos autores que mais influenciam sua obra, entre eles Franz Kafka, &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=1974" target="_blank"&gt;Anton Tchekov&lt;/a&gt;, além do próprio Borges. Inclusive um dos contos do livro, "Insônia", traz como personagem ninguém menos que Tchekov, na pele de Antocha Tchekonté.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que Kiefer faça questão de preservar seu patrimônio regional na literatura, como a ideologia agrária dos gaúchos e o uso do “tu” em todos os textos, já estava na hora de apresentar, com projeção nacional, o rigor narrativo desse descendente de alemães, nascido em uma pequena cidade do Rio Grande do Sul, Três de Maio. Embora desconhecido na maior parte do território brasileiro, não se pode dizer que a visibilidade com a Record vai colocá-lo no time das revelações, hoje ocupado por uma leva de novos autores. Kiefer pertence a uma categoria bem mais segmentada. Mais precisamente, a dos veteranos regionais em expansão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais Laporta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Publicado no &lt;em&gt;Digestivo Cultural&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-115384732791087932?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/115384732791087932/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=115384732791087932' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/115384732791087932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/115384732791087932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/07/literatura-universal-do-sul.html' title='Literatura universal do Sul'/><author><name>Tais Laporta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15012070315502777241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-115322837876034067</id><published>2006-07-18T09:04:00.000-04:00</published><updated>2006-07-18T13:17:35.386-04:00</updated><title type='text'>Rumos do Cinema Político Brasileiro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;CINEMA* &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As diversas formas de representação de crimes políticos pelo cinema nacional já foram bastante exploradas, principalmente no que diz respeito ao período mais sombrio da nossa história: a ditadura. A ficção &lt;em&gt;Quase Dois Irmãos&lt;/em&gt;, de Lúcia Murat, e o documentário &lt;em&gt;Vlado – 30 Anos Depois&lt;/em&gt;, de João Batista de Andrade, são dois exemplos e ajudaram a compor a mostra &lt;em&gt;Encontro com o&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Cinema Brasileiro – Crimes Políticos no Cinema&lt;/em&gt;, realizada pelo Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo de 22 a 25 de junho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/562006062011475415veiasvinhosd.3.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/562006062011475415veiasvinhosd.3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A Mostra também exibiu pérolas nacionais como &lt;em&gt;Terra em Transe&lt;/em&gt;, de Glauber Rocha, além de filmes recentes que fazem alusão ao estado de corrupção que se formou em Brasília, como &lt;em&gt;Brasília 18%&lt;/em&gt;, de Nelson Pereira dos Santos, e &lt;em&gt;Bens Confis&lt;/em&gt;cados, de Carlos Reichenbach. Também promoveu, inclusive, uma estréia: &lt;em&gt;Veias e Vinhos&lt;/em&gt;, de João Batista de Andrade, prevista para entrar nos circuitos ainda este ano, seguida de um debate com o autor. Atual secretário de cultura do Estado, João Batista pode ser considerado um dos cineastas brasileiros mais engajados politicamente, ao lado de Nelson Pereira dos Santos. Mas levou este engajamento até as últimas conseqüências ao se fundir a ele e ter se tornado um homem público, que vê o atual governo como "democrático, mas com um problema grave de segurança" e que tem "pela primeira vez uma política cultural no Estado, que já distribuiu mais de 200 editais de projetos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escritor, roteirista e cineasta, João Batista reúne uma vasta produção de documentários e ficção, todos com temas ligados à ditadura e política. Um deles, &lt;em&gt;Doramundo&lt;/em&gt;, sobre o Estado Novo, foi produzido em 78 e premiado em Gramado. &lt;em&gt;Veias e Vinhos&lt;/em&gt; faz parte de uma produção própria durante os anos de chumbo, muitas vezes inacabada e adiada. Talvez uma das mais marcantes seja &lt;em&gt;O homem que virou suco&lt;/em&gt;, de 81, que apresenta a anistia e a luta por uma identidade nacional. Na esteira desta obra, há &lt;em&gt;A próxima vítima&lt;/em&gt; (82), sobre a relativa abertura política, e &lt;em&gt;Céu Aberto&lt;/em&gt; (86), que retrata a morte de Tancredo Neves. Na época, João Batista dependia de recursos da União Nacional dos Estudantes (UNE) para viabilizar suas produções até que a entidade foi invadida pelos militares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois ter falado do tenentismo em 87, com &lt;em&gt;Veias e Vinhos&lt;/em&gt;, o cineasta volta ao período da ditadura, época de sua formação, rememorado a morte do jornalista Vladimir Herzog, com quem produziu o programa da TV Cultura &lt;em&gt;A Hora da Notícia&lt;/em&gt;, em 1972, nos porões do DOI-CODI em 2005. Adaptação do romance de mesmo nome, de autoria do escritor goiano Miguel Jorge, ele é baseado em fatos reais ocorridos em Goiânia, em 1950. Na época, desconhecidos invadiram uma casa e mataram um casal e seus cinco filhos, deixando viva apenas uma menina de dois anos. Manipulado por políticos, o crime continua sem solução e deixou moradores em pânico ao tentar produzir culpados às custas de torturas policiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Batista enfatiza que o filme foi produzido com poucos recursos, dependente da criatividade do figurino e cenografia. Efetivamente, o longa se passa praticamente em apenas um ambiente: o bar do casal de protagonistas Simone Spoladore e Leonardo Vieira. Mas consegue ser singelo e contornar esta dificuldade ao criar uma narrativa linear, mas tensa, com uma boa fotografia. Juscelino Kubitschek está no poder, que logo será tomado por Jânio Quadros. É uma prévia do que seria o golpe de Estado liderado pelos militares e toda a violência policial que traria consigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nível de inconsciência da população brasileira em &lt;em&gt;Veias e Vinhos&lt;/em&gt; é veemente e é ele que João Batista considera o ponto de ligação entre todos os seus filmes da época. O protagonista, representado por Leonardo Vieira, é um típico cidadão brasileiro que sonha com o Brasil moderno e desenvolvido prometido por Juscelino. Ele procura uma casa na beira do lago, na Brasília em construção, e ajuda a todos os subversivos que encontra, mesmo que sua visão política seja reduzida, o que o torna um pouco caricatural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Batista explora a metáfora política no cotidiano da família retratada através de um simples e inocente gesto do protagonista. Admirador de políticos, ele ostenta em seu bar o quadro de Juscelino, que teima sempre em pender para o lado e ganha um companheiro com o fim de seu mandato: Jango, desconsiderando-se todas as contradições existentes entre os dois personagens. A vida do casal é abalada por um delegado lacerdista, freqüentador do bar, que remói a derrota para JK e tem os brios feridos pelo quadro exposto. Caçador de subversivos, ele é provocador e quer mostrar serviço ao "alto comando", revelando uma hierarquia e interferência entre poderes que envenenou os anos de chumbo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O diretor acerta ao criar uma situação dúbia e surpreendente, onde nada é o que aparenta e os fatos podem ser utilizados mais contra do que a favor das pessoas que o envolvem. Desconfia-se de tudo e todos e testamos nossos pré-conceitos da época a cada instante. João Batista não coloca a culpa apenas na polícia, braço de um duro regime, mas retrata a situação econômica e alienação de uma sociedade corrompida e como ambas se fundiam com o novo regime, criando uma situação explosiva. O final já é conhecido por todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*publicada no &lt;em&gt;Digestivo Cultural&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marília Almeida &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-115322837876034067?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/115322837876034067/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=115322837876034067' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/115322837876034067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/115322837876034067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/07/rumos-do-cinema-poltico-brasileiro.html' title='Rumos do Cinema Político Brasileiro'/><author><name>Marília Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02526254334606663899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://tipos.com.br/media/7/20030417-ava%20gardner%207.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-115266238153153287</id><published>2006-07-11T19:59:00.000-04:00</published><updated>2006-07-11T21:06:03.726-04:00</updated><title type='text'>TV Made in Brazil</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;TELEVISÃO*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/IMG_0737x.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" height="297" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/IMG_0737x.jpg" width="216" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A TV aberta no Brasil é uma das mais fechadas do mundo para as produtoras independentes. Ao contrário dos países Europeus, aqui, o governo não fornece subsídios para a produção de ficção ou documentários destinados à televisão (as leis de incentivo ao audiovisual beneficiam tão somente o cinema) e as grandes emissoras não pretendem investir um tostão em negócios desse tipo. No entanto, se por um lado o cenário nacional é desolador, por outro, países estrangeiros estão de braços abertos para fazer parcerias e co-produções que beneficiem ambas as partes. E, ao que tudo indica, esse elo está começando a dar certo: foi a impressão deixada durante o &lt;a href="http://www.mitv.com.br/" target="_blank"&gt;1º MITV – Mercado Internacional de Televisão&lt;/a&gt;, evento que integra o calendário internacional de conteúdos para televisão, realizado nos dias 05 e 06 de junho, em São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O exemplo mais nítido de como nossas produtoras aprendem a driblar a falta de incentivos nacionais é a exportação de seus projetos. Para tanto, a ABPI-TV – &lt;em&gt;Associação Brasileira de Produtores Independentes para Televisão&lt;/em&gt;, alavancou uma idéia inusitada: criou o &lt;em&gt;Brazilian TV Producers&lt;/em&gt;, marca internacional que divulga os projetos brasileiros para canais do mundo todo, como esclarece o presidente da entidade, Fernando Dias. “Queremos levantar fundos para co-produções, aproveitando o interesse de países como França, Alemanha, Espanha e Itália, que recebem subsídios generosos para produções desta natureza”. A missão, desde então, tem indicado números positivos. O país fechou acordo com 13 países e levantou quantias superiores a U$ 24,5 milhões para o setor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, se é perfeitamente satisfatório que algumas produtoras brasileiras estão desenvolvendo ficção e documentários de peso para gigantes como &lt;em&gt;National Geografic&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Discovery Channel&lt;/em&gt;, é também um desalento notar que os canais nacionais não investem um centavo em conteúdos independentes, repetem as mesmas fórmulas e copiam padrões estrangeiros. “A disparidade entre o que é oferecido pelas produtoras e as expectativas dos canais de televisão é colossal. Formatos com viabilidade comercial ainda são os programas diários de auditório, que atraem receita de anunciantes, e as telenovelas, que sempre são um bom negócio”, aponta, com sinceridade, Marcelo Parada, vice-presidente da TV Bandeirantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doa a quem doer, o panorama atual do mercado de televisão é o seguinte: enquanto os canais internacionais estão de olho em projetos com qualidade de conteúdo (Michella Gioretti, diretora de produção da &lt;em&gt;Discovery&lt;/em&gt; aconselhou os brasileiros a trazerem “coisas novas, fatos que estão mudando a história”), a TV brasileira continua se gabando pelo modelo exportador de suas novelas e &lt;em&gt;reality shows &lt;/em&gt;de audiência exorbitante, ao passo que rejeita a chamada “programação especial para o cabo”. Ainda assim, numa terra onde a qualidade não atrai público nem receita, as produtoras independentes tentam reverter o quadro transformando água em vinho, isto é, adaptar a mentalidade de equipes inteiras que estão voltadas, por razões comerciais, ao mercado publicitário e, em menor escala, ao cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/IMG_0769.0.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;Michella Gioretti, da Discorevy Channel: prioridade para o conteúdo&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Carla Affonso, diretora geral da &lt;em&gt;Endemol Globo&lt;/em&gt;, conta que quando a empresa fechou uma parceria com um canal Francês para filmar nas matas do Brasil, as equipes locais tiveram dificuldades. “A mão-de-obra para formatos inusitados deixa a desejar no Brasil. Aqui é mais cinema”, admite. Apesar de as empresas de TV nacionais só importarem modelos do exterior, como reconhece Carla, elas também precisam se reinventar. Para tanto, estão aprendendo a lidar com multi-plataformas – a introdução de novas mídias na programação. “Os portais de voz e outros aplicativos de interação com o espectador agregam audiência e dinheiro”, constata a diretora, citando o exemplo bem sucedido do &lt;em&gt;Big Brother Brasil&lt;/em&gt; no mercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Produtos deste tipo compõem a fórmula comercial mais lucrativa para as TVs abertas, um panorama bem diferente dos canais a cabo, que ainda priorizam o conteúdo. Mas o Brasil começa a se aventurar timidamente pelas bandas das multinacionais. Uma experiência recente mostrou como é possível aproveitar brechas na legislação brasileira para efetivar parcerias: em 2005, a Conspiração Filmes produziu para a &lt;em&gt;HBO&lt;/em&gt; a primeira série de ficção brasileira em um canal a cabo, &lt;em&gt;Mandrake&lt;/em&gt;, protagonizada por Marcos Palmeira. O projeto só aconteceu graças ao artigo 39 da legislação federal, que prevê uma verba especialmente destinada para co-produções em canais a cabo. “É a programação local de TV que faz o mercado crescer”, acredita o sócio da produtora, Leonardo de Barros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro exemplo de que nem tudo está perdido para as produtoras de TV nacionais, é o &lt;em&gt;Documenta Brasil&lt;/em&gt;, uma parceria entre ABPI-TV, SBT, Ministério da Cultura e Petrobrás que vai financiar projetos de documentários exclusivos para a televisão aberta com R$ 2,5 milhões. Em um país que não recebe subsídios deste tipo e cuja população, em sua maioria, não tem acesso a canais pagos, a iniciativa é um passo gigantesco. Mas incentivos não significam total liberdade de conteúdo, como adverte Eric Michel, produtor executivo da canadense FRV Entertainment Internacional. “O projeto sempre deve se adequar ao formato do canal, e uma co-produção exige que ambas as partes interfiram em sua essência”. Marcelo Parada, da Band, lembra que muitos documentários jornalísticos independentes são aproveitados por telejornais ingleses, o que não acontece aqui, onde o editorial é muito preservado, motivo que limita as co-produções jornalísticas. “Se queremos qualidade, devemos estar a favor da multiplicidade de opiniões e contra o monopólio”. Se um representante da TV aberta faz afirmações deste tipo no Brasil, é sinal que avanços podem despontar de alguma direção? É o que veremos no próximo MITV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais Laporta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Publicado no &lt;em&gt;DigestivoCultural.com&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-115266238153153287?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/115266238153153287/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=115266238153153287' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/115266238153153287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/115266238153153287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/07/tv-made-in-brazil.html' title='TV Made in Brazil'/><author><name>Tais Laporta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15012070315502777241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-115203904813358210</id><published>2006-07-04T14:06:00.000-04:00</published><updated>2006-07-05T09:27:57.086-04:00</updated><title type='text'>Desfeito como pó</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;CINEMA&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/ask_dust.1.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/ask_dust.1.jpg" border="0" /&gt; &lt;/a&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Adaptações literárias para o cinema nunca são bem recebidas pelos respectivos leitores, ferrenhos defensores dos preciosos originais do autor em questão. O debate é quase sempre envolto de um purismo sem sentido. Ele já andou acontecendo na adaptação de best-sellers de Dan Brown, &lt;em&gt;Código da Vinci&lt;/em&gt;. O cerne do problema é que a linguagem cinematográfica exige um resumo e uma certa compressão de devaneios literários que podem arrepiar os fãs mais calorosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso também acontece com &lt;em&gt;Pergunte ao Pó&lt;/em&gt;, adaptação do romance homônimo publicado em 39 de John Fante. Visto com desdém pela crítica nacional, o acalentado sonho de 30 anos de Peter Towne parece ser facilmente desfeito. Ganhador do Oscar por &lt;em&gt;Chinatown&lt;/em&gt;, que também retrata o período da depressão e a cidade de Los Angeles, Towne conheceu Fante nas filmagens e logo quis levar seu romance a cabo nos cinemas. Após um caminho tortuoso, de troca de autores e burocracias quanto aos direitos autorais do romance, Towne dirige em parceria com Tom Cruise, que mais uma vez se envereda pelos caminhos da produção. Colin Farrel e Salma Hayek foram enfim escolhidos para o papel do casal de protagonistas, Arturo Bandini e Camilla Lopez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No auge da depressão da década de 30, o escritor descendente de italianos Bandini, alter-ego do autor, vive às voltas com algo que o atormenta: escrever uma grande obra e alcançar o reconhecimento. Ganhando trocados em troca de pequenos contos em uma Los Angeles sóbria, segue sonhando até conhecer a imigrante mexicana Camilla, garçonete do Café Columbia. O que começa como uma relação de troca de insultos culmina inevitavelmente em um romance de dois opostos à primeira vista, mas que teimam em se manter juntos, como dois marginais que só têm um ao outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme soa muito bem em sua maior parte, pois consegue manter o clima entediante onde Bandini está inserido e mergulha cada vez mais enquanto luta por idéias grandiosas que nunca aparecem. Sua amante, Vera, interpretada por Idina Menzel, é uma das boas surpresas da primeira parte do longa. Uma relação tocante e tensa que se desenvolve entre os protagonistas se delineia na tela em belas cenas, como a ida do casal à praia, à noite. Os diálogos e atuações não ficam devendo muito ao original. Apenas a distância suficiente em se tratando de uma adaptação literária que, inevitavelmente irá ser analisada de maneira complexa e muito subjetiva.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/salma_hayek1.2.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Ao se caracterizar como um romance de um autor que fez parte de um movimento que quebrou padrões estéticos e revolucionou a escrita ao tocar em temas vulgares como o ofício pouco valorizado do escritor, a depredação econômica nacional e o clima de desesperança que o envolveu, Towne não poderia simplificá-lo na questão racial do grande fluxo de imigrantes da época. A simples idéia de dar atualidade a uma época tão singular na história dos Estados Unidos soa forçada e se caracteriza como uma tentativa de soar moralmente defensável ao jogar a culpa dos problemas nos próprios personagens, em uma época de grandes greves de imigrantes no país, vide 1º de maio. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Não que os personagens não vivenciem o drama e ele não esteja no principal foco do romance de Fante, mas é que a atenção ao tema se torna tão veemente que acaba por quebrar o encanto de um filme simples e singelo. O ápice deste deslize pode ser verificado no final do longa de Towne, que acaba por distorcer e mudar o romance de Fante, assim como a atuação dos personagens, que também se perde. A crise existencial do escritor e o pano de fundo do romance, marcante nas reflexões de Bandini na cena do terremoto, muito pouco explorada, são deixadas para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez a resposta para esta guinada resida na dificuldade encontrada por Towne para conseguir financiamento para o filme e até mesmo o dedo de Tom Cruise na produção. Diretores são obrigados muitas vezes a tornar o filme mais apetecível ao público do cinema. Mas Towne não consegue nem um nem outro: é um filme B que tenta com desespero chegar ao status de filme A. Uma pena. Poderia ter continuado onde está e teria feito uma bela adaptação de um dos romances mais marcantes da desilusão que se constituiu a Depressão Estadunidense, o que o firmaria como um contemplador do tema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marília Almeida &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-115203904813358210?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/115203904813358210/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=115203904813358210' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/115203904813358210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/115203904813358210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/07/desfeito-como-p_115203904813358210.html' title='Desfeito como pó'/><author><name>Tais Laporta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15012070315502777241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-115117096076964256</id><published>2006-06-24T12:44:00.000-04:00</published><updated>2006-06-24T13:44:26.226-04:00</updated><title type='text'>O livro que deu a "Volta ao Mundo"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;LITERATURA&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/planetazul.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" height="190" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/planetazul.jpg" width="185" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/IMG_1443x.jpg"&gt;&lt;/a&gt;Inúmeros clássicos da ficção se tornam clássicos não apenas pela originalidade frente a seu tempo, mas, sobretudo, pela ousadia de empreender uma trama baseada em hipóteses que futuramente podem soar ridículas. É o caso da obra-prima de Júlio Verne, escrita em 1873, &lt;em&gt;A Volta ao Mundo em Oitenta Dias&lt;/em&gt;, uma das primeiras que inspirariam milhares de livros e filmes de entretenimento consumidos pela posteridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas qual o atrativo de tal aventura terrestre, se um avião pode circundar o globo em menos de 72 horas? A verdade é que, 200 anos depois do lançamento da ficção (que hoje caberia em um reality show), não deixa de ser incrível a saga de Filleas Flog, um inglês que apostou altas quantias em dinheiro para vencer o desafio de percorrer o mundo em dois meses e meio – um abuso para os cálculos da época.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/jul2.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;Júlio Verne e seu universo fantástico&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Acompanhado de seu dócil criado, o francês Jean Passepartout, o apostador atravessa oceanos a navios a vapor, estradas a trem, selvas a pé e até em um elefante. Tudo cronometricamente planejado para que, em 80 dias, Filleas Flog esteja novamente em seu ponto de partida, Londres, ao encontro de seus desafiantes. Mas como toda boa aventura, o inglês encontra uma série de empecilhos que provocam o atraso da viagem. E como se a história tivesse bem menos que 200 anos, os ingredientes de qualquer filme de ação convencional podem ser encontrados na obra de Júlio Verne: a mocinha, na pele de uma jovem indiana, é salva pelo herói – o personagem principal – que a livra de ser morta, em plena viagem, por tribos religiosas nas selvas orientais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para encontrar a qualidade ímpar do livro, é preciso se despojar de qualquer esperança hiper-realista, e, naturalmente, considerar o contexto social em que foi escrita a ficção: é claro que Verne não dispensa pitadas de romantismo logo nos momentos quando tudo parece perdido. Em outras palavras, nada que a sorte extrema ou o dinheiro inesgotável não resolvam, seja uma ajuda inesperada e improvável que cai do céu, seja um suborno que convence qualquer personagem a adiantar a viagem do inglês – neste ponto, o ser humano prova que é universal. Quem não gosta de histórias que abusam da sorte, no entanto, pode se decepcionar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixando de lado a aventura quase fantástica em volta do planeta, a graça do livro encontra-se exatamente na sua curiosa arquitetura, que não passa de uma alegre brincadeira matemática, do início ao fim. Levando-se em conta as limitações da época, a baixa velocidade dos trens e navios do século XIX tornam a aventura mais eletrizante – tamanha lentidão que os tempos modernos destruiriam sem esforço: qualquer tentativa de vencer o espaço antes do tempo em nosso século é prontamente atendida pela velocidade do avião, esse estraga-prazer. Não podemos nos dar ao luxo de percorrer o globo em 80 dias e virarmos heróis. Mas o personagem de Júlio Verne pode. Aí reside o espírito de um clássico. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Tais Laporta&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-115117096076964256?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/115117096076964256/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=115117096076964256' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/115117096076964256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/115117096076964256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/06/o-livro-que-deu-volta-ao-mundo.html' title='O livro que deu a &quot;Volta ao Mundo&quot;'/><author><name>Tais Laporta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15012070315502777241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-115023164560558433</id><published>2006-06-13T16:37:00.000-04:00</published><updated>2006-06-13T16:56:31.843-04:00</updated><title type='text'>Dez anos e várias solidões</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;TEATRO*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na ocasião dos dez anos da morte do escritor e jornalista gaúcho Caio Fernando Abreu, além da reedição de alguns de seus livros, a peça &lt;em&gt;B, Encontros como Caio Fernando Abreu&lt;/em&gt;, que estreou no Centro Cultural Fiesp no dia 2, é mais uma das ações que marcam o ano e reacendem sua memória. Encenada pelo Núcleo Experimental de Artes Cênicas do Teatro Popular do Sesi-SP, sua temporada segue até o dia 27 de agosto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seu diretor, Francisco Medeiros, premiado nome da cena teatral contemporânea, frisa a importância da manutenção do Núcleo Experimental em meio a um mercado com poucos incentivos. Configurado em oportunidade para jovens atores em começo de carreira, ele consiste em cursos de dois anos de duração, que terminam com uma montagem profissional no Mezanino do Centro Cultural. Dirigido ao público jovem, o Núcleo já apresentou cinco peças desde sua formação, entre elas &lt;em&gt;Motorboy&lt;/em&gt;, de Aimar Labaki e direção de Débora Dubois, e &lt;em&gt;Romeu e Julieta&lt;/em&gt;, peça shakesperiana dirigida por William Pereira. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A jovem dramaturga Lucienne Guedes, chamada para participar do projeto em fevereiro, explica que teve um reencontro com a literatura do escritor gaúcho. Segundo ela, estes encontros, premeditados ou naturais, feitos em processo colaborativo com todo o elenco e equipe, são o foco da peça.&lt;em&gt;B, Encontros com Caio Fernando Abreu&lt;/em&gt; é marcada pelo fragmentado, insights de sua obra e lembranças de sua morte. A própria encenação no mezanino do Centro Cultural, um corredor de 45 metros onde cabem apenas 50 espectadores, reforça a idéia da via, estrada onde os personagens se encontram e, muitas vezes, se separam. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Baseada em livros como &lt;em&gt;Morangos Mofados&lt;/em&gt;, um dos maiores sucessos editoriais da década de 80, e &lt;em&gt;Triângulo das Águas&lt;/em&gt;, que ganhou o Prêmio Jabuti de melhor romance, entre outros, seu elenco jovem se encaixa eficientemente em temas como a solidão, a censura política e a busca pela dignidade e uma vida regrada. A destacada atuação de Alex Gruli, como o mendigo narrador e participante das histórias, traduz a eloqüência e crueza da obra do escritor. As atuações são complementadas por uma trilha sonora bem selecionada e mistura elementos do rock e MPB, a maioria canções cantadas ao vivo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entre contos, romances, poesias, peças teatrais e crônicas nos principais jornais e revistas do país, Caio Fernando Abreu sempre esteve situado na intensidade do momento presente, reflexo de sua vida breve, pois morreu de complicações provocadas pelo vírus da AIDS aos 47 anos. Seus contos, publicados sob o Regime Militar, foram proibidos, considerados demasiadamente obscenos. Apesar das diferenças, todos os seus personagens são caracterizados pela paixão e inconseqüência, impulsionados pela traição, abandono, rejeição, morte e medo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Daí se pode pensar que a peça, assim como a obra de Caio Fernando, é uma apologia do niilismo. Mas o próprio autor sempre viu a marginalização da sociedade como algo que pode ser transposto, apesar de dar o título cruel de um de seus maiores sucessos, &lt;em&gt;Morangos Mofados&lt;/em&gt;, à juventude de sua época. Principalmente neste romance e em &lt;em&gt;Triângulo das águas&lt;/em&gt;, as situações adversas de seus personagens os impelem a progredir. O mesmo acontece na peça, que tem uma reviravolta inesperada e o prisma de dois ângulos, opostos que se complementam. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao lado de belas cenas, algumas necessitam talvez de maior contextualização e embasamento, mas esta crítica é contornada pelo argumento de seu diretor, que afirma que o texto está em sua segunda versão e é um espetáculo em processo, longe de estar finalizado. Assim como as homenagens a este escritor, que traduziu uma geração que encontra muitos reflexos na moderna. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*publicada no &lt;em&gt;Digestivo Cultural&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Marília Almeida&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-115023164560558433?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/115023164560558433/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=115023164560558433' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/115023164560558433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/115023164560558433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/06/dez-anos-e-vrias-solides.html' title='Dez anos e várias solidões'/><author><name>Marília Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02526254334606663899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://tipos.com.br/media/7/20030417-ava%20gardner%207.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-114965198517610961</id><published>2006-06-06T23:04:00.000-04:00</published><updated>2006-07-04T15:41:22.366-04:00</updated><title type='text'>As gangorras de Hatoum</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/milton_hatoum_268_145.1.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/milton_hatoum_268_145.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;LITERATURA*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Milton Hatoum já é um escritor “meio” novo. Apesar de &lt;em&gt;Dois Irmãos&lt;/em&gt; ter sido considerado por críticos literários o melhor romance brasileiro dos últimos quinze anos, ele já é visto como um escritor conservador diante da experimentação da nova geração, composta por autores como Sérgio Sant'Anna e Marçal Aquino. Mas, às vezes, é mais eficiente beber na fonte de clássicos como Falkner. E Hatoum o faz sem pestanejar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele inova ao situar o romance em Manaus, na Amazônia da década de 50 e 60, e colocar como protagonista seus imigrantes árabes. Yaqub e Omar são irmãos gêmeos descendentes destes imigrantes. Do seu nascimento até os conflitos que progressivamente abrem um abismo entre eles, temos como pano de fundo a rápida expansão regional do comércio portuário, que tem seu ápice em pleno regime militar, quando imigrantes de todo país chegam à região em busca de abrigo. As mudanças e características dos bairros, os meios de transporte precário para cruzar o rio, os índios retirados de suas tribos e usados como empregados enriquecem o livro e mostram um Brasil pouco explorado na nossa literatura e, contraditoriamente, em estado bruto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dois opostos e um conflito. &lt;em&gt;Dois Irmãos&lt;/em&gt;, lançado em 2000 e relançado este ano em edição de bolso pela Cia. das Letras, não é o único romance no qual Hatoum utiliza-se desta fórmula. &lt;em&gt;Cinzas do Norte&lt;/em&gt; já contou a história de Mundo e Arana, dois intelectuais, um revolucionário amoral e um autocrítico moral. Yaqub e Omar são, respectivamente, a figura do ambicioso e a do imediatista, do racional e do irracional. Mas são os adjetivos patriota e subversivo que os tornará, inevitavelmente, perigosos um para o outro em tempos de plena ditadura. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A partir desta oposição, há o conflito inevitável. E, assim como em &lt;em&gt;Cinzas do Norte&lt;/em&gt;, está sempre subentendido que a união dos dois opostos, tão requeridos pela irmã dos gêmeos, seria perfeita e ideal. O que era para ser apenas um conflito entre os dois envolve todos ao redor. O único que sai ileso e observa toda a degradação dos personagens do olho do furacão é o narrador, figurante com pouca ou nenhuma influência sobre os fatos e que vai sendo descoberto aos poucos. Tudo o que sobra é, como o autor bem resume em entrevista ao Digestivo, "a memória inventada da tribo".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 158px; CURSOR: hand; HEIGHT: 141px; TEXT-ALIGN: center" height="160" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/mhatoum.jpg" width="187" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O romance é permeado por um fio de tensão que nunca se arrefece. Fino, mas resistente e angustiante. Ao final, é desalentador. Não há soluções prontas e toda a tentativa dos personagens de se entenderem e viverem harmoniosamente vai sendo desconstruída aos poucos, como uma lenta tortura. Não há esperanças e isto pode se tornar um pouco exagerado e enfadonho, ainda mais quando se trata de uma família e eventos que, aparentemente, não mudariam a visão de uma pessoa com relação a outra ou criaria ódio. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas os personagens de Hatoum são fortes e dúbios. Puro sentimento e paixão. Portanto, perfeitamente humanos, oscilando entre o oito e o oitenta. Não temos como concordar totalmente com nenhum deles. Acabamos por cair na mesma armadilha que eles próprios: raspamos na intolerância com relação ao outro. E, ao fechar o livro, ficamos nos perguntando o porquê. E a resposta teima em se afastar de nosso raciocínio, indefinidamente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dois Irmãos é seu segundo livro, demorou dez anos para ser publicado e o foi nos Estados Unidos, Inglaterra, França, Itália, Espanha, Portugal, Alemanha, Holanda, Grécia e Líbano. Seu romance anterior, &lt;em&gt;Relato de um certo Oriente&lt;/em&gt;, ganhou o Prêmio Jabuti de 1990. Autor que se inibe com o sucesso, Hatoum é autocrítico e, apesar de ter passado sua infância em Manaus, declara separar bem sua biografia e obra. E não tem vergonha de assumir seu embasamento proveniente dos bons e velhos clássicos. Boa respirada e surpresa em meio a calorosa discussão sobre os novos autores nacionais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Marília Almeida&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* publicado no &lt;em&gt;Digestivo Cultural&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-114965198517610961?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/114965198517610961/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=114965198517610961' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114965198517610961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114965198517610961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/06/as-gangorras-de-hatoum.html' title='As gangorras de Hatoum'/><author><name>Marília Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02526254334606663899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://tipos.com.br/media/7/20030417-ava%20gardner%207.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-114934522744679166</id><published>2006-06-03T10:26:00.000-04:00</published><updated>2006-06-06T18:06:32.030-04:00</updated><title type='text'>O melhor do lado B</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;MÚSICA*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/DSC_4103.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/DSC_4103.0.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Se estivessem vivos, os velhos mestres da MPB certamente ficariam orgulhosos em testemunhar a redescoberta de pérolas musicais desconhecidas. Os amantes de raridades, pelo menos, já podem comemorar: a seleção de um repertório singular se concretizou com o casamento de flauta e piano no recente CD homônimo dos instrumentistas Andréa Ernst Dias e Tomás Improta, lançado pela Biscoito Fino. O álbum reúne somente o melhor do lado B dos principais compositores, com gêneros que passam pelo choro, bossa-nova, jazz, erudita e terminam no impressionismo francês. O resultado do trabalho pôde ser conferido no show de lançamento do disco, no Sesc Avenida Paulista, em São Paulo. Os músicos subiram ao palco no último dia 9 de maio, durante o Instrumental Sesc Brasil, projeto que reúne a cada semana vertentes consagradas da MPB. &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O álbum não se limita ao virtuosismo da dupla de intérpretes, veteranos no cenário musical, mas traz como carro-chefe as facetas desconhecidas de grandes compositores: um Tom Jobim mais denso e obscuro (“Estrada Branca”), Jacob do Bandolim com uma graça inédita (“Cristal”) e Moacir Santos como pouco se viu (“Coisa 9”). O repertório traz ainda Edu Lobo e Chico Buarque (“Choro Bandido”), Pixinguinha (“Só para mim”), Villa-Lobos (“Saudades da Minha Vida”), Garoto (“Meditando”), Dorival Caymmi (“Horas”) e Gabriel Fauré (“Après Un Revê”). "Escolhemos as melhores e mais raras melodias exploradas pela flauta", explica Andréa, acostumada a acompanhar orquestras de câmara e rodas de choro desde pequena. Confiante no trabalho ímpar realizado pelo pianista, ela completa: "Tomás privilegiou harmonias refinadas, realçadas com propriedade nos seus arranjos".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sem contestações, Improta mostra que possui maturidade de sobra para improvisar ao piano, imprimindo grande intensidade musical com um tom incisivo e marcante. Além de gravar ao lado de Caetano Veloso, Djavan, Nara Leão, Luiz Melodia, Baden Powell e Chico Buarque, o pianista conhece profundamente a MPB e o jazz, é jornalista, protagonista de uma série de discos solo e escritor de livros didáticos sobre música. Sob a luz do palco, é notável que sente os arrepios provocados pelos acordes na platéia. A parceria com a flautista carioca só poderia resultar em uma bela harmonia de contrários, já que ambos traçaram percursos distintos na música, ainda que, juntos, conseguiram equilibrar emoção e disciplina no tempo certo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/DSC_4060.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Edu e Moacir gostaram muito do que ouviram", garante Andréa em resposta ao balanço inicial do álbum. Cuidadosa e concentrada, ela demonstra uma intimidade perfeita com a embocadura da flauta. Emite vibratos (ondulações no som) incorrigíveis, mérito dificílimo para um instrumento com grande desigualdade de registros. Para ressaltar, os flautistas devem possuir domínio absoluto sobre os agudos, extremamente sensíveis a variações, bem como o controle correto da respiração pelo diafragma, e, ainda, sensibilidade para qualquer alteração na afinação. O próprio Pixinguinha (a quem os músicos fazem questão de dedicar o álbum), gigante do choro e merecedor do título de maior flautista do Brasil, quando adoeceu, nunca mais conseguiu recuperar o domínio do instrumento, motivo que o obrigou a trocar a flauta pelo saxofone, tamanha a sua complexidade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/DSC_4060.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/DSC_4060.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O disco é o primeiro trabalho solo da flautista, dona de um portfolio musical abrangente, com destaque para a participação no &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=1902" target="_blank"&gt;último CD de Chico Buarque&lt;/a&gt;, Carioca, que também leva o selo da Biscoito Fino. A escolha do repertório foi conseqüência de um concerto apresentado pela dupla no Rio de Janeiro. "Grandes músicos como Fauré, Cole Porter e Villa-Lobos compuseram inicialmente suas canções para voz e piano. São serestas incontáveis, praticamente inéditas de tão desconhecidas", revela Improta, que criou novos arranjos para os originais, substituindo a voz pela flauta. Adaptações também marcam a tônica do álbum, como aponta Andréa. "Decidimos adequar o choro tradicional de Pixinguinha para uma levada de tango, e o clima da canção de Tom Jobim, desconhecida inclusive para seguidores da bossa-nova, ganhou uma envoltura semelhante à new age." A façanha para o improviso é tão notável quanto a disciplina, o que permite a alternância de funções entre flauta e piano, ora melodia, ora percussão. Tais propriedades só poderiam resultar em uma sonoridade fascinante. Mérito raro, ainda mais nestes tempos, quando nem os revivals de mega-clássicos parecem dar um gás na saturação criativa das últimas décadas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;* Publicado no DigestivoCultural.com&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-114934522744679166?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/114934522744679166/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=114934522744679166' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114934522744679166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114934522744679166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/06/o-melhor-do-lado-b.html' title='O melhor do lado B'/><author><name>Tais Laporta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15012070315502777241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-114886754049623332</id><published>2006-05-28T21:26:00.000-04:00</published><updated>2006-05-30T00:00:10.076-04:00</updated><title type='text'>Além de Márquez: a epopéia de uma utopia</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2820/2376/1600/vargas_llosa.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2820/2376/320/vargas_llosa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;LITERATURA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando o Peru se fodeu? Em tempos de uma eleição conturbada no país, a ser realizada no dia 4 de junho, esta pergunta não poderia ser mais pertinente. Vistoriada pela Organização dos Estados Americano devido a suspeitas de fraude em seu 1º turno, que deu o favoritismo à Alan García, ex-presidente do país em um governo involto por denúncias de corrupção entre 1985 e 1990, ela é disputada pelo tradicional Partido Aprista Peruano de Alan e o nacionalista União pelo Peru, de Ollanta Humala. Apesar de seu caráter atual, ela foi indagada em 1972 pelo escritor peruano Mario Vargas Llosa. É assim que o protagonista de sua obra-prima, &lt;em&gt;Conversa na Catedral&lt;/em&gt;, começa sua epopéia utópica. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O livro poderia bem ser uma antípoda de &lt;em&gt;Cem Anos de Solidão&lt;/em&gt;, do &lt;em&gt;hermano&lt;/em&gt; Gabriel García Marquez, tanto pela qualidade da obra quanto pela abrangência de seu retrato. Enquanto &lt;em&gt;Cem Anos&lt;/em&gt; é o clássico latino-americano que marca a narrativa fantástica, que inspirou tantos outros autores do continente, a obra de Llosa marca uma literatura realista, baseada em fatos políticos reais. As duas são completas e marcadas por grande diversidade narrativa. Talvez &lt;em&gt;Conversa na Catedral&lt;/em&gt; tenha realmente este intuito, já que Llosa fez uma análise literária de Márquez um ano antes de sua publicação. Llosa já chegou até mesmo a agredir fisicamente Márquez, até então seu amigo, em uma exibição de um filme para jornalistas e intelectuais. Perguntado sobre a razão, Llosa revelou que prefere a deixar para os historiadores, mas muito se cita suas disparatadas visões políticas e conflitos envolvendo mulheres. A partir daí, os dois gigantes &lt;em&gt;hermanos&lt;/em&gt; nunca mais se falaram.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Conversa na Catedral&lt;/em&gt; retrata a ditadura de Manuel Odría. Deposto em 1956, foi um dos muitos protagonistas de um golpe de Estado no país. Ministro do governo, para se eleger, em 1950, derrubou Bustamante após sua requisição que proibiria o partido aprista no país não ser aceita. Foi então eleito como candidato único após uma rebelião com mortos. Sua repressão à APRA agradou à oligarquia do país, teve apoio popular das classes baixas mas, ao mesmo tempo, restringiu os direitos humanos. Sua ditadura terminou quando o próprio requisitou eleições frente a uma crescente impopularidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O livro, escrito entre 1969 e 1972, descreve a influência desta ditadura na vida do jovem Santiago Zavala e o ex-chofer de seu pai, Ambrosio. O livro é uma conversa entre eles, em um reencontro após anos de separação. Conforme relembram conflitos vividos, suas histórias se entrecruzam e dão o dinamismo do livro. Elas também são sobrepostas por pensamentos que a narração vai provocando progressivamente. São estas duas visões, intercaladas a um romance não-linear, com vários sujeitos e um narrador onipresente, que caracterizam o virtuosismo da obra, digno da linguagem cinematográfica. Em 600 páginas é contada cerca de uma década. O mais interessante é que não fica claro o quanto das lembranças são contadas ao outro e a narrativa é sempre rica em detalhes e densa, como um balanço interior de cada personagem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Santiago é membro de uma família da burguesia peruana e filho de um empresário que faz negócios com o governo, símbolo da oligarquia da época. Ao entrar na faculdade de Direito, seguindo o desejo de seu pai, conhece o comunismo e a atração provocada por uma ideologia. Se deixa envolver por ela, não tanto por seu significado, mas por seu ceticismo e desejo reprimido de se diferenciar de sua família e tudo o que representa. Ele é um eterno insatisfeito e desacreditado de sua pátria, que teima em atingí-lo indiretamente, seja por meio de sua família, trabalho e até mesmo sua vida pessoal. Até que um fato muda o rumo de sua vida e envolve seu pai. A partir daí, como jornalista, a trajetória de Santiago vai se deteriorando, envolta de uma profunda melancolia que reflete e representa a visão de um peruano de classe média e parte da elite intelectual do país. Já Ambrosio e personagens de sua convivência trazem a visão da classe baixa peruana, subjugada pelo governo e massa de manobra para a sua popularidade. Passam fome, são atingidos pelo desemprego e carentes de iniciativas sociais e direitos humanos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, Ambrosio se envolve com o governo e mostra, paralelamente, a sua visão, o que acaba por constituir a trinca do livro. Ele também se torna chofer de Cayo Bermúdez, chefe de governo de Odría, e mostra uma ditadura corrupta e caricatural na medida em que é complementada por um envolvimento com o submundo de prostitutas e frivolidades. Bermúdez recebe cada vez mais poderes que excedem seu cargo e acaba por tornar o governo de Odría impopular, devido a suas ações violentas contra manifestações civis e quaisquer inimigos do governo, sejam ele apristas,comunistas ou um levante de empresários e líderes políticos do próprio governo. Llosa coloca Odría em segundo plano e Bermúdez como protagonista talvez pelo livro ter sido feito sob seu governo. Com extremo sarcasmo e metáforas, ele vai desenhando uma crítica veemente à política peruana vigente, da qual, ao final, se tem uma visão desalentadora. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mario Vargas Llosa talvez seja um dos escritores latino-americanos mais polêmicos pela veemência e contradição de suas atitudes políticas. Ele foi considerado alvo de duas ideologias opostas: a esquerda e a direita. &lt;em&gt;Conversa na Catedral&lt;/em&gt; ainda reflete o período em que esteve envolvido com a primeira, até que se candidatou à presidência do Peru em 1985, com um discurso neoliberal. Foi derrotado por Alberto Fujimori, um dos maiores ditadores do país, que buscou refúgio no Japão após saquear e corromper o governo. A partir daí, Llosa passou a criticar duramente Fujimori e chegou até mesmo a acusar o governo brasileiro de Fernando Henrique Cardoso de apoiar a ditadura peruana.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas à parte a personalidade e ações do autor e mais do que a velha discussão esquerda e direita, que não faz mais sentido no momento atual, Santiago Zavala pode ser considerado um solitário na luta por direitos humanos e liberdade de expressão, engolido pelo mundo corrompido e vilipendiado por toda sorte de caricaturas de tempos anteriores e futuros. Mais resumidamente, ele luta pela democracia, assim como seu autor, o que equivale a ser um utópico. O seu repentino afastamento da política e sua ação de não ler as notícias que a envolvem até mesmo do próprio jornal onde trabalha o fazem um acomodado na visão de muitos, mas de vítima de um sistema eternizado na visão de outros tantos, talvez mais conscientes e realistas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Marília Almeida&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-114886754049623332?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/114886754049623332/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=114886754049623332' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114886754049623332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114886754049623332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/05/alm-de-mrquez-epopia-de-uma-utopia.html' title='Além de Márquez: a epopéia de uma utopia'/><author><name>Marília Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02526254334606663899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://tipos.com.br/media/7/20030417-ava%20gardner%207.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-114806816117994329</id><published>2006-05-19T15:41:00.000-04:00</published><updated>2006-05-19T16:00:38.313-04:00</updated><title type='text'>Sem cortes, o pai do teatro realista</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;TEATRO*&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/forsidebilde.png" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Se você fechar os olhos, provavelmente lembrará daquelas antigas rádio-novelas que faziam nossas avós vibrarem em casa. Mas as semelhanças terminam aí: diante de você, atores lêem, sem censura prévia, o texto completo de um grande dramaturgo. Não é preciso cenário, tampouco qualquer montagem para tirar proveito da apresentação, como apontou Guilherme Conte em &lt;em&gt;A Redescoberta da(s) leitura(s)**.&lt;/em&gt; A mais recente demonstração de como as leituras dramáticas interessam, sim, ao público, aconteceu no último dia 6 de maio, na Casa do Saber, um dos raros lugares de São Paulo que abrem espaço à atividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O diretor Sérgio Ferrara reuniu um elenco de peso, entre ele os veteranos Luiz Damasceno, Mirian Mehler e Antônio Petrin, para ler a íntegra de um dos dramas mais realistas do norueguês Henrik Ibsen (1828-1906), &lt;em&gt;O Inimigo do Povo.&lt;/em&gt; Ele acentua que, diferente de um espetáculo, a atividade exige uma percepção mais segmentada. “É preciso prestar uma outra atenção para assistir à leitura, porque é um momento voltado especialmente para a audição da palavra”, diferencia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto a platéia se atém a imaginar formas e cores através dos diálogos, o diretor observa, do fundo da sala lotada, reações de humor, catarse e tédio. O público é, sem dúvida, o contato indispensável para testar os pontos fortes e fracos de um texto na preparação de qualquer peça. “Isto nos ajuda a definir novas arquiteturas para a montagem que está prevista para agosto ou setembro deste ano”, explica Ferrara, sem detalhes definidos, a principal motivação para o encontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/277087-2637-ga.png"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/277087-2637-ga.png" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Encenar Ibsen por aqui e em outras bandas não foi uma escolha ao acaso. Já que está na moda homenagear décadas, meios séculos e centenários de mortes, aniversários e desaniversários, chegou a vez de lembrar, em 2006, os cem anos de falecimento do dramaturgo norueguês, responsável por romper com as fantasias do teatro europeu antes de se consolidar como o pai do drama realista em todo o globo. A dura crítica aos problemas sociais do século XIX presentes em sua obra é estranhamente contemporânea, bem como os personagens e situações criadas nas histórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A recíproca é proposital, já que Ibsen pretendeu aproximar a realidade de seus personagens com a do público, de forma que ele identificasse eventos da vida real nas cenas fictícias das peças. Tanto que os diálogos, extremamente naturais, peculiares às características de cada personagem, carregam o maior sustentáculo de suas mensagens. &lt;em&gt;O Inimigo do Povo,&lt;/em&gt; escrito em 1882, traça uma análise universal das hipocrisias sociais, facilmente assimiláveis a qualquer época e território das civilizações humanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na peça, o Dr. Thomas Stockmann, figura respeitada de uma pequena cidade balneária, descobre que os famosos banhos públicos da região estão contaminados por esgotos e detritos animais. A princípio, ele obtém o apoio de pessoas-chave para denunciar a gravidade do fato. Contudo, visto que a notícia prejudicaria os interesses econômicos da cidade, todos os habitantes e até sua família decidem ignorar os fatos e passam a repudiar suas idéias, tachando-o de “inimigo do povo”. Ainda assim, Stockmann não abandona seus princípios e conclui, enfim, que “o homem mais poderoso do mundo é também o mais só”, frase que colocaria Ibsen no topo dos bancos de citações célebres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O drama acertou o alvo de uma sociedade esgotada de príncipes, fadas e heróis, embora prevalecessem, ainda, os valores ancestrais da família e da propriedade. Jean Rostand, filósofo e historiador francês, diria mais tarde, claramente em sintonia com a solidão do Dr Stockmann, que “embora ela pareça susceptível de unir, nada divide mais que a verdade”. Seria ela, também, uma metáfora do realismo de Ibsen, nem sempre compreendido em sua época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/ibsen.jpg"&gt;&lt;em&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/ibsen.jpg" border="0" /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;Casa de Bonecas&lt;/em&gt; (1879) e &lt;em&gt;Espectros &lt;/em&gt;(1891), obras que ao lado de O Inimigo do Povo marcaram o realismo dramático do autor, influenciaram fortemente a emancipação feminina e os tabus sexuais no século XX ao tratarem, a primeira, de uma mulher que abandona o marido diante de seu mau caráter e, a segunda, uma personagem que opta por cuidar da doença venérea do esposo, adquirida em um evidente caso extraconjugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas voltando aos fatos, vale ressaltar que a leitura aparentemente simples de um drama tão atual e contundente como &lt;em&gt;O Inimigo do Povo&lt;/em&gt;, recheado de diálogos ilustrativos, pode ser mais marcante que espetáculos anunciados com confete, cujo descuido recai sobre um roteiro fraco ou mal adaptado. Eis a vantagem de Ibsen sem cortes: conhecer a essência da obra, sem a mão de terceiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que as montagens mereçam menos aplausos. Ao contrário, ganham forma com leituras desta espécie, responsáveis, muitas vezes, por minimizar os riscos de uma adaptação equivocada. Mirian Mehler, depois de interpretar a precavida Sra. Stockmann, confessou com a forte entonação que confere a seus personagens: “Isto, sim, é teatro.” Em seguida, repetiu a última palavra, em caixa alta.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;*publicado no Digestivo Cultural&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;**A Redescoberta da(s) leitura(s) – Guilherme Conte&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=1774"&gt;www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=1774&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Tais Laporta &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-114806816117994329?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/114806816117994329/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=114806816117994329' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114806816117994329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114806816117994329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/05/sem-cortes-o-pai-do-teatro-realista.html' title='Sem cortes, o pai do teatro realista'/><author><name>Tais Laporta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15012070315502777241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-114766572445959888</id><published>2006-05-14T23:37:00.000-04:00</published><updated>2006-05-15T00:28:49.576-04:00</updated><title type='text'>O submundo paulistano e seu contista</title><content type='html'>ENTREVISTA*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2820/2376/1600/loyola.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 168px; CURSOR: hand; HEIGHT: 212px" height="260" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2820/2376/320/loyola.jpg" width="222" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"São Paulo é a cidade mais fácil do mundo para ser cronista. Vou andando, o assunto agarra meu tornozelo e diz: me usa, me usa", revela o escritor e jornalista Ignácio de Loyola Brandão. Ele carrega consigo um pequeno bloco, onde anota situações que alimentam sua vasta obra, que já soma 27 livros, entre crônicas, contos, romances e infanto-juvenis. É a São Paulo da década de 1960 e seus interessantes e únicos personagens que resgata em seu primeiro livro, “Depois do Sol”, lançado pela Editora Brasiliense, em 1965, e recentemente reeditado pela Global Editora em comemoração aos 40 anos de carreira do autor. A nova edição é particularmente interessante por ter o making off da obra e revelar os personagens que a inspiraram. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na época, Loyola Brandão começava sua carreira como jornalista no jornal de Samuel Weiner, “Última Hora”, no qual trabalhou por quase dez anos. Morador do centro, a boemia da cidade e seus bares e inferninhos lhe atraíam. Clubinho, na Rua Rego Freitas, boca de luxo que reunia pintores e escritores; o restaurante Gigetto, na rua Nestor Pestana, com seus artistas, diretores e desfile de celebridades; o inferninho Snobar, na Bento Freitas, onde, para fazer um programa, tinha de ser figura carimbada; e Juão, templo da bossa nova, além dos famosos pombais da boca de lixo, são palcos de inspiração para os oito contos que o escritor reúne em “Depois do sol”. A capital é coadjuvante silenciosa ou protagonista, em contos como “São João Mão Única”, retrato de um congestionamento na avenida, e “Aos Sábados Eles Mandam na Praça”, relato do ritual pelo qual passava a Praça Roosevelt, todos os sábados à noite, onde as mais diversas classes sociais e estilos freqüentavam seus cinemas. Loyola Brandão retrata também o mundo da moda, inspirando-se nas pioneiras modelos tupiniquins da Rhodia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Atualmente, o autor trabalha em seu novo romance, “A altura e a largura do nada”, que, faz questão de enfatizar, é algo sagrado entre suas diversas atividades profissionais. Na entrevista a seguir, ele relembra seu primeiro livro e fala de suas preferências literárias, após 40 anos dedicados à literatura. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;“Depois do Sol” retrata uma São Paulo da década de 1960. Restou algo daquele tempo em suas andanças atuais pelo centro da cidade? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Ignácio de Loyola Brandão&lt;/strong&gt; - &lt;em&gt;Minhas andanças atuais são diferentes daquelas. As que estão no livro são de 40 anos atrás, mundo de outro Loyola mais jovem, menos amadurecido que este. Andanças que falavam da noite, da gente da noite. Aquela noite desapareceu, mudou. Nada restou. Onde havia a boca do lixo, cheia de tipos pitorescos e curiosos, de gente interessante e cheia de alma, hoje é a Cracolândia, com traficantes, bandidos, crianças viciadas, um Brasil lúmpem, miserável, resultado da ausência de uma política social nas últimas décadas. O centro da cidade decaiu, apesar das tentativas de revitalização. A revitalização se vai conseguir fazer em um longo tempo e com um projeto objetivo no qual se deve investir dinheiro. Nem vejo o projeto e muito menos o dinheiro.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Particularmente em “Depois do Sol” é difícil separar sua biografia e a ficção. Sem revelar mais segredos do que os já revelados no making off da obra, qual é o balanço entre ficção e realidade no livro?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;ILB&lt;/strong&gt; - &lt;em&gt;O truque do autor é esse. Inventar dando a sensação de que é a sua vida. Na verdade, minha vida é desinteressante, prosaica, apática. Invento personagens que gostaria de ser, crio situações que gostaria de viver. Lembro-me que Wilson Martins, ao criticar “O Beijo Não Vem da Boca” (romance publicado em 1985), disse: "ah, invejo o personagem Loyola com todas essas mulheres entorno". O Loyola vive com apenas uma mulher entorno, a sua própria, com quem se casou há 20 anos. Minha vida não interessa, talvez minha obra sim. Há uma preocupação muito grande em esmiuçar a biografia do autor para entender sua obra. Cada coisa é uma coisa, são distintas, separadas. Kafka era um modesto funcionário de uma seguradora e vejam o que escreveu.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Snobar, Clubinho, Gigetto...Qual lugar é o mais inesquecível para você?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;ILB&lt;/strong&gt; - &lt;em&gt;Clubinho e Gigetto eram lugares "respeitabilíssimos", de família. O Gigetto era o bar das classes teatral e cinematográfica, mito da noite paulistana. Quanto aos inferninhos, só me lembro com reverência de um, o Holliday, fantástico pelas mulheres lindas.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Como você se interessou pelo tema da moda, retratada em seus primeiros passos no país em “Depois do Sol”?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;ILB&lt;/strong&gt; - &lt;em&gt;A moda aparece como um segmento que me interessou pela curiosidade despertada por esse mundo de vaidades, superficialidades, ambições, carreiras, sonhos, criatividade, loucura. Como escritor, mergulho em tudo o que posso na vida, porque de tudo sai sempre bom material para a literatura.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Em “Depois do Sol”, o golpe militar serve como pano de fundo em um dos contos e em diversos outros livros você o retrata, principalmente em “Zero” (1975). Porém, você revelou que escreveria uma página em branco sobre a situação política atual. Explique esta opção.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;ILB&lt;/strong&gt; - &lt;em&gt;Todos os escritores, de todas as épocas, refletem o momento em que vivem, a sociedade em que crescem, de Shakespeare a Cervantes, Balzac, Tchecov, Stendhal, Gabriel García Márquez, Saramago, e milhares de outros. O escritor é um filtro do seu tempo. Página em branco? Com todos os assuntos que estão aí, como a corrupção, falta de ética, a geléia-geral em que se transformou a ideologia de nossos políticos e governantes, o mensalão, as contas bancárias devassadas, os bancos ganhando milhões, a droga comendo solta, a violência, mortes, medo, assaltos? Página em vermelho, isso sim. E bem recheada.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Como foi o processo de deglutição de uma cidade por um jovem interiorano, tão bem descrita em “Depois do Sol”? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;ILB&lt;/strong&gt; - &lt;em&gt;Sempre tive fascínio pela cidade. Entreguei-me a ela e deixei-me engolir.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Você declarou que não tem angústia para escrever e costuma editar muito seu texto. Como é seu processo de criação? O que te inspira mais: a realidade ou a ficção? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;ILB&lt;/strong&gt; - &lt;em&gt;Uma imagem ou frase me impressiona. Ou uma situação. Ela permanece na mente, vai se ampliando sozinha. Uma hora, passo para o papel. O que farei com isso? Começo a rodear, rodear, a imaginação flui, dados do real se inserem, busco personagens. Sou inspirado pela realidade a minha volta ou pela imaginação solta.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O que viu na literatura que não encontrou no jornalismo?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;ILB&lt;/strong&gt; - &lt;em&gt;Na literatura vi o delírio, o interior dos personagens, o vôo sem limites, sem fronteiras, a exploração de todas as possibilidades.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Você elogiou o filme Capote, de Benett Miller. Qual a sua visão sobre o new journalism? Nunca se sentiu atraído para escrever livros do gênero?&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;ILB&lt;/strong&gt; - &lt;em&gt;Acho que se pode fazer jornalismo muito bem feito, com estilo apurado, mas continuará sendo jornalismo. Literatura envolve emoção, sentimentos, imaginação, fantasia.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Você era um garoto apaixonado por cinema que começou a carreira jornalística como crítico cultural. Conte um pouco sobre esta experiência.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;ILB&lt;/strong&gt; - &lt;em&gt;Adorava cinema e descobri que os críticos não pagavam para ver os filmes. Como era pobre, tentei ser crítico em Araraquara e consegui. Com ingresso livre, ia toda a noite ao cinema. Era minha fuga, terapia, loucura, catarse. Eu vivia dentro dos filmes, escrevi na cabeça “A Rosa Púrpura do Cairo” dezenas de anos antes do Woody Allen fazer o filme. Depois, abandonei a crítica, pois vi que não tirava e nem colocava nenhum espectador no cinema. Senti que era uma coisa inútil, vazia.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Resgatando esta experiência, o que é cinema, literatura, música e teatro para você, hoje&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;ILB&lt;/strong&gt; - &lt;em&gt;Cinema? Sonho que se foi. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Literatura? Sonho que vivo.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Música? Me dá a atmosfera quando escrevo. Tenho ouvido morto. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Teatro? Um lugar em que começo a penetrar e a descobrir.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Conte um pouco sobre “A altura e a largura do nada”.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;ILB&lt;/strong&gt; - &lt;em&gt;Ele se passa em Araraquara e mistura ficção com realidade, tem dinossauros pelo meio, desertos, sensualidade e excomunhão.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*publicada na &lt;em&gt;Cult Online&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Marília Almeida&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-114766572445959888?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/114766572445959888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=114766572445959888' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114766572445959888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114766572445959888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/05/o-submundo-paulistano-e-seu-contista.html' title='O submundo paulistano e seu contista'/><author><name>Marília Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02526254334606663899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://tipos.com.br/media/7/20030417-ava%20gardner%207.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-114739660610497915</id><published>2006-05-11T21:07:00.000-04:00</published><updated>2006-05-13T00:07:49.886-04:00</updated><title type='text'>Os delírios de Borges</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/0004.gif"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/0004.gif" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;/a&gt;LITERATURA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os latinos nasceram com o sexto sentido. Garcia Márquez, mestre em fundir fantasia e realidade, e Júlio Cortazar, inventor do sobrenatural no acaso humano, já sondavam o realismo mágico quando o argentino Jo&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/es-babel-390.jpg"&gt;&lt;/a&gt;rge Luís Borges consolidou-o, sem querer, na literatura. Já devia estar no sangue dos antepassados, mas o fato é que &lt;em&gt;Ficções&lt;/em&gt;, seu livro mais conhecido, reúne em 18 contos a perfeita lógica do absurdo. Tão absurdo que o leitor, se rejeitar os labirintos do livro, corre o risco de perder-se e não encontrar o caminho de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos mais intrigantes contos do escritor é &lt;em&gt;Biblioteca de Babel&lt;/em&gt;, que descreve um lugar onde estão todos os livros do mundo, até os que nunca foram escritos. O espaço reúne escrituras com todas as combinações ortográficas, em todas as ordens, sendo que nenhuma é idêntica à outra e muitas diferem apenas por uma letra. A biblioteca possui livros em todos os idiomas, inclusive os que ela própria criou. “A certeza de que tudo já foi escrito nos anula, ou nos fantasmagoriza”, aponta Borges ao narrar o terror de personagens que escalam prateleiras sem fim. O conto provoca o cerne do inconcebível, mas, como metáfora, é mais real que se imagina: quem sabe onde termina o universo?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/es-babel-390.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;A Biblioteca de Babel&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Borges acreditou que fantasia não é a arte do impossível. É, com convicção, a lógica de todas as possibilidades a que o homem não tem acesso. A literatura foi um meio de fundar um novo gênero para suas divagações, em uma mistura de ficção e ensaio que engloba as mais complexas ciências humanas, razão pela qual pessoas acostumadas com fórmulas mais comuns podem repelir a leitura. Imagine que ao se deparar com contos como &lt;em&gt;Funes, o Memorioso&lt;/em&gt;, é preciso conceber que um homem era incapaz do esquecimento, e, por isso “sabia as formas das nuvens austrais do amanhecer do 30 de abril de 1882 e podia compará-la na lembrança com as listras de um livro espanhol que vira uma só vez”. Sobre-humano demais para povos que cultuam as mitologias gregas e o halloween.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/borportficciones.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 110px; CURSOR: hand; HEIGHT: 157px" height="288" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/borportficciones.jpg" width="157" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A brincadeira de subverter as noções da realidade rendeu boatos de que Borges poderia ter ganho o prêmio Nobel de Literatura se não fosse a desconfiança de que sua própria identidade não passava de um jogo semelhante às histórias que criava. Merecedor ou não, o escritor deixou um legado de suposições que intrigam até hoje críticos, filósofos e leitores. Seus contos são uma aventura de caça-palavras, como &lt;em&gt;Loteria em Babilônia&lt;/em&gt;, que lança uma nova visão sobre os jogos de sorte. A história narra que as casas lotéricas eram consideradas uma atividade fracassada. “Não se dirigiam a todas as faculdades do homem: unicamente à sua esperança”. Diante da indiferença pública, os mercadores intercalaram as possibilidades de ganho com as de perda, dobrando a chance de ganhar, e, ao mesmo tempo, de pagar uma multa sobre o prejuízo causado pela sorte alheia. Como a natureza humana é universal, suas conseqüências também fazem parte da literatura borgiana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nenhum dos contos há espaço para afirmar que Borges é comum ou razoável. Os raciocínios não se repetem e o único ítem com presença constante é o livro, paixão assumida do escritor. Admirador de Schopenhauer e predecessor da onda de histórias fantásticas lideradas na América Latina, Borges afirmou que escrever é um processo infinito que deve ser interrompido. “Publicamos para não passar a vida corrigindo rascunhos. Quer dizer, a gente publica um livro para livrar-se dele”, confessou certa vez, mas acredita-se que a ânsia em terminar um volume era o desejo de começar o seguinte. Sem dúvida, desenvolveu uma vasta produção literária ao longo dos 85 anos de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais Laporta &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-114739660610497915?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/114739660610497915/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=114739660610497915' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114739660610497915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114739660610497915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/05/os-delrios-de-borges.html' title='Os delírios de Borges'/><author><name>Tais Laporta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15012070315502777241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-114706097025725169</id><published>2006-05-08T00:01:00.000-04:00</published><updated>2006-05-15T09:45:34.136-04:00</updated><title type='text'>Romance policial tropical</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;CINEMA*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2820/2376/1600/achados-e-perdidos05.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2820/2376/320/achados-e-perdidos05.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Em meio aos filmes brasileiros atualmente em cartaz no circuito nacional, como &lt;em&gt;Arido Movie&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Tapete Vermelho&lt;/em&gt;, um filme parece ganhar fôlego e respirar outros ares. Ao contrário dos citados, que exploram a já conhecida fórmula do cinema tupiniquim, que se constitui em retratar o ambiente nordestino e caipira e seus costumes, mais bem sucedida em &lt;em&gt;Central do Brasil&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Dois Filhos de Francisco&lt;/em&gt;, este faz coro com filmes que se inspiram na ficção e adaptaram obras literárias nacionais, como &lt;em&gt;Dom&lt;/em&gt;, adaptado da obra de Machado de Assis.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Após &lt;em&gt;Dois Perdidos em uma Noite Suja&lt;/em&gt;, filme que entrou e saiu do circuito sem grandes alardes, protagonizado por Débora Fallabella e Roberto Bomtempo, o diretor José Joffily segue com sua própria receita: adaptar obras que remetem ao submundo e soam extremamente urbanas e modernas. Este é o caso de &lt;em&gt;Dois&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Perdidos&lt;/em&gt;, obra-prima do dramaturgo Plínio Marcos, e, agora, &lt;em&gt;Achados e Perdidos&lt;/em&gt;, adaptação do romance policial de Luiz Alfredo García-Roza. Mas esta fórmula, apesar de única e inovadora, não fica livre de críticas. Na adaptação de &lt;em&gt;Dois Perdidos&lt;/em&gt;, Joffily teve a concorrência de peso de uma anterior adaptação da obra para o cinema, datada de 1970, dirigido por Braz Chediak (Navalha na Carne), extremamente fiel à obra e contundente. Além disso, a sua troca do personagem masculino da dupla de protagonistas por uma mulher não convenceu e dá a uma história originalmente cheia de ódio entre dois operários que vivem juntos e são separados por um crime banal um ar de romance mal resolvido. A troca de ambiente, de um Brasil decadente para a vida de imigrantes nos Estados Unidos, soa forçada e esvazia a crítica social original.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Agora, Joffily acerta mais ao trazer um escritor moderno que foi na contramão da literatura nacional, o que permitiu ao diretor ir também na contramão do cinema nacional. Luiz Alfredo García-Roza é um escritor best-seller carioca com uma curiosa formação: psicanalista formado em psicologia e filosofia. Ele, apesar do nome desconhecido, já vendeu 90 mil exemplares de seus romances policiais no país e os lançou nos Estados Unidos, Grécia, Espanha Portugal e França. Para ele, a literatura policial diz muito sobre a morte e a sexualidade, as questões mais intensas da filosofia e psicanálise. Foi este o gancho que o permitiu se aproximar com mais desenvoltura deste tipo de literatura. Seu personagem principal, o delegado Espinosa, é uma espécie de Sherlock Holmes, de Conan Doyle, uma das inspirações do autor. Ele permeia todos os seus livros e, ao invés de um detetive glamouroso, é o titular da 12º DP de Copacabana e observador de uma estrutura corrompida, com a qual lida diariamente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2820/2376/320/achados-e-perdidos03.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A exemplo de &lt;em&gt;Dois Perdidos em Uma Noite Suja&lt;/em&gt;, o diretor e o roteirista Paulo Halm também fizeram alterações nos personagens. Acabaram por colocar no lugar de Espinosa um delegado já aposentado, mas mantiveram suas características básicas, como a humildade, lealdade e ética (mesmo que ceda a algumas corrupções, afinal, é humano) que o difere dos funcionários que servem à polícia. O filme é composto, basicamente, de um trio que constitui, de certo modo, um triângulo amoroso: além do delegado Vieira, vivido por Antonio Fagundes, estão a prostituta Magali, personagem de Zezé Polessa; e a jovem que segue os passos de Magali, Flor, que marca a estréia no cinema da modelo Juliana Knust. Vieira é impelido a descobrir o misterioso assasinato de Magali, com quem pretendia se casar, ao mesmo tempo em que é envolvido pelo reaparecimento de um passado que o pode condenar. O elenco experimentado, ao lado de uma estreante, dá o tom do clima do filme. Juliana se sai bem ao representar o cinismo de sua personagem, mas o papel é demasiado pesado para sua estréia. Ele envolve uma personagem chave da trama, extremamente ambígua, o que faz, por vezes, Juliana derrapar e confundir os espectadores.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O enredo do filme pode, aparentemente, soar um tanto previsível. Mas esta leitura é errônea se notarmos que todos os personagens são ambíguos e nenhum se configura em um personagem raso, a exemplo de um assassino frio e calculista. Não há o lado do 'bem' e o lado do 'mal'. Além do trio principal, o ex-policial e amigo de Vieira, que se torna um político corrupto, e a prostituta decadente tomada pelas drogas são pessoas que respiram o ar humano que a fonte onde o autor bebe, a psicanálise, explica. Isto acaba por manter a trama suspensa e ser eficaz em seu efeito de produzir uma sensação de revelação conforme se desenrola, indo do passado para o presente, voltando a este e, algumas vezes, assumindo tons confessionais e de memórias. E, realmente, o que vemos é mais uma história investigativa, permeada por sentimentos e emoções conflitantes, do que o lugar comum da violência gratuita carioca, que o autor é veemente ao afirmar que não o inspira, mas serve apenas como pano de fundo para suas histórias. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Parece que, desta vez, o cinema brasileiro desponta mais uma vez para longe dos lugares comuns de onde tenta, atualmente, se livrar de diversas formas, inclusive incorporando, com sucesso, a linguagem teatral, em filmes como &lt;em&gt;A Máquina&lt;/em&gt;. Parece que está conseguindo e, nesta busca, não perde suas características culturais. E não o poderia. Nenhum cinema pode. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Marília Almeida&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*publicada no &lt;em&gt;Digestivo Cultural&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2820/2376/320/achados-e-perdidos07.jpg" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-114706097025725169?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/114706097025725169/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=114706097025725169' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114706097025725169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114706097025725169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/05/romance-policial-tropical.html' title='Romance policial tropical'/><author><name>Marília Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02526254334606663899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://tipos.com.br/media/7/20030417-ava%20gardner%207.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-114628063062744424</id><published>2006-04-28T23:02:00.000-04:00</published><updated>2006-04-28T23:25:27.320-04:00</updated><title type='text'>NASCIDOS EM BORDÉIS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;DOCUMENTÁRIO &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/born.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/200/born.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O Bairro da Luz Vermelha, em Calcutá, é uma das regiões mais pobres da Índia: ruas apertadas e sujas, veículos antigos, mendigos, pedintes, prostitutas e bêbados. Em que outro lugar é possível explorar melhor os vulcões da miséria humana? Uma dupla de documentaristas, Zana Briski e Ross Kaufman, contudo, conseguiu extrair talento e sensibilidade ocultados no bagaço da pobreza, o que resultou no filme Nascidos em Bordéis (Born Into Brothels). As personagens da produção são crianças filhas de prostitutas que, apesar do futuro insólito a que estão fadadas, demonstram uma tímida inocência e vontade de trilhar um caminho diferente de suas mães e avós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o documentário não se limita, a exemplo de inúmeras produções, a expor a condição sombria de crianças semi-escravizadas que vivem em prostíbulos. Ao contrário, assume o papel de agente transformador da realidade retratada: Zana trabalha como professora voluntária de fotografia das crianças. É o momento em que podem esquecer suas vidas para sair às ruas com uma câmera na mão, à cata de tudo o que desejam registrar. Revelados os negativos, as imagens são surpreendentes: verdadeiros profissionais mirins capazes de registrar detalhes de autêntica sensibilidade. &lt;/div&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/BIB_1.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;Pela primeira vez, a fachada mais discriminada de nossa cultura, a de “filhos da puta”, perde espaço para um perfil mais humano, cujo interior revela a condição universal da infância e do talento, indiferente da natureza social. Não por acaso, a produção chamou a atenção da crítica e do público pelo seu caráter participativo, embora fosse um filme de baixo orçamento, o que lhe rendeu um Oscar de melhor documentário em 2005, além do prêmio de público no festival Sundance. Os documentaristas realizaram uma exposição em Nova York com as melhores fotografias das crianças, no intuito de levantar fundos que custeassem seus estudos, única alternativa para driblarem o futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, no entanto, o dinheiro não foi suficiente para eliminar uma cultura enraizada de subsistência nas famílias dos pequenos fotógrafos. Permitir que o filho fosse estudar em um colégio interno – privilégio para poucos na região – significava perder um auxiliar doméstico e um futuro empresário familiar da prostituição. Outro obstáculo, ainda maior, foi a relutância dos colégios em aceitar crianças descendentes de meretrizes. Todas foram obrigadas a se submeter a testes de HIV, caso contrário, seriam recusadas. O esforço dos documentaristas em oferecer uma nova opção de mundo a esses fios de vida está demarcado nas silenciosas e coloridas cenas de Nascidos em Bordéis. Este é um dos casos em que a sensibilidade fala mais alto que a técnica ou quaisquer outros recursos do cinema. Vale a pena conferir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Taís Laporta &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-114628063062744424?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/114628063062744424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=114628063062744424' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114628063062744424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114628063062744424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/04/nascidos-em-bordis.html' title='NASCIDOS EM BORDÉIS'/><author><name>Tais Laporta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15012070315502777241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-114585306769606782</id><published>2006-04-24T00:21:00.000-04:00</published><updated>2006-04-25T07:54:23.766-04:00</updated><title type='text'>A humanidade animal</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2820/2376/1600/pinguins%206.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 402px; CURSOR: hand; HEIGHT: 258px; TEXT-ALIGN: center" height="267" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2820/2376/320/pinguins%206.jpg" width="418" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seria apenas mais um documentário digno de ser apoiado pela National Geographic, uma das maiores organizações educacionais e científicas mundiais. Mas seu grande sucesso, que lhe colocou em primeiro lugar de bilheteria nos Estados Unidos entre audiovisuais franceses, ultrapassando os longas ficcionais &lt;em&gt;O fabuloso Destino de Amelié Poulain&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;O Quinto Elemento&lt;/em&gt;, o Oscar de Melhor Documentário e sua exibição nas bilheterias nacionais após quase cinco meses de sua estréia reforça seu caráter único e abrangente. Filmado em pleno inverno austral do continente Antártico, com um orçamento de US$8 milhões, &lt;em&gt;A Marcha dos Pingüins&lt;/em&gt; retrata um fenômeno em movimento, que dura cerca de um ano. Somente estes argumentos já bastam para se conhecer esta obra, de impressionante fotografia, principalmente nas poucas cenas debaixo da água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resultado de 120 horas de imagens, foi produzido, em sua maioria, por apenas dois câmeras, que precisaram de equipamentos que resistissem a -40ºC. Desde os 24 anos, o diretor Luc Jacquet já estava envolvido com a temática da Antártica. Ele tinha estudado biologia e o comportamento dos animais e preferia o trabalho de campo à formulação teórica da profissão. Mas, há apenas quatro anos começou a ter a idéia do projeto. Jacquet chama os pingüins imperadores de espécie amaldiçoada, pois pagam o preço de sua majestade durante o inverno, em seu período de procriação. Ele declarou que, para que o projeto fosse bem sucedido, teve que obedecer à natureza, pois muita aproximação poderia interferir na procriação de centenas de ovos. A versão original, em francês, é contada por três vozes: um casal e uma criança. Era de se esperar, mas a narrativa não cai no clichê ou drama, mas conta com fidelidade o que se passa na tela. A música, com uma voz feminina quase infantil e tons eletrônicos, ajuda muito para este feito.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2820/2376/320/pinguins%202.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;A estória de vida dos pingüins imperadores é, no mínimo, curiosa. Estes animais lutam muito mais para sobreviverem do que, literalmente, viver. Espalhados pelas terras geladas da Antártica, sua população, dividida em diversas colônias, é estimada em 400 mil. Os pingüins machos adultos pesam de 75 a 90 quilos e podem perder 1/3 deste peso apenas durante o inverno. A capacidade de sobreviver da espécie é fantástica: os machos chegam a ficar 115 dias sem comer, aguardando que a fêmea traga comida para seu filho, que é chocado por ele, para, somente assim, poderem rumar ao encontro de comida no mar. Cada casal incuba apenas um ovo, que, por sua fragilidade, têm que ser protegidos do frio. Em alguns anos, 80% destes ovos morrem e, após nascerem, também têm que ser protegidos de possíveis predadores, que atacam pelo ar. &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;São igualmente interessantes os meios encontrados por uma espécie reconhecidamente aquática para sobreviver no gelo (o pingüim imperador é um ótimo nadador e seu recorde consiste em percorrer 1.700 pés em vinte minutos). Com seu andar desajeitado e ineficiente, o filme nos revela suas alternativas, como deslizar de barriga no gelo, que pode fazer com que atinja quatro ou cinco milhas por hora. Além disso, o pingüim imperador suporta diversas temperaturas apenas com a regulagem de seu próprio corpo, até mesmo tempestades de neve (que chegam a ter ventos de 162 quilômetros por hora). Em meio a idas e vindas, em uma grande colônia, seria perfeitamente possível que o casal ou filho se perdessem um dos outros. Mas um identificador vocal permite que, após segundos de canção, se identifiquem, mesmo em meio a diversas outras canções.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2820/2376/320/pinguins.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;Mas é o aspecto social, veemente nesta espécie animal, que chama atenção e pode se configurar em uma das razões do sucesso do documentário, gênero muitas vezes relegado pela bilheteria. São características quase humanas que o espectador vê na tela e o faz refletir, pois, afinal, sem elas, a sobrevivência da espécie estaria ameaçada. Fidelidade (os casais formados se mantêm fiéis durante todo o inverno), tolerância (agrupados, bem juntos um dos outros, se protegem do frio e de outros predadores) e divisão de tarefas são algumas delas. Há também características humanas menos virtuosas, em cenas marcantes de pingüins fêmeas disputando a atenção dos machos e pingüins que, deprimidos por perderem seus filhos, seqüestram os de seus pares. Há também traços mais subjetivos, como o carinho e o zelo que estes animais têm, ou pelo seu par ou pelo filho. E estes conseguem ser registrados com a devida sensibilidade e detalhamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A &lt;em&gt;Marcha dos Pingüins&lt;/em&gt; é um documentário corajoso, tanto em termos técnicos e comerciais. E nos leva, indiretamente, a uma reflexão ecológica, urgente em tempos modernos. Todo este espetáculo da natureza que está diante de nossos olhos pode desaparecer aos poucos por causa do aquecimento global. O fenômeno, ao derreter o oceano congelado, faz com que a população de &lt;em&gt;krills&lt;/em&gt;, espécie de peixe da qual o pingüim se alimenta, diminua, pois se alimentam de algas que crescem em baixo deste oceano congelado. Em 2001 já foram relatados casos de centenas de afogamentos de filhotes de pingüins imperadores por causa do derretimento precoce do oceano. Espera-se que não chegue o dia em que o esforço do pingüim imperador será em vão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marília Almeida &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-114585306769606782?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/114585306769606782/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=114585306769606782' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114585306769606782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114585306769606782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/04/humanidade-animal.html' title='A humanidade animal'/><author><name>Marília Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02526254334606663899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://tipos.com.br/media/7/20030417-ava%20gardner%207.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-114524365853644583</id><published>2006-04-16T22:58:00.000-04:00</published><updated>2006-04-16T23:22:36.450-04:00</updated><title type='text'>"A orquestra é meu piano"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/0101B3.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" height="294" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/0101B3.jpg" width="193" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;MÚSICA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os mesmos dedos que dançavam pelas teclas do piano com a aptidão que levou o New York Times a considerá-los uns dos mais habilidosos do século XX, em 1982, hoje desfilam sozinhos no ar, regendo os acordes de instrumentos de sopro e cordas. A história do ex-pianista e maestro João Carlos Martins é exemplo nítido de que a vontade humana não conhece limites: depois de uma carreira internacional promissora como pianista, o músico se viu obrigado a interrompê-la devido a problemas com os movimentos de ambas as mãos. Oprimido por se afastar da música, certa noite sonhou que o maestro Eleazar de Carvalho o convidava para reger. Em seguida, acordou suado, ligou para Júlio Medaglia e pediu para aprender a ser maestro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde então, mergulhado na rígida jornada de estudos de partituras, deu o sangue até sentir-se seguro para formar, em 2004, a &lt;em&gt;Bachiana Chamber Orchestra&lt;/em&gt;, originada por alguns dos melhores instrumentistas brasileiros, selecionados entre as principais orquestras nacionais. O nome &lt;em&gt;Bachiana&lt;/em&gt; é uma explícita homenagem ao alemão Johann Sebastian Bach e ao brasileiro Heitor Villa Lobos, compositores que fazem jus ao percurso do regente, aclamado pela crítica internacional como maior intérprete de Bach desde que gravou CDs com sua obra. A orquestra já percorreu as principais capitais do Brasil, além de participar de turnês internacionais na Argentina e EUA, inclusive no Carnage Hall (Nova York), teatro que consagrou Martins mundialmente como pianista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelos mesmos motivos que o impediram de tocar piano, hoje o maestro coloca dezenas de instrumentos em harmonia sem a ajuda da tradicional batuta. Em pleno palco, somente com as mãos e com uma expressividade quase sobre-humana – uma verdadeira ginástica de amor pela música – o regente traduz com o corpo o veludo das notas de Bach. “A orquestra é meu piano”, confessou certa vez, ciente de dominar a impressionante capacidade de adaptação dada às espécies pela mãe natureza. Dos assentos de um teatro onde a Bachiana se apresenta, é possível perceber não apenas o virtuosismo na interpretação de um dos maiores compositores da história, como também a disciplina e paixão dos integrantes em busca da tão almejada excelência musical.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/200/P1080060novo.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;Bachiana em São João da Boa Vista (SP)&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nos bastidores, João Carlos Martins estuda mentalmente as partituras do repertório previsto para a próxima apresentação – autores do período barroco ao moderno, entre eles Bach, Mozart, Bhrams e Villa Lobos. Impossibilitado de manipular os manuscritos durante os espetáculos, ele dirige todos os concertos de cabeça. E o resultado é, além de um maestro preocupado com a perfeição técnica, um representante incomum da emoção humana. O objetivo não é modesto: colocar a orquestra nos patamares das mais reconhecidas do globo, aos moldes da Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), regida pelo maestro John Neschiling e financiada por recursos públicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já neste caminho, um dos êxitos da &lt;em&gt;Bachiana&lt;/em&gt; é obter recursos totalmente privados em um país que classifica a cultura como última das prioridades. Mas superado este desafio, ainda resta o mais árduo de todos: possibilitar que a música clássica de qualidade seja um privilégio coletivo, e não apenas de uma seleta elite cultural. Um consolo para o impasse, no entanto, pode ser extraído do esforço de vida de Martins, cuja conseqüência é um sucesso visivelmente sonoro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais Laporta &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-114524365853644583?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/114524365853644583/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=114524365853644583' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114524365853644583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114524365853644583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/04/orquestra-meu-piano.html' title='&quot;A orquestra é meu piano&quot;'/><author><name>Tais Laporta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15012070315502777241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-114482185938686979</id><published>2006-04-12T01:54:00.000-04:00</published><updated>2006-04-13T21:00:35.396-04:00</updated><title type='text'>Reflexos da ilha das utopias</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;ARTES PLÁSTICAS&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.cubanet.org/mira/archer.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 193px; TEXT-ALIGN: center" height="179" alt="" src="http://www.cubanet.org/mira/archer.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;Jogadores de dominó - Jorge Arche&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A ilha das utopias e seu polêmico regime comumente faz parte do noticiário político, mas sua cultura acaba por ficar em segundo plano. A literatura cubana já tem nomes reconhecidos como Guillermo Cabrera Infante, Pedro Juan Gutiérrez e Reinaldo Arenas. Já sua música foi consagrada com o documentário &lt;em&gt;Buena Vista Social Club&lt;/em&gt;, dirigido por Win Wenders. Retrato de um grupo de músicos veteranos que caíram no ostracismo, entre eles Ibrahin Ferrer e o guitarrista Ry Cooder, foi indicado ao Oscar e ganhou prêmios da Associação de Críticos de Nova York, Los Angeles e Florida, além do Cinema Brasil. Mas sua arte plástica, ainda desconhecida, merece igual atenção por sua riqueza, diversidade e por se constituir um reflexo fiel das agruras de seu minúsculo país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É ela que a exposição &lt;em&gt;Arte de Cuba&lt;/em&gt;, patrocinada pelo CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), de São Paulo, objetiva apresentar, em 117 obras do acervo do Museu Nacional de Belas Artes da ilha e coleções particulares de seus artistas. Retratando os diversos movimentos modernistas cubanos, desde o início do século XX, a exposição inclui pinturas, fotografias, esculturas e instalações das décadas de 60, 70 e 80. As artes plásticas cubana pode ter seu começo decretado com a &lt;em&gt;Exposicíon de Arte Nuevo&lt;/em&gt;, em 1927, quando a busca do país por sua identidade nacional se tornou mais veemente. Sempre buscando acompanhar a vanguarda européia, como qualquer país de terceiro mundo, em poucos momentos sua arte a supera e se firma como movimento inovador. Mas é a riqueza do retrato social de um país singular que a torna particularmente interessante.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 182px; CURSOR: hand; HEIGHT: 125px; TEXT-ALIGN: center" height="179" alt="" src="http://guiadasemana.com.br/photos/event/t-garaicoa_r.jpg" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;O Mapa do Viajante - Carlos Garaicoa&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Em seu início, na década de 30, esta arte se mostra quase mística, repleta de simbologias, cores pesadas e escuras. O surreal, o místico e paisagens bucólicas protagonizam telas de pintores como Eduardo Abela e Carlos Enriquez. A tela &lt;em&gt;Lesbianas&lt;/em&gt;, de Enriquez, surpreende pela temática, inovadora para a época. Já os personagens de Portocarrero têm corpos grandes e musculosos e sofrem clara influência de Botero. É ainda nesta década que a colonização americana e revoltas populares contra o governo provisório de Céspedes se fazem presente em obras de autores como Marcelo Pogolotti e Aristides Fernández. O homem agora está dissolvido no coletivo e símbolos do comunismo e de resistência são notados em telas como &lt;em&gt;Operários e Camponeses&lt;/em&gt; (1933), de Pogolotti, e nas belas aquarelas de Fernández, que retratam o sofrimento e isolamento do povo cubano no período, em telas como &lt;em&gt;Engenho&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Manifestação&lt;/em&gt;. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Jorge Arche e Victor Manuel retratam o povo pobre do campo e seus passatempos, em telas coloridas. É interessante destacar, a partir de suas obras, a miscigenação contínua do povo cubano, fruto da colonização. O camponês hispânico destes retratos posteriormente se tornará um povo majoritariamente afro-descendente. Os símbolos religiosos, conseqüentemente, também herdarão a cultura africana, a exemplo das telas de Roberto Diago e Wilfredo Lam. A &lt;em&gt;santeria&lt;/em&gt; e elementos do candomblé podem ser observados em &lt;em&gt;Virgem da Caridade&lt;/em&gt; (1946), de Diago, e em outros elementos da cultura afro, como uma máscara de pássaro, de Lam.&lt;/p&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 184px; CURSOR: hand; HEIGHT: 128px; TEXT-ALIGN: center" height="123" alt="" src="http://www.guantanamera.org.br/imagens/expo_foto_02p.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="center"&gt;Força de trabalho - Marcelo Pogolotti&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A exposição &lt;em&gt;Diez Pintores Concretos&lt;/em&gt;, na década de 50, da qual participaram Sandu Darie, Luiz Martinez Pedro e Loló Soldevilla, é um dos momentos mais prementes de esforço de Cuba na tentativa de se igualar à arte européia, como um movimento próprio. Com o advento do abstracionismo, instalações inventivas, geometria, cores fortes e maior diversidade de materiais ganham força, em um período de rompimento com antigos movimentos. Apesar de se contituir em um período de experimentação, mesmo nele já vemos uma grande influência política, a exemplo da tela &lt;em&gt;Homenagem a Fidel&lt;/em&gt; (1957), de Soldevilla. Dividida como dois tabuleiros de damas, um branco e outro preto, onde as peças têm diversos tamanhos, apesar de serem todas redondas, vemos a tentativa de se conceituar o então líder revolucionário, com reflexões como igualdade e inversão de valores. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Mas é a partir da revolução de 1959 que se revela o ‘grito’ da arte cubana. Muitos pintores começam a inverter conceitos da arte estadunidense, como a &lt;em&gt;pop art&lt;/em&gt; de Andy Warhol. A foto de Marylin Monroe é trocada ironicamente pela do herói da independência nacional, José Marti, em &lt;em&gt;Marti e a estrela&lt;/em&gt; (1966), de Raúl Martinez. Já as telas de Rafael Zarza são impactantes, tanto pelo seu tamanho, cores vibrantes e temática agressiva. Em &lt;em&gt;O Grande Fascista&lt;/em&gt; (1973), contemplamos um expressionismo exacerbado, em uma tela onde um boi ‘general’ discursa para bois atentos. Suas expressões são caricaturais, de raiva e ódio, e seu fundo vermelho reforça a alusão ao regime. As telas em nanquim da série &lt;em&gt;O amorfo e o desalentador&lt;/em&gt; (1968), de Santiago Armada, e a arte pop de Umberto Peña também merecem atenção por sua voracidade. Elas demonstram que o regime nunca foi unânime e discutem o que é a ilha após dez anos da revolução, através de desenhos com dizeres carregados de ironia e metáforas. &lt;/p&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.medaid.org/www/art/artists/rpena/large/w4.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="center"&gt;René Peña - White things&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A mostra tem a limitação de conter poucas esculturas, fotografias e instalações, mas estas poucas demonstram excelente qualidade. Nas duas esculturas, de Raúl Martinez e Antonio Eiriz, o que chama atenção é a diversidade e criatividade de materiais de pouco valor, como colagens, cristais, madeira, masonite e metal. Já a instalação &lt;em&gt;O Mapa do Viajante&lt;/em&gt; (2005), de Carlos Garaicoa, é inovadora. Em um grande painel branco, citações de diversos escritores ao redor do mundo, como Jorge Luis Borges, estão distribuídas como países. Cada uma delas descreve uma cidade, sem revelá-la. O contemplador, então, vai tecendo um mapa imaginário conforme vai ‘descobrindo’ a obra. Já a fotografia se revela na série de René Pena, nomeada &lt;em&gt;White Things&lt;/em&gt;. Um homem afro-descendente segura objetos brancos em belas fotos em preto e branco. Mais uma crítica velada à colonização e ao racismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que mais resume o espírito da exposição são mesmo seus vídeos. São apenas três: um mostra sucessivamente, em câmara lenta, o corpo baleado do lendário Che Guevara; o segundo é uma imagem preto e branca de duas bandeiras sobrepostas que não param de tremular enquanto uma instalação de som assovia uma música acolhedora e, por fim, um casal de namorados, provavelmente nas ruas de Havana, brigam e se beijam, indefinidamente, apenas vigiados na rua pelo olhar oculto da câmara até que desaparecem de seu campo de visão, unidos, apesar das desavenças visíveis. É o persistente e bravo povo cubano. É o nacionalismo, ideologia e utopia resistentes às adversidades e tão característicos de Cuba. É a ilha. E sua cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marília Almeida &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-114482185938686979?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/114482185938686979/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=114482185938686979' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114482185938686979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114482185938686979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/04/reflexos-da-ilha-das-utopias.html' title='Reflexos da ilha das utopias'/><author><name>Marília Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02526254334606663899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://tipos.com.br/media/7/20030417-ava%20gardner%207.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-114429278930269130</id><published>2006-04-05T22:22:00.000-04:00</published><updated>2006-04-06T13:18:09.360-04:00</updated><title type='text'>Fronteira invisível</title><content type='html'>CINEMA – DOCUMENTÁRIO &lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/oyapock4.0.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/oyapock4.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Quanto tempo leva para descobrir o Brasil? Pouco mais de uma hora, pelo menos para os que acompanharam um dos documentários nacionais exibidos no festival &lt;em&gt;É Tudo Verdade&lt;/em&gt;. Na contramão de reportagens pretensamente inovadoras da TV aberta, que inflamam o telespectador com o círculo vicioso das mazelas urbanas (tráfico, prostituição, pobreza), alguns longa-metragens ainda têm fôlego para vasculhar os buracos negros de um país desconhecido. É o exemplo do bem-sucedido &lt;em&gt;Do outro lado do rio&lt;/em&gt;, de Lucas Bambozzi, re-exibido em 2006 depois de receber o prêmio de melhor direção em outra edição do festival.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O diretor elegeu o ponto mais alto, e também obscuro, do mapa do Brasil: a cidade do Oiapoque, no Amapá, fronteira com a Guiana Francesa, colônia da França separada apenas por um rio do país tropical. O trajeto fluvial cujo destino é a cidade fronteiriça Saint Georges de L`Oyapock é sempre uma aventura que pode custar cabeças humanas. Isso porque, embora divisa aparente calmaria, a imigração somente é legal sob autorização, um privilégio raríssimo, situação semelhante à linha divisória do Texas (EUA) com o México. Brasileiros não são bem-vindos na colônia, embora a fronteira seja um abrigo quase exclusivo de refugiados, prostitutas, garimpeiros e aventureiros, responsáveis por tornar a língua portuguesa um dialeto dominante no território.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bambozzi explora a sensibilidade dos personagens de forma gradativa e surpreendente, fazendo-nos acompanhar, do começo ao fim, histórias, sonhos e trajetos que começam bem e terminam quase sempre em tragédia ou decepção. São estereótipos marcantes: o refugiado do exército brasileiro que ganha a vida nos garimpos; a prostituta que foge da fazenda dos pais em busca de diversão e ouro; o travesti que sonha com a ascensão em Paris; a mocinha pobre que procura um francês para se casar. Quase todos desconhecem a magnitude da situação política e econômica da colônia por onde transitam sem permissão. Rica em recursos naturais, a terra atrai homens aos garimpos em troca de recompensas promissoras, o ouro, moeda corrente da região, depois do Euro. É comum a saga de homens que deixam famílias para se aventurar nas selvas da colônia, de onde não raramente jamais regressam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/cinema_01.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/cinema_01.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Soa inacreditável, mas a “França”, destino dos sonhos de muitos aventureiros, nada mais é que Caiena, a capital da Guiana Francesa, um reduto de turistas europeus e abrigo da Estação Espacial Européia, cercado por uma população indesejável e marginalizada, sobretudo imigrantes brasileiros e latinos. Reconhecida como terra natal de poucos, a capital possui 50 mil habitantes, dos quais 20 mil são estrangeiros. Mas a ignorância e ausência de leis está mesmo na divisa entre territórios inexplorados. No Oiapoque, andar armado é uma necessidade individual de prevenção, tanto que lojas de pistolas ficam abertas como camelôs. Não é por poucos motivos, afinal, que pessoas chegam e desaparecem a todo momento sem qualquer explicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A equipe do documentário, com o apoio do governo francês – TV Cannes – e leis de incentivo brasileiras, mergulhou a fundo nas entranhas dessa realidade, como é notável pelos longos meses em que acompanharam os personagens da região. Grande trabalho de apuração e edição. O Brasil precisa de filmes produzidos com semelhante coragem e iniciativa para se descobrir novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais Laporta&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-114429278930269130?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/114429278930269130/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=114429278930269130' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114429278930269130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114429278930269130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/04/fronteira-invisvel.html' title='Fronteira invisível'/><author><name>Tais Laporta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15012070315502777241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-114414026702388467</id><published>2006-04-04T04:22:00.000-04:00</published><updated>2006-04-05T23:56:37.716-04:00</updated><title type='text'>É tudo real, sim, senhor</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;CINEMA - DOCUMENTÁRIO&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2820/2376/1600/home_logos.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2820/2376/320/home_logos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aimar Labaki, diretor-fundador do festival anual de documentários &lt;em&gt;É tudo verdade&lt;/em&gt;, trouxe pela primeira vez, à sua edição de 2006, um especial com apenas uma temática. Em sua 11º edição, realizada em São Paulo de 23 de março a 2 de abril, o especial &lt;em&gt;O Estado das Coisas&lt;/em&gt;, caracterizado em edições anteriores pela variedade de estilos, foi nomeado destas vez &lt;em&gt;Era do Medo.&lt;/em&gt; A mostra visou retratar as várias faces do terrorismo, guerras e genocídios mundiais presentes nos conflitos geopolíticos a partir do término da Guerra Fria. Não é uma visão reducionista, que explora somente o terrorismo que amedrontou os Estados Unidos no 11 de setembro ou nos comflitos subsequintes no Afeganistão e Iraque. As produções vão além e mostram conflitos que acontecem debaixo do nosso nariz, mas para o qual nós e os grandes noticiários não damos a devida atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ruanda, Kosovo, Srebrenica, Timor Leste, Chechênia e Haiti são exemplos de guerras ofuscadas pela ofensiva americana e sua guerra do terror, mas que perduram, seja em um continente arrasado ou na memória de sobreviventes que clamam por uma justiça que nunca chega. São exemplos produções como &lt;em&gt;Srebenica nunca mais?&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Mate-os todos – História de um genocídio “sem importância”&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Aristide e a revolução sem fim&lt;/em&gt;. Já o cotidiano pós-guerra no Iraque, o eterno conflito entre Israel e Palestina e as dúvidas e teses sobre a guerra do terror estadunidense podem ser conferidos nos contundentes &lt;em&gt;À Sombra das Palmeiras&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Vingue Tudo mas deixe um de meus olhos&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;O poder dos pesadelos&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2820/2376/320/lode.0.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="center"&gt;Desmet: múltiplas visões sobre múltiplos conflitos Bálcãs&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Representante do primeiro grupo, a antiga Iugoslávia e sua fragmentação sistemática, provocadora de crimes contra a humanidade, ainda surte efeito em seus habitantes, retratados em &lt;em&gt;Alguém tem um plano?. &lt;/em&gt;Produção conjunta de diversos países Bálcãs finalizada neste ano e dirigida por Lode Desmet, é o retrato da luta pela independência de Kosovo, após seu enquadramento como província da Sérvia. Repleta de refugiados, a província ainda conta com uma estrutura precária, carente de serviços básicos, como eletricidade. O documentário coloca 17 cidadãos comuns de Kosovo, Sérvia e países vizinhos frente a frente com autoridades políticas dos diversos países da região, seja por meio de uma tela de cinema, uma televisão pública em Belgrado, capital da Sérvia; ou jogos de câmera que focam o ouvinte enquanto a fala do inquirido é ouvida no áudio. Eles perguntam qual será o futuro de Kosovo em diversos aspectos. A discussão é labiríntica e heterogênea, não podendo se dividir apenas em quem quer a independência e os contrários a ela, mas em conflitos eternos que envolvem rancor por atrocidades cometidas e a sempre polêmica 'ajuda' internacional. Com bela fotografia, sua dinâmica é enriquecida por estas múltiplas visões. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2820/2376/320/Zarqawi.jpg" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;Zarqawi: dez milhões em recompensa oferecidos pelos EUA&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Já em &lt;em&gt;Zarqawi – A questão terrorista&lt;/em&gt;, documentário francês produzido em 2005 por Patrice Barrat, Najat Rizk e Ranwa Stephan, é contado o histórico do terrorista islâmico Abu Musab Al Zarqawi. Ele foi condenado à morte pela Jordânia em fevereiro, acusado de supervisionar atentados com homem bomba contra alvos estadunidenses e do governo de sua terra natal. O documentário tem como base outro, feito por um jornalista da Jordânia, Fuad Hussein, que conheceu Zarqawi na prisão, nos primeiros anos da década de 90. Tido como principal operador militar da Al Qaeda, Zarqawi chegou a ser considerado pelos EUA o mais procurado terrorista após o 11 de setembro, juntamente com Bin Laden e, principalmente, por seus atentados no Iraque. Com depoimentos de analistas, Hussein e colegas, vídeos de Zarqawi em uma situação familiar, o casamento de sua irmã, e de um jovem homem-bomba recrutado pela Jihad Islâmica, sorrindo diante da morte no dia seguinte, são marcantes. A pouco explorada discussão e revelação de mecanismos de difusão da ideologia da Jihad pela Internet, que inclui vídeos de decapitações, também é o ponto forte da produção. A imagem de terrorista condenado à morte mais de uma vez (o assassinato de um diplomata norte-americano, em 2002), ao lado de fatos de sua infância pobre, se entrecruzam, enternecem e revoltam na tentativa de compreensão do terrorismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerado o principal evento dedicado à cultura do documentário na América do Sul, &lt;em&gt;É Tudo Verdade&lt;/em&gt; exibiu 111 filmes, entre longas, curtas e médias, e teve número recorde de inscritos: 956. O festival também teve uma edição carioca e uma seleção de seus destaques será exibida em Brasília e Campinas neste mês. Em 2007, Aimar Labaki pretende voltar com a pluralidade temática do especial do festival e afirma que, atualmente, o documentário se constitui um sub-gênero. Dupla pena. A temática, infelizmente, é uma tendência mundial, aparenta ser fonte inesgotável de material e não deveria sair do foco das câmeras tão cedo. Já o documentário, principalmente as produções internacionais, por sua vez, poderia adentrar um pouco mais nas salas de cinema para mostrar estas questões, que não podem ser vistas pela TV de maneira aprofundada e crua, a um público bem maior. Seria uma dupla divulgação, emergencial na era moderna. A do medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marília Almeida&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-114414026702388467?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/114414026702388467/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=114414026702388467' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114414026702388467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114414026702388467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/04/tudo-real-sim-senhor.html' title='É tudo real, sim, senhor'/><author><name>Marília Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02526254334606663899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://tipos.com.br/media/7/20030417-ava%20gardner%207.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-114348179288212746</id><published>2006-03-27T13:30:00.000-04:00</published><updated>2006-03-27T14:19:07.326-04:00</updated><title type='text'>O indie é pop</title><content type='html'>MÚSICA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/resenha194_foto.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/resenha194_foto.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esqueça os bares escondidos em sótãos, pois ao que tudo indica, a cena &lt;em&gt;indie&lt;/em&gt; brasileira está caindo nas graças do gosto popular e começa a pisar nos palcos dos maiores festivais do país. Ironia ou não, as chamadas gravadoras independentes, tutoras da música underground, nasceram justamente para produzir álbuns em pequena escala, de modo a valorizar a liberdade do artista em detrimento do lucro. Isso parece ótimo depois de uma década de esvaziamento cultural (anos 90), roubada pelo domínio das multinacionais sobre a produção artística. Com certeza, a internet e o MP3 foram os grandes favorecedores de bandas desconhecidas, logo que o acesso a músicas &lt;em&gt;in natura&lt;/em&gt; se difundiu em larga escala. O indie está ficando pop? Os adeptos mais radicais do cenário certamente não aceitam a tendência. Contudo, há um exemplo audaz da febre que arrasta uma legião considerável de fãs: a banda paulistana de electro pós-punk &lt;em&gt;Cansei de Ser Sexy (CSS).&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/125177.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/200/125177.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;As seis garotas e o guitarrista admitem que mal sabiam tocar um instrumento quando o grupo começou, em meados de 2003. Lovefoxxx, a vocalista, comenta que a idéia inicial era criar uma banda ruim, propositalmente. Dessa forma, letras e arranjos foram produzidos via internet e as músicas, gravadas de improviso em ambiente doméstico. Prontas, foram colocadas no site da Trama Virtual – um espaço para divulgação de sons independentes no formato MP3. O estrondo foi imediato: estacionaram por semanas consecutivas no topo dos 100 mais executados, junto com 35 mil arquivos disponíveis. O som agradou não apenas aos internautas, como chamou a atenção da imprensa. Sites e jornais chegaram a citar que o homem-chave do punk britânico, Malcom Mc Laren, estava de olho no talento dos paulistanos, comparados por ele, inclusive, ao lendário &lt;em&gt;Sex Pistols&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tamanho foi o frisson, que a Trama pegou carona para criar um selo &lt;em&gt;indie&lt;/em&gt;, responsável pelo primeiro disco do &lt;em&gt;CSS&lt;/em&gt;, que acabou marcando presença no Tim Festival e Motomix. Não bastando, bastidores estrangeiros estiveram na cola do grupo: a música &lt;em&gt;Meeting Paris Hilton&lt;/em&gt; foi tema de uma série britânica na Fox. Além disso, suas composições fazem parte da trilha sonora do game&lt;em&gt; The Sims 2&lt;/em&gt;. É notável que a banda conquistou um reconhecimento dificilmente alcançado no cenário brasileiro e internacional, inclusive por artistas de grandes gravadoras. Mas ainda não é fácil distinguir o que é apenas confete e qualidade de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O som, se não agrada, ao menos diverte. Com acordes repetitivos de guitarra e a indispensável ajuda de sintetizadores, o CSS lembra o estilo de &lt;em&gt;Fischerspooner&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Audio Bullys&lt;/em&gt;, sofisticado e jovial. Apesar da audácia das letras, repletas de palavrões e referências ao ciberespaço, nada é revolucionário, exceto o fato de brasileiros ganharem status no palco do punk britânico. Na verdade, o que os diferencia das bandas que gostariam de estar em seu lugar é a atitude, não pela postura ideológica, que, aliás, inexiste, mas pela presença de caricaturas. O grupo mistura fortes conceitos de moda em um figurino inusitado com uma teatralização improvisada. Nada que justifique, contudo, seu bônus, se comparados a ícones do rock setentista, que com malabarismos e maquiagens lúdicas já quebravam microfones à exaustão. Diversão e música regem os shows do grupo, talvez sem o cuidado de cair no erro de desfavorecer o som em favor do estilo.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/20031226-lucio.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 211px; CURSOR: hand; HEIGHT: 291px" height="312" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/20031226-lucio.jpg" width="235" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A ascensão de &lt;em&gt;Cansei de Ser Sexy&lt;/em&gt;, a exemplo de &lt;em&gt;Strokes&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Franz Ferdinand&lt;/em&gt;, que saltaram do universo underground para o consumo popular, vai de encontro ao fenômeno de resistência às produções pasteurizadas de mercado. Em outras palavras, o receio de quem segue à risca o conceito &lt;em&gt;indie&lt;/em&gt; é que ele caia no sistema que critica, o da mercantilização. Ainda é cedo para dizer o que o MP3 nos reserva, se é um canal realmente acessível à diversidade ou se, apenas, um termômetro estatístico que vai selecionar os mais executados para brilhar ao grande público. Mas é possível, enfim, o casamento das massas com a diversidade e a liberdade individual artística? Qualquer palpite pode ser equivocado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tais Laporta&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-114348179288212746?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/114348179288212746/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=114348179288212746' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114348179288212746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114348179288212746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/03/o-indie-pop.html' title='O indie é pop'/><author><name>Tais Laporta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15012070315502777241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-114344023020788923</id><published>2006-03-27T01:59:00.000-04:00</published><updated>2006-03-27T23:12:09.250-04:00</updated><title type='text'>Cinema-teatro, com jeitinho brasileiro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;CINEMA&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2820/2376/1600/Gustavo%20.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2820/2376/320/Gustavo%20.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A temática pode parecer batida. É outra história ambientada em nossas terras áridas, mais precisamente em Nordestina, cidade do sertão baiano, e que retrata seu povo e costumes. Também é outra história de amor, assim como &lt;em&gt;Lisbela e o Prisioneiro&lt;/em&gt;. Mas, mais do que um retrato da pobreza ou muro de lamentações, o filme consegue edificar um roteiro extremamente inventivo, que acaba por desmanchar os aparentes clichês iniciais. &lt;em&gt;A Máquina&lt;/em&gt;, filme de estréia do diretor pernambucano João Falcão e baseado no livro de sua mulher, Adriana Falcão, é quase um thriller, que prende, encanta e surpreende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele é a história de Antônio de Dona Nazaré (interpretado pelo sobrinho do diretor, Gustavo Falcão) que, devido a fenômenos sobrenaturais, é nomeado ‘filho do tempo’. Em uma cidade esquecida no mapa do Brasil, Antônio vê seus 12 irmãos mais velhos partirem em busca de horizontes, mas a paixão pela bela Karina (Mariana Ximenes), que sonha em ser atriz e fugir da cidade ao completar 18 anos, o mantém pregado à sua raiz. Na tentativa desesperada de trazer o mundo para sua amada, ao invés de deixá-la perseguí-lo, Antônio declara, em um programa sensacionalista na TV, que pode provar que tem o poder de se transportar pelo tempo para ver o prazo de validade do mundo onde vive. Caso não o consiga, oferecerá sua vida. O diretor assume que gosta de trabalhar com pessoas conhecidas, seja de sua família ou de trabalhos anteriores, como os atores Wagner Moura e Lázaro Ramos. E acerta na escolha. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2820/2376/320/Mariana.jpg" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Logo no começo, a voz de Paulo Autran, narrando a história, dramaticamente e de maneira poética, surge na tela. É impossível não pensar na linguagem teatral que tanto caracterizou o ator, que usualmente não faz cinema, e o resto do filme confirma a tese, seja pela fala versada e cantada dos personagens, o cenário improvisado de estúdio ou trilha sonora que interage com a trama, seja em um show no baile à fantasia até em clip na TV. &lt;em&gt;A Máquina&lt;/em&gt;, afinal, é a refilmagem de um livro que virou peça de teatro, mas não se basta neste conceito. Falcão vai além ao fazer a incrível junção desta linguagem com a fotografia cinematográfica, que a recorta e enche de beleza. Profundidades, ângulos ousados, iluminações diversas e dinamismo de videoclip. Tudo é utilizado para que a peça ganhe novos contornos, inclusive a utilização concomitante do passado, presente e futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ganhador de prêmios como melhor filme de ficção, trilha sonora, atriz e roteiro no I FestCine Goiânia, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura da região; e melhor filme de ficção eleito por júri popular do Festival do Rio, o filme participou de mostras competitivas como Premiére Brasil, Mostra internacional de Cinema de São Paulo e Festival de Tiradentes, em Minas Gerais. Sua produtora, a Diler Trindade &amp;amp; Associados, tem como acionista majoritário o empresário Diler Trindade, que, segundo a revista americana Vanity Fair, é um dos dez produtores mais promissores do mundo. Produtora que contabiliza mais de 24 longas-metragens lançados, assistidos por 24 milhões de espectadores, &lt;em&gt;A Máquina&lt;/em&gt; é o primeiro em busca do cinema arte, após produzir infantis campeões de bilheteria, protagonizados por Xuxa e outros apresentadores globais. Diler acredita que o Brasil tem desprezo pelo cinema popular, ao contrário dele, que gosta tanto deste cinema, que dá o nome de mortadela, como do cinema caviar. Filme poético, filosófico e inovador que, ao mesmo tempo, entretém com as emoções conhecidas de uma história de amor e fantasia, &lt;em&gt;A máquina&lt;/em&gt; consegue ter um sabor raro: meio mortadela, meio caviar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marília Almeida&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-114344023020788923?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/114344023020788923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=114344023020788923' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114344023020788923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114344023020788923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/03/cinema-teatro-com-jeitinho-brasileiro.html' title='Cinema-teatro, com jeitinho brasileiro'/><author><name>Marília Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02526254334606663899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://tipos.com.br/media/7/20030417-ava%20gardner%207.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-114293220674074457</id><published>2006-03-21T04:53:00.000-04:00</published><updated>2006-03-21T16:56:07.086-04:00</updated><title type='text'>Quando os gatos são pardos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.kaydara.com.br/upload/imagens/VistaSP1s.jpg"&gt;&lt;/a&gt;LITERATURA&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.sesisp.org.br/home/sociocultural/imagens/Corredor-Ignacio-de.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 250px" height="252" alt="" src="http://www.sesisp.org.br/home/sociocultural/imagens/Corredor-Ignacio-de.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;“São Paulo é a cidade mais fácil do mundo para ser cronista. Vou andando, o assunto agarra meu tornozelo e diz: me usa, me usa”. É o que revelou Ignácio de Loyola Brandão, considerado o cronista da capital, apesar de sua origem interiorana, em um dos debates da Bienal do Livro de São Paulo. Ele carrega consigo um pequeno bloco, onde anota situações que alimentam sua vasta obra, que já soma 27 livros, entre crônicas, contos, romances e infanto-juvenis. “Inspiração é observação. Olhar para o olho das pessoas, o interior, minha cidade, por onde ando, escutar e ouvir as pessoas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a São Paulo da década de 60, seus interessantes e únicos personagens, que surgem sempre quando o sol se põe, que resgata em seu primeiro livro, &lt;em&gt;Depois do Sol&lt;/em&gt;, primeiramente lançado pela Brasiliense, em 1965, e recentemente reeditado pela Global Editora, incluindo making off e personagens que o inspiraram, quando o autor completou 40 anos de carreira. Na época, Ignácio começava sua carreira como jornalista no jornal getulista de Samuel Weiner, o &lt;em&gt;Última Hora&lt;/em&gt;, onde trabalhou por quase dez anos. Morador do centro da cidade, fazia parte da boemia da cidade. Toda noite fazia via-sacra em boates, bares e inferninhos com seus colegas de redação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Clubinho, na Rua Rego Freitas, boca de luxo que reunia pintores, escritores e outras figuras notívagas; o restaurante Gigetto, na rua Nestor Pestana, com seus artistas, diretores e desfile de celebridades; o pessoal do Teatro Oficina; o inferninho Snobar, na Bento Freitas, onde, para fazer um programa, tinha que ser figura carimbada; Juão, templo da bossa nova e os pombais da boca de lixo são palco de inspiração de Loyola para os oito contos que reúne nesta obra. A capital é, por ora, coadjuvante silenciosa ou protagonista, em contos como &lt;em&gt;São João Mão Única&lt;/em&gt;, retrato de um congestionamento na avenida, na época, e &lt;em&gt;Aos Sábados Eles Mandam na Praça&lt;/em&gt;, o ritual diário pelo qual passava a Praça Roosevelt, aos sábados, onde as mais diversas classes sociais e estilos freqüentavam seus cinemas, à noite. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq000/imagens/316_06.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 190px; CURSOR: hand; HEIGHT: 230px" height="253" alt="" src="http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq000/imagens/316_06.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, mais do que uma cidade já caótica, os contos retratam as experiências pessoais de seu autor e personagens inspirados em pessoas que se relacionou. Loyola fala abertamente do baixo salário que ganhava na época, o glamour da carreira, como burlava necessidades financeiras para se divertir, sua doença e visão sobre o golpe militar, mostrando uma juventude intensa, retratada com primor em &lt;em&gt;Retrato do Jovem Brigador&lt;/em&gt;, inspirado em um colega de redação. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Além disso, havia a moda, que surgia na cidade com as modelos da Rhodia e era o sonho de consumo de meninas do subúrbio, desde a prostituta do inferninho até a menina de família. &lt;em&gt;Ascensão ao Mundo de Annuska&lt;/em&gt; foi inspirado na modelo Giedre Valeika, na época grande manequim da Rhodia. Delicioso, lembra &lt;em&gt;Bonequinha de Luxo&lt;/em&gt;, de Truman Capote. Ele, juntamente com &lt;em&gt;A menina que chupava chupeta&lt;/em&gt;, que mostra a visão da prostituta sobre a ascensão na vida, se entrecruzam. São duas histórias de amor, dois mundos opostos (ou não), duas personagens bem elaboradas. Retratos crus e reveladores. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Plagiando os ousados layouts que promoveram o livro, criados por amigos do autor quando ainda não havia tal propaganda e muitos donos de livrarias as recusaram, antes de falar mal de Loyola, leia este livro. Depois, fale mal com conhecimento de causa. Enquanto a gente dorme, acontecem coisas incríveis na cidade. Loyola conta tudo, neste livro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Marília Almeida &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-114293220674074457?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/114293220674074457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=114293220674074457' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114293220674074457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114293220674074457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/03/quando-os-gatos-so-pardos.html' title='Quando os gatos são pardos'/><author><name>Marília Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02526254334606663899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://tipos.com.br/media/7/20030417-ava%20gardner%207.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-114282587209049106</id><published>2006-03-19T22:36:00.000-04:00</published><updated>2006-03-20T21:52:50.360-04:00</updated><title type='text'>‘Noventa’ anos de solidão</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/garcia_marquez_2.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/garcia_marquez_2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;LITERATURA &lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/clip_image002.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A velhice acaba de ser reinventada com &lt;em&gt;Memórias de Minhas Putas Tristes&lt;/em&gt; (Ed Record, 2005), mais recente romance do Nobel de Literatura de 1982, Gabriel García Márquez. O título pode soar como mera pretensão de contos de bordéis. O mestre da narrativa, no entanto, vai tão longe a ponto de transformar o comércio do prazer em um pretexto para dissecar a alma humana. A crítica, cheia de pudor, tentou injuriar a obra, alegando que ela incita a pedofilia. Isso porque, ao completar noventa anos, o personagem (narrado em primeira pessoa) decide presentear-se com “uma noite de amor louco com uma adolescente virgem”. Sem nunca ter deitado com uma mulher sem pagá-la, o velho descobre, ao tentar realizar uma fantasia, o primeiro amor de sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Delgadina é o nome da escolhida para satisfazer os desejos do nonagenário. Virgem e pobre, a menina receberá todas as economias do velho em troca de seu corpo. Mas, chegado o momento do encontro, García Márquez expõe as víceras de um ser humano que se depara com fantasmas vivos: o medo da velhice, a ansiedade frente à impotência e a perplexidade diante da pureza. A garota adormecida na cama desperta o sonho de um mundo que ele nunca conheceu. Se sente indigno de corromper tamanha beleza, quase infantil, o que o leva a confrontar desejo e inocência numa poética sobrehumana. Dessa forma, por diversas noites, ele paga a dona do bordel por momentos a sós com a ninfeta, que nunca se encontra acordada na sua presença, e, assim, permanece até que ele vá embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, o velho passa horas em claro admirando Delgadina. Tenta adivinhar detalhes de sua vida e deseja-&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/memorias.0.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" height="308" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/memorias.0.jpg" width="194" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;a mais adormecida do que acordada, para que possa idealizar na estátua de seu corpo todos os amores que não vingaram. Se apaixona louca e gradativamente, em plena velhice, regressando ao ardor de um amor adolescente, vívido – e nunca vivido. Sem jamais ter recebido uma palavra da amada, ele paga o que não tem para sentir sua respiração e compra presentes como se faz a uma noiva. O universo da paixão platônica é tão intenso que, certo dia, se depara com uma enlouquecedora crise de ciúmes diante de sua beleza, o que o faz quebrar com violência todos os objetos do quarto. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não é a primeira vez que García Márquez escreve sobre amor na velhice. Em &lt;em&gt;Amor nos Tempos do Cólera&lt;/em&gt;, ele narra a história de um jovem que, desprezado pela amada, espera toda sua vida, até que ela fique viúva, para experimentar a paixão inconcebida. A diferença é que, em &lt;em&gt;Putas Tristes&lt;/em&gt;, o personagem passa de cama em cama, literalmente, durante ‘noventa anos de solidão’, até que, no fim da vida, descobre o amor. E ele é tudo o que jamais viveu e não poderá viver, porque só existe por ser intocável, na plenitude do sono da amada. Lembra, inversamente, o famoso conto de fadas A Bela Adormecida, já que, aqui, o amor só nasce a partir de um beijo, com o despertar da moça.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;Pode-se dizer que depois de vastas publicações literárias, nosso autor está menos politizado e mais centrado nos conflitos internos do ser humano. Ele prova que não perdeu o fôlego, apesar da idade avançada. Pelo contrário, se revigora com uma narrativa tão bem costurada quanto às demais, deixando nada a desejar. Afinal, acima de qualquer pretensão erótica, ele ensina que o fim da vida não é apenas tempo de lamentar o não ocorrido, mas é, acima de tudo, uma estação onde os sonhos não podem morrer. Quem se permite viver todas ilusões possíveis não pode deixar de ler esse referencial.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="left"&gt;Tais Laporta &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-114282587209049106?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/114282587209049106/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=114282587209049106' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114282587209049106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114282587209049106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/03/noventa-anos-de-solido.html' title='‘Noventa’ anos de solidão'/><author><name>Tais Laporta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15012070315502777241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-114231172436777105</id><published>2006-03-14T00:34:00.000-04:00</published><updated>2006-03-15T00:00:59.693-04:00</updated><title type='text'>As facetas de Clooney</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;CINEMA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FILMES DO OSCAR III&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2820/2376/320/Murrow.1.jpg" border="0" /&gt;A maré está boa para o ex-galã da série de TV &lt;em&gt;Plantão Médico&lt;/em&gt;, que nunca havia participado do Oscar. George Clooney fez uma boa estréia na festa de gala de Hollywood como diretor de &lt;em&gt;Boa Noite Boa Sorte&lt;/em&gt; (Good night, and good luck). Apesar de não ter levado estatuetas para casa, apenas a de melhor ator coadjuvante por outro filme, &lt;em&gt;Syriana&lt;/em&gt;, que cujo papel, a propósito, exigiu muito de si (ele engordou 14 quilos e se feriu gravemente ao filmar uma cena, chegando a dizer que foi o melhor e pior papel de sua vida), seu filme, onde, além de diretor, foi ator coadjuvante e co-roteirista, foi indicado em seis categorias: Melhor Filme, Melhor diretor, Melhor Ator, Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia e Roteiro Original. Balanço muito bom para um estreante no mais alto mundo de Hollywood.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clooney chamou a atenção, principalmente, por ter se tornado um ator e diretor politizado, com preferência por histórias com fundo histórico e político. Clooney é reconhecidamente anti-Bush e, após chamar atenção para a indústria do petróleo, o terrorismo e a decadência da CIA em &lt;em&gt;Syriana&lt;/em&gt;, em &lt;em&gt;Boa Noite, boa sorte&lt;/em&gt; dá uma cutucada na mídia de massa de seu país e na política americana no Oriente Médio, parecendo incrivelmente atual. Ele resgata a carreira do âncora de TV da rede CBS, Edward Murrow (David Strathairn), principalmente seu embate, na década de 50, com o senador Joseph McCarthy, que empregava sua caça aos comunistas no país. Ele se passa em uma TV recém implantada nos Estados Unidos, mas que já mostrava sua grande influência e poder. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2820/2376/320/6.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Originalmente concebido para ser um especial para a rede CBS, o filme é impecável. Com um orçamento de US$7,5 milhões, não tem pretensões e se passa, praticamente, em um único ambiente: a rede de TV CBS. Clooney acerta em usar de todos artifícios disponíveis para não tornar o filme um documentário. Para começar, não há letreiros ou imagens de época para situar o público, mas, sim, um discurso de Murrow em uma festa em sua homenagem, que resgata toda sua carreira. As imagens de arquivo são usadas discretamente (McCarthy, no filme, é o próprio), livrando uma boa história de ser enfadonha. Há até mesmo um casal de atores ilustrativos, Joe (Robert Downey Jr.) e Shirley Wershba (Patrícia Clarkson), que acabam dando um tom leve à tensão do filme, apesar de, às vezes, ficarem um pouco deslocados na trama. Até mesmo a deliciosa trilha sonora, destacada no filme com a própria banda atuando em um dos estúdios da emissora, tem algo a acrescentar se prestarmos atenção às suas letras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobram cigarros, máquinas de escrever e jornalismo romantizado em preto e branco, em seu eterno embate com a ética inerente da profissão e a guerra mercadológica dos meios de comunicação, na eficiente atuação de Strathairn. Clooney, no filme, é seu editor, um papel meio ‘banana’, mas que confirma sua promissora carreira, após uma pouco falada estréia como diretor com &lt;em&gt;Confissões de uma Mente Perigosa&lt;/em&gt;, em 2002. Parece que o galã largou de vez o papel de bom moço e, conseqüentemente, está bem mais interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marília Almeida &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-114231172436777105?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/114231172436777105/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=114231172436777105' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114231172436777105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114231172436777105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/03/as-facetas-de-clooney.html' title='As facetas de Clooney'/><author><name>Marília Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02526254334606663899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://tipos.com.br/media/7/20030417-ava%20gardner%207.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-114213492321871069</id><published>2006-03-11T23:30:00.000-04:00</published><updated>2006-03-20T22:01:26.363-04:00</updated><title type='text'>Brokeback Mountain, choque rosa-choque</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/imageNYET12212152054.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 278px; CURSOR: hand; HEIGHT: 189px" height="198" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/imageNYET12212152054.jpg" width="318" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; CINEMA&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;FILMES DO OSCAR II&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A temática da subversão não cansa de ser uma bandeira que, levantada, acaba falando mais alto que a forma, a densidade, a originalidade – em outras palavras, é histérica. Para desespero dos simpatizantes de &lt;em&gt;Os Segredos de Brokeback Mountain&lt;/em&gt; (EUA/2005), dirigido pelo taiwanês Ang Lee, das oito indicações recebidas pelo maior prêmio do cinema, apenas três categorias receberam a estatueta: direção, roteiro adaptado e trilha sonora. Não tardou para a crítica especializada concluir que a homossexualidade é um tabu que a academia hollywoodiana ainda não superou. Já os fãs da produção usaram menos eufemismos, atribuindo o que foi considerado um “fracasso” a puro preconceito. Contudo, vale lembrar que o filme não é composto apenas por um elemento (no caso, a abordagem gay), mas por unidades substanciais como fotografia, figurino, elenco e edição, julgadas separadamente. Ainda assim, a produção venceu duas das categorias mais cobiçadas, direção e roteiro adaptado. Os três prêmios não bastam, portanto?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 326px; CURSOR: hand; HEIGHT: 232px; TEXT-ALIGN: center" height="226" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/two.jpg" width="330" border="0" /&gt;&lt;strong&gt;Jack Twist (Jake Gyllenhaal) e Ennie Del Mar (Heath Ledger)&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ang Lee conseguiu, ao escolher as terras áridas do oeste americano, conquistar o coração da mais alta casta do cinema hollywoodiano com uma temática nada convencional, vamos reconhecer: a paixão secreta entre dois jovens cowboys na década de 50. Impossível ignorar que o período marcou o ápice dos grandes filmes épicos do faroeste, reforçados pela inquestionável virilidade dos personagens. Aliás, uma fachada que, para ser "confirmada", era exposta a todo custo com demonstrações de coragem e brutalidade. Assim como as bruxas estavam para a inquisição e os cristãos para o império romano, a homossexualidade estava para aquele tempo e espaço (guardadas as devidas proporções). Apesar disso, o ‘q’ da questão não é a perseguição a tendências rosa-choque, mas simplesmente o amor entre duas pessoas que, nas frias montanhas de pastoreio, encontram um refúgio para sugar todo o oxigênio dessa atração, ainda que esporadicamente, por anos a fio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outras palavras, deixando de lado a temática gay, o que resta é um filme de amor proibido. Ainda que atraente, a receita é um clichê conhecido. Então, que tal arrebanhar a simpatia do público com as formas de sempre, aproveitando o impacto do choque moral? De fato, o filme arregala as pupilas de massas desacostumadas com beijos gays, acompanhados de um rebanho de ovelhas. Bela composição para uma história de amor que a todo momento poderia dar certo, mas não dá. Esses empecilhos compõem a fórmula exaustiva de qualquer soap opera. No entanto, apesar de recorrente, o tema teria um mérito louvável –compatível ao alarde que se criou – se não caísse no risco de ser ressaltado em detrimento de outros elementos, como a originalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O roteiro segue sua lógica bem elaborada, apesar das quase três horas de história contada a passos vagarosos. Trilha sonora e fotografia (a paisagem ajuda) ganham o lugar certo. Diálogos e interpretações são salvos por atores razoavelmente bons, saídos do forno da fama. Não deixam a desejar, mas também não impressionam, até porque papéis homossexuais não são novidade nem na convencional hollywoody, e já renderam o reconhecimento merecido a uma renca de atores – com destaque para o Oscar de melhor atriz para Hilary Swank, em Meninos Não Choram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fãs e afins possivelmente não concordarão, mas não podem negar que o filme do diretor taiwanês se sustenta mais pela vitória do dilema moral – romper um tabu da sociedade – do que por características como a genialidade, um dos requisitos essenciais para a composição de uma obra-prima.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-114213492321871069?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/114213492321871069/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=114213492321871069' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114213492321871069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114213492321871069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/03/brokeback-mountain-choque-rosa-choque.html' title='Brokeback Mountain, choque rosa-choque'/><author><name>Tais Laporta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15012070315502777241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-114162689027837999</id><published>2006-03-06T02:26:00.000-04:00</published><updated>2006-03-15T12:59:19.333-04:00</updated><title type='text'>Beckett – 100 Anos - Esperando Godot</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2820/2376/1600/DSC00646.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2820/2376/320/DSC00646.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2820/2376/1600/DSC00644.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2820/2376/320/DSC00644.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;TEATRO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A peça &lt;em&gt;Esperando Godot&lt;/em&gt;, dirigida por Gabriel Villela, em cartaz no Sesc Belenzinho desde fevereiro e até o final deste mês, antecipou a comemoração do centenário do escritor irlandês Samuel Beckett (1906-1989), em abril. Ganhador do Prêmio Nobel em 1969, entre contos e poemas sem sucesso e peças montadas que seguiram o niilismo e diálogos marcantes de sua grande obra, foi criado &lt;em&gt;Esperando Godot&lt;/em&gt;, aclamada pela crítica como sua obra-prima e marco do Teatro do Absurdo, após contínua rejeição de montadores. Escrita em 1949, foi revolucionária no sentido de transpor para o teatro a não-ação, inverter a linearidade da época e retratar com diálogo recheado de tiradas de humor negro proporcional à angústia e confusão que é a face do abandono humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Composta de dois atos, que, assim como em outras peças do autor, são, basicamente, a mesma encenação, com pequenas diferenças, &lt;em&gt;Esperando Godot&lt;/em&gt; retrata dois vagabundos, que lamentam e relembram tempos melhores e esboçam arrependimento, esperando eternamente por Godot, do qual temos vagas referências do autor e que a crítica transformou desde uma metáfora de Deus (Deus, em inglês (God), com o sufixo diminutivo francês, língua original da peça, “ot”, que engrossa a ironia da peça quanto à questão religiosa), até mesmo a um literato provinciano, que defendia a encenação da tragicomédia quando esta era rejeitada pelas críticas do classicismo. Nesta longa espera, procuram por distrações e brincam com diálogos mal-formulados e personagens que passam pelo seu caminho. O jogo de palavras confusas, que se atropelam, conseguem se sobrepor à não ação que permeia a peça, reforçando a angústia e mantendo a tensão sobre o ‘nada’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A montagem de Villela foi, em grande parte, ajudada pelo local, localizado no subsolo do teatro do &lt;em&gt;Sesc&lt;/em&gt;. A impressão que uma vala circular metros abaixo da terra causa sobre a angústia dos personagens é eficiente e o palco circular permite a eles um movimento vicioso e estático. Mas, ao mesmo tempo, prejudica alguns efeitos que visam reproduzir o firmamento, logo contornados por sua criatividade e boa elaboração do figurino. Vilella, porém, dá continuidade à preferência dos diretores brasileiros por atrizes na encenação da peça, sendo que seu autor foi enfático quanto à sua preferência por atores masculinos. Antes de Vilella, houve a primeira montagem profissional brasileira, em 1968, em qual temporada Cacilda Becker teve seu derrame fatal; a dirigida por Antunes Filho e encenada por Eva Vilma, Lílian Lemmertz e Lélia Abramo em 1976 e, por fim, a montagem da Armazém Cia. de Teatro, com Patrícia Selonk.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da atuação impressionante de Vera Zimmermann como o carregador explorado &lt;em&gt;Lucky&lt;/em&gt; e o &lt;em&gt;Menino&lt;/em&gt;, que traz mensagens de Godot, além das eficientes de Magali Biff, como &lt;em&gt;Vladmir&lt;/em&gt;, e Lavínia Pannunzio, como o arrogante ‘dono’ de &lt;em&gt;Lucky&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Pozo&lt;/em&gt;, Bete Coelho parece demasiada afetada na figura de &lt;em&gt;Estragão&lt;/em&gt;, que parece necessitar de mais força e decisão para a indiferença inerente de suas falas. Além disso, houve a limitação do tempo da peça pela estrutura de horário do &lt;em&gt;Sesc&lt;/em&gt;, apesar da já pesadas duas horas da montagem para uma peça densa como esta, que exige muito de seus atores. Mas o primeiro ato sai praticamente ileso e, o segundo, acelerado. Nada que altere o sentido da peça, que deve ser muito relembrado e, principalmente, confrontado, no próximo mês, assim como o foi por muitas décadas. Beckett, afinal, é isso: polêmica. E merece ser lembrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marília Almeida &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-114162689027837999?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/114162689027837999/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=114162689027837999' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114162689027837999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114162689027837999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/03/beckett-100-anos-esperando-godot.html' title='Beckett – 100 Anos - Esperando Godot'/><author><name>Marília Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02526254334606663899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://tipos.com.br/media/7/20030417-ava%20gardner%207.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-114153136246236946</id><published>2006-03-05T00:00:00.000-04:00</published><updated>2006-03-05T00:07:25.686-04:00</updated><title type='text'>Ressurreição do velho Woody</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/matchpoint.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/matchpoint.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;CINEMA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ninguém mais ousava esperar produções entusiasmantes do velho Woody Allen, passada uma década de filmes pouco inventivos, o diretor dos antigos roteiros e montagens engenhosas ressurge das cinzas da genialidade com uma tacada certeira: Match Point – Ponto Final (Inglaterra/ EUA/ Luxemburgo/ 2005). Sem alarde nem grandes pretensões, uma trama recheada de lugares comuns – paixão, ciúmes, traição, assassinato – se transforma, nas mãos de Allen, num verdadeiro caldeirão de metáforas. A escolha de Londres, bem como de um elenco jovem e talentoso, são ingredientes decisivos para o desenrolar de um roteiro que parece ter dado tão certo quanto sugere a própria proposta do filme: provar que sorte e azar estão separados por um espaço tão tênue que o fator mais ínfimo pode alterar o destino de uma vida inteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, nada parece tão fatídico numa trama que a olhos desatentos pode ser interpretada como ordinária. Um professor de tênis (Jonathan Rhys-Meyers) dá aulas a um jovem da elite britânica, e logo se envolve com sua culta e polida família, ocasião em que conhece Nola (Emily Mortimer), irmã do rapaz. Visto como partido ideal da correta moça, Chris logo nota que seu relacionamento entediante é ameaçado pela atração arrebatadora que sente pela futura cunhada. A paixão é inevitável, e vai se estender ao limite de encurralar o personagem a uma decisão crucial: abandonar a vida bem-sucedida com a esposa, ou ignorar a paternidade que deveria assumir ao lado da amante grávida. Até aí, o velho clichê dos triângulos amorosos, explorado à exaustão pelo cinema. Porém, mesmo quem já não tem fôlego para a sequência adultério-gravidez-arrependimento, não pode ficar indiferente à profundidade crescente que a trama conduz em torno do personagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste ponto mora a riqueza da produção, repleta de referências a grandes clássicos, mais explicitamente à obra-prima de Dostoiéviski, Crime e Castigo. Quem leu o livro nota que, principalmente quando Chris opta pelo crime, a comparação é inevitável – não necessariamente como um paralelo, porém como releitura e, ainda, contestação ao clássico russo. Ousadia demais, diriam mentes feridas. Mas não, lê-se como mera inteligência e originalidade. Allen remonta um paralelo às avessas mostrando que, diferente do livro, nem sempre o fim inexorável de um crime é o castigo. Casualidades podem, ao menos na sacada do diretor, presentear o criminoso com um destino feliz. Claro que não é fácil aceitar essa idéia quando ela vem à tona na tela do cinema – razão de muitas expressões de indignação, é verdade, com as surpresas que o roteiro reserva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elementos passíveis de comparação também esculpem a montagem, colocando em confronto mundos que se chocam sem se encostar. O personagem central é a parede que divide esses universos: a aristocracia londrina e o despojamento americano; o tédio do casamento e a exitação adúltera; a moral e a anarquia; a culpa e a inocência; o castigo e a absolvição. Diálogos habilidosos, diretos e precisos estão presentes à maneira das antigas obras-primas de Allen, mais uma prova de sua ressurreição cinematográfica. Uma trilha sonora densa, operística, explora a atmosfera que rege o mundo interior dos personagens. Sequências e cortes que dizem por sí só, sugerem, escondem, deixam no ar...Ao contrário das expectativas, o bom e velho Woody recuperou a vitalidade que parecia perdida para sempre – contornada por um ponto decisivo, ou melhor, o seu Match Point.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais Laporta &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-114153136246236946?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/114153136246236946/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=114153136246236946' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114153136246236946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114153136246236946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/03/ressurreio-do-velho-woody.html' title='Ressurreição do velho Woody'/><author><name>Tais Laporta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15012070315502777241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-114126880301389821</id><published>2006-03-01T23:02:00.000-04:00</published><updated>2006-03-02T16:17:07.790-04:00</updated><title type='text'>As duas cores do escândalo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;LITERATURA&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/1600/Vermelho-e-negro.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3138/1392/320/Vermelho-e-negro.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Não se sabe ao certo qual é o limite dos grandes escritores para escancarar as hipocrisias da sociedade e desnudar a psicologia humana. Um dos poucos que tiveram o êxito de fazer isso com tamanha avidez foi Stendhal, que, com o modesto objetivo de referir-se à sua França, acabou fazendo de &lt;em&gt;O vermelho e O Negro&lt;/em&gt; uma crítica voraz à humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mergulhar profundamente nos frios objetivos de seu personagem, o jovem Julien Sorel, o célebre autor presta contas de como a mente humana trabalha em sociedade: tal qual um jogo repleto de regras, ataques e auto-defesas. Depois de passar a vida estudando e ter decorado todo o Novo Testamento, Julien vai trabalhar como preceptor dos filhos do prefeito de Verriers, cidade imaginária da França. Lá, utiliza todos recursos que encontra para conquistar o coração da primeira-dama da cidade. Frustrado o adultério após a desconfiança do marido, Julien parte para Paris, onde se apaixona por Mathilde, filha de um marques em cuja casa passa a trabalhar como secretário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A esta altura o romance já é considerado um escândalo não só por leitores contemporâneos ao lançamento da obra, em 1830, mas também pelos atuais, que sentem na pele o pudor não da moralidade, porém das idas e vindas que as mentes apaixonadas executam, bem como seus planos mirabolantes colocados acima de qualquer coerência. Na verdade, Stendhal deixa livre no ar um jogo de amor e ódio entre pessoas que ora se desejam, ora se repelem: desprezo e asco alternados por total dependência pelo outro, com direito a picos impressionantes de elevada auto-estima e fases de depressão profunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui o leitor não encontra meios-termos. Julien é pobre e utiliza os conhecimentos adquiridos em um seminário para alcançar uma posição de prestígio na sociedade, e para tanto, não mede esforços em exarcebar sua sabedoria frente aos nobres. Ao mesmo tempo, parece ter momentos de racionalidade ao recusar algumas propostas de trabalho que aparentemente o elevariam a patamares superiores. Mesmo com essas ressalvas, suas atitudes são regidas pela frieza dos planos de ascensão, embora que para questões sentimentais como o amor, esqueça toda a racionalidade e se entregue completamente ao desafio da conquista. Talvez esteja aí a mesquinhez que aponta Stendhal a respeito da sociedade francesa: um mundo de aparências deve se sobrepor a qualquer verdade, seja ela qual for. Uma vez conquistado o amor de suas donzelas, Julien as despreza completamente. Não é difícil encontrar traços de nossa própria personalidade no jovem francês, embora essa idéia soe asquerosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;em&gt;Vermelho e o Negro&lt;/em&gt; leva no nome a alternância de cores fortes, assim como acontece aos sentimentos humanos. Cores que chocam não por acaso: nos fazem enxergar nos outros e em nós mesmos o quanto somos contrários ao que aparentamos ser. Mesmo que nos consideremos mortais comuns e sem grandes ambições. No entanto, sentimos na pele o universo de um herói às avessas, capaz de ferir alguém por amor a outrem, e se apaixonar pela vítima depois do ato consumado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais Laporta&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-114126880301389821?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/114126880301389821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=114126880301389821' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114126880301389821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114126880301389821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/03/as-duas-cores-do-escndalo.html' title='As duas cores do escândalo'/><author><name>Tais Laporta</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15012070315502777241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23243114.post-114125645736173922</id><published>2006-03-01T17:28:00.000-04:00</published><updated>2006-03-15T13:00:25.356-04:00</updated><title type='text'>Capote dividido</title><content type='html'>CINEMA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FILMES DO OSCAR I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2820/2376/1600/capote1.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2820/2376/320/capote1.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quem lê a obra prima do jornalismo literário, &lt;em&gt;A Sangue Frio,&lt;/em&gt; não percebe que seu autor, homossexual assumido, chegou a se apaixonar pelo protagonista, Perry Smith, assassino que acabou enforcado no corredor da morte americano, após matar uma família de fazendeiros no Kansas. Há no livro um desmembramento mais profundo da psicologia de Smith do que de seu comparsa do crime, Dick Hickock, e a tendência é acreditarmos que tinha uma perturbação mental e era, até mesmo, inocente, levado à tragédia por sua infância de abusos. Estes sentimentos controversos foram vividos pelo autor no longo processo de montagem de sua maior obra literária, desde o momento do assassinato, em 1959, passando pela perseguição aos assassinos até a sentença que culminou em suas mortes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram seis anos torturantes que Benett Miller retrata em Capote, seu recorte da biografia do autor baseado no livro de Gerald Clarke. Com a atuação prodigiosa de Philip Seymour Hoffman, o filme é um retrato da extensa pesquisa de campo que o livro demandou para recriar os assassinatos (Capote chegou a ter seis mil páginas de anotações), além da possibilidade que criou ao transformar uma nota de rodapé do &lt;em&gt;New York Times&lt;/em&gt; e um artigo que escreveria para &lt;em&gt;The New Yorker&lt;/em&gt; em um livro, mostrando que o jornalismo cotidiano pode ser aprofundado e criativo. Mas seu foco é, principalmente, seu relacionamento dúbio com Smith e sua dedicação à obra, levada até às últimas conseqüências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo do filme somos expectadores da fria condução de sua obra-prima, paralelamente à crescente afeição por seus personagens. Capote divide-se freqüentemente entre o solitário menino do meio-oeste vítima dos abandonos da mãe, que entende Smith, e o escritor metódico que deseja a morte de seus personagens para que possa finalizar sua obra. Uma bela passagem do filme tenta desvendar a personalidade controversa do escritor-jornalista e analisa que ele e Smith viviam na mesma casa, porém, Smith saiu pela porta dos fundos e, Capote, pela da frente. Esta parece ser a distância entre eles, o que faz com que Capote consiga o objetivo de humanizá-lo no livro, mas não querer sua libertação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de muito elucidativo da personalidade de Capote e retrato do momento mais brilhante de sua vida literária, o filme retrata apenas em flashes o mundo das celebridades no qual estava inserido. Querido pela &lt;em&gt;high society&lt;/em&gt;, dançou com Marylin Monroe, teve atrizes como grandes amigas, bebeu e fofocou muito até que se sentiu seguro para mostrar as estórias que ouviu em um livro após &lt;em&gt;A Sangue Frio&lt;/em&gt;. Capote já havia reproduzido uma em Bonequinha de Luxo, perfil pitoresco, mas com sátira suave, tornado clássico do cinema com Audrey Hepburn. Desta vez o pequeno terror faria críticas contundentes, apesar de cuidadosamente colocadas sob pseudônimos e, após reproduzir alguns capítulos de seu futuro livro em jornais, foi visto como pária. Na segunda tentativa, perdeu a luta entre sua vida e a literatura e deixou-se levar pelas drogas. É o mal do escritor não- ficcional, que reproduziu a vida, demasiadamente, real. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Marília Almeida&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23243114-114125645736173922?l=arte--fato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arte--fato.blogspot.com/feeds/114125645736173922/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23243114&amp;postID=114125645736173922' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114125645736173922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23243114/posts/default/114125645736173922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arte--fato.blogspot.com/2006/03/capote-dividido.html' title='Capote dividido'/><author><name>Marília Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02526254334606663899</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://tipos.com.br/media/7/20030417-ava%20gardner%207.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
